quarta-feira, 16 de novembro de 2011

À memória, essa deusa

Tema da semana: escolher um incidente e desprezar outro é um modo de inventar a própria vida.


E a vida é de novo feita assim, de escolhas. Não sei se essa frase me caiu como um raio como diria o Poirot da Agatha Christie, mas sei que ela me partiu em dois. Na verdade a maior parte de nossa história, de ideologias, de gostos e amores são frutos da memória e só. Você podia odiar aquele menina que te encheu o saco quando você tinha 10 anos, mas algo que ela/você fez apagou da memória a crueldade e hoje ela é sua madrinha de casamento.


Você poderia enfim sair daquele relacionamento que está te machucando demais e que você diz que não em busca de um autocontrole que nem é autocontrole e opta por lembrar apenas de como a  noite anterior foi ótima e esquece que a despedida foi péssima.


Como quando você lembra que quem te sugeriu essa música muito massa foi aquela pessoa especial pakas e daí ouve e ouve e ouve mesmo a letra sendo fraca, a melodia descompassada e a cantora desafinada e mesmo que você queira dizer que ela é assonante a verdade é que isso te dói os ouvidos.


Ou quando você ignora que nesse emprego não há chances de mudanças e faz tempo que não se dedica para que isso aconteça mas mesmo assim finge que está tudo bem e que a oportunidade está por vir.


Talvez quando pela milésima vez o cara que você transa chega ao clímax e "ano-luz" é a melhor definição para quão distante você está distante de alcançar o mesmo mas mesmo assim você sorri quando ele vira para o lado e dorme porque você sabe que fez alguém feliz no mundo.


A sua vida não é uma questão de fatos, mas de memória. A mediocridade não é feita de memória, mas de fatos.

2 comentários:

renatocinema disse...

Sinceridade: não quis ler o texto......a imagem é tão perfeita que o texto poderia, ou não, estragar a sensação bela que tive. kkk

Elaine disse...

Li o texto, amei! Só não vou dizer com qual parágrafo me identifiquei rsrs.

Abraço, Dai.