sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Lili e a encruzilhada

Tema da semana: encruzilhadas

A estrada se bifurcava logo a sua frente. Lili encontrava-se numa encruzilhada. Ela parou e desceu da monark lilás e, antes que pudesse tomar qualquer decisão, avistou um homem à sua frente. Ele estava caído no chão. Completamente sozinho. Aproximou-se rapidamente. Desconfiou que já estivesse morto. Embora uma voz dentro da sua cabeça dissesse que não havia nada que pudesse fazê-lo voltar à vida, ela tentou. Reconhecendo que era alguma coisa cardíaca, tentou fazer com que seu coração voltasse a funcionar. Usou de seu tempo e de sua energia. Mas foi tudo em vão. O coração do pobre havia parado de funcionar definitivamente.

O grande dilema de Lili já não era a bifurcação, mas o cadáver que jazia sereno sobre a terra. Os primeiros urubus despontavam no céu. Nuvens plúmbeas se aproximavam curiosamente. Lili não conseguiria enterrar o homem. Pensou em levá-lo em sua bicicleta. Mas isso logo se mostrou impossível. Não poderia carregá-lo por muito tempo. Não agüentaria tal peso por muito tempo.

Entristecida, fechou os olhos do homem e deixou-o protegido por seu guarda-chuva. Não havia mais nada que pudesse fazer. Estar de mãos atadas lhe era por demais doloroso. Mas assim era a vida. Subiu em sua monark lilás e escolheu um dos caminhos. Não posso dizer qual. No fundo, ela sabia que os urubus fariam companhia para o cadáver. Olhou para trás diversas vezes e chegou mesmo a voltar uma parte do trajeto. Mas voltou a seguir o seu caminho. A chuva caía desesperadamente e Lili não podia mais voltar.


2 comentários:

Ana B. disse...

Que historinha triste...

=/

Pq as vezes precisamos deixar pra trás mesmo, pessoas vivas quase mortas/coisas mortas q nem mesmo conhecemos direito, mas ainda assim dói.. Dói pq dá vontade de tentar mais um pouco, mesmo sabendo que é pesado demais...

Sei lá...

E...
Saudades da minha monark! kkkk

Elaine disse...

Ai, ai... Peninha dos dois!

Mas é assim mesmo, né?! Quantas vezes não voltamos pra tentar corrigir, reparar aquilo que não nos cabe mais, ou nunca nos coube?

Catarse total agora! rs