quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Luxúria

Lúcia sentou e soltou no rosto o ar de satisfação por, com sorte, ter conseguido um lugar pra sentar no ônibus naquele fim de tarde de segunda-feira. Seus cabelos estavam presos de qualquer jeito num coque e alguns fios escorregavam pelo seu pescoço, descendo até o decote do uniforme do laboratório em que trabalhava. Abriu a bolsa, pegou o celular, botou os fones no ouvido e sintonizou na rádio que tocava as 10 mais. 

Quando o motorista parou no ponto seguinte, entrou um rapaz com olhar firme. A barba por fazer lhe dava a cara de homem. Lúcia pensou que aquele deveria mesmo ser um dia de sorte. Havia conseguido sentar naquele  horário que era o mais disputado e, pela primeira vez, via algum homem gostoso naquela linha. Ele ultrapassou a roleta olhando diretamente pro decote de Lúcia, que acompanhou seus olhos e discretamente deu  uma ajeitada no sutiã. Vindo em sua direção ele conseguiu deixar Lúcia com as bochechas vermelhas. 

O ônibus nem estava cheio. Havia bastante espaço, mas o rapaz parou bem ao lado de Lúcia, com visão privilegiada pro seu decote. E como quem não quer nada, ele se encostava no ombro dela, que estava na altura do cós da calça dele. A cada  curva ele esfregava um pouco mais. Lúcia, cada vez mais vermelha ia sentindo um calor lá embaixo e já não sabia se levantava ou se encostava mais o ombro no rapaz. Ela tentava disfarçar o embaraço mexendo sem parar no celular e fingia que nada estava acontecendo, mas torcia pra que o ponto em que ia descer custasse mais a chegar do que o normal. No fundo, estava adorando a situação inesperada. 

Algumas curvas depois, já se sentindo lambuzada de tesão lá embaixo, teve que se levantar pra dar o sinal e aproveitou para mostrar ao rapaz que também sabia esfregar. Esbarrou com maciez o bumbum na virilha dele, enquanto pedia licença com a voz quase derretida. Soltou os cabelos e desceu do ônibus caprichando no rebolado. Guardou pra sempre na memória a cara de safado dele que viu pela janela quando o ônibus a ultrapassou na calçada. Exausta, tomou o banho mais delicioso de todas as segundas-feiras de sua vida.

6 comentários:

renatocinema disse...

Esses romances sensuais, picantes e maliciosos, são sempre os melhores.

Adorei.

Artur César disse...

que bom que essa Lúcia não resiste a uma situação casual! As vezes me pergunto se Luxúria deveria ser classificado, mesmo, como pecado! É tão bem!

beijos.
Artur!

Elaine disse...

Aee, Carol, segunda quente essa aí, hein?! rs

Barba por fazer... ai, ai! rs

bjs

Frau Forster disse...

ui!

Dai disse...

Então...perdi o ponto, a linha e etc.

beijo

Luna Sanchez disse...

Rs

Eu gosto de gente que não dorme no ponto...ahahahahaha

Beijos!