quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O eu e o Monstro


Não. Não me fale em paz de espírito. Guardo embaixo do tapete todos os meus pecados, todos os meus erros. O esqueleto está no armário. Cultivo duplicidades. Lustro a placa pendurada na porta onde se lê: Fantasmas, sejam bem-vindos.

Não me fale em autenticidade. Em meu corpo etiquetas várias: Made in China. Made in Paraguai. Made em manicômio.

Não me fale em transparência. Faço da vida um baile de máscaras. Sob os paetês encontra-se em perfeito estado a cara do Jason. O espelho ecoa o “quem é você” e eu devolvo "quem é você?" e nesse círculo vicioso dialogamos. Sou aquilo que se vê, e sou mais ainda aquilo que me guardo.

Não me fale em coerência. Pela liberdade de ser quem não se é. Pela liberdade, inclusive, de escrever o que não se é.

Um comentário:

Elaine disse...

Não somos sempre os mesmo sempre... 0.o