quinta-feira, 29 de julho de 2010

Paradoxo e Preconceito

Se fosse para escolher uma palavra para definir os meus gostos, com certeza esta não seria HOMOGÊNIA. Logo eu que me desfaço em nuances de toda a sorte, ora com cores tênues de indiferença, ora com pinceladas fortes da paixão. Gostar ou desgostar de algo é um processo complexo. Tirando as coisas ruins do mundo, os sentimentos perversos e melancia, acho que não sobra nada para eu odiar de fato. Pois no final das contas, me interessa mais conhecer a particularidade que cada coisa ou pessoa encerra em si. Assim, gosto de experimentar de tudo, ouvir de tudo e freqüentar diferentes lugares, tanto que nunca me encaixei num grupinho rotulado ou pertenci a uma tribo. Sempre fui da galera do tudo junto misturado. Por isso, não vejo o menor problema de no sábado a noite assistir um concerto da Sinfônica e no domingo a tarde prestigiar um sambinha com os amigos. Gostar de Kubrick e Scorsese, mas de vez em quando me satisfazer com uma comédia romântica de Sessão da Tarde. Comer foie gras, mas não dispensar uma boa comida de boteco. Tendo a acreditar que uma alternativa não exclui a outra, mas abre um caminho de novas possibilidades, e estas ultimas em muito me agradam. Mas, por favor, não confunda isso com ‘ser encima do muro’. Pois experimentar, tolerar e gostar de tudo não quer dizer que eu não tenha opinião própria o suficiente para fazer minhas escolhas de fato. Do contrário, gosto de tirar minhas próprias conclusões sobre as coisas e para isso preciso conhecê-las quase minuciosamente. Muitas vezes, me pego experimentando coisas que, a principio, não teriam nada a ver comigo. Caindo de amores por algo que até então nem me despertava a atenção. Mudando de opinião sobre o mesmo assunto na velocidade da luz. “Leitores vulgares, perdoem-me meus paradoxos. É preciso fazê-los quando se reflete, e, digam o que disserem, prefiro ser homem de paradoxos a ser homem de preconceitos”. Compartilhando deste ponto de vista, vou seguindo o caminho entre paradoxos e preconceitos, sempre desviado do segundo e mergulhando de cabeça no primeiro. Cah*

3 comentários:

Escritores de araque. disse...

Concordo plenamente com a ideia do tudo junto e misturado! Acho de uma grandeza enorme conhecer outros sabores, cores e tribos para enfim dizer o que agrada ou não! Não creio que isso seja falta de opinião e sim excesso de curiosidade por esse 'mundão bão' de meu Deus! Arrasou ;)
E abaixo os preconceitos!

Dai disse...

Cah,

Essa frase do Rousseau é... foda?

Eu concordo interamente com isso, o que eu até comentei no texto da Natália é que a gente é aberta a novas experiências mas terá o momento que você dirá: ok, experimentei, mas prefiro a outra coisa.

E a gente tem que ter essa liberdade, sempre.

Você é um paradoxozinho, por isso é uma menina improvável =P

beijo

Daniel Savio disse...

Menina, não acho que seja ficar em cima do muro, mas sim expandir o que você conhece além da sua perspectiva...

Fique com Deus, menina Cah.
Um abraço.