quarta-feira, 27 de abril de 2011

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura

A persistência nem sempre é uma virtude. E a persistência nem sempre é movida por ideais elevados, sublimes. Aliás, a persistência, muitas e muitas vezes, é movida pelo egoísmo. Nada além de provar que consegue. Que chega lá. Que pode. Que o poder é seu.

Não é.

Saber desistir é uma dádiva. Saber RECONHECER quando é preciso desistir que é uma dádiva, na verdade. Todo mundo tem uma turbina que a move, umas menores outras maiores. Algumas turbinas são turbinas do medo. Outras são a turbina da vaidade. Ainda há a turbina do amor. A turbina da religiosidade. A turbina do sonho. A turbina do desejo. São muitas turbinas.

E dependendo dessa turbina, do impulso que permitimos que elas nos dê, nós vamos rumo ao objetivo. E batemos, batemos, batemos até que possamos ver um rachado, um friso que seja. E nos orgulhamos. Tiramos uma lasca da nossa pedra-alvo. E a turbina gira e continuamos batendo, batendo. Em algumas batidas, olhamos para a turbina e para a pedra. Olhamos para todas as consequências e de certa forma sabemos que aquilo não vale a pena. Mas como se não pudesse parar. Como se não existisse essa possibilidade, a gente se deixa ao sabor das turbinas.

Esse ditado fala da força da água, em como ela bate, bate e consegue furar a pedra. A gente logo imagina a água do mar contra uma rocha a desgastando (e o gerúndio não podia ser mais apropriado). Mas isso é uma balela. Não acredite nessa farsa. Pense bem, a rocha é a mesma, está lá há tempos. Mas e água? Será que é a mesma água ou aquele imenso mar não está em contínua mudança pela evaporação e chuvas?

Somos tentados a achar que somos fortes e podemos insistir em um erro apenas porque podemos fazer isso. Mas esquecemos que somos fluídos como água, sensíveis como ela. A água que bate na rocha também sofre o impacto. Ela pode ficar em poças na rocha e secar.

Saber se retirar no momento certo – ser rocha em firmeza, mas saber escorrer como a água.

8 comentários:

disse...

Ditados populares. Sempre tem algum para a conveniência.
"Não adianta dar murro em ponta de faca" Combina com o teu texto
:D

Carolina disse...

É... "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Será que fura mesmo? Seu texto me deixou na dúvida.

Mas eu já ouvi isso tanta vezes! Que eu até acreditava viu... Agora já não sei.

Mas acho que é importante a persistência. É importante se dedicar, querer muito, acreditar, mesmo que existam muitas pedras duras no caminho.

E já ouvi dizerem também que as vezes, é preciso ter sabedoria para contornar a pedra, para então conseguir ultrapassá-la. Acho que essa talvez seja uma opção melhor à de voltar. Mas também não podemos nos esquecer de que existem muitos caminhos.

Ótimo texto!!

Como sempre, né Dai?

Beeijos!
:)

Dai disse...

Carol,

eu falei mais sobre persistir no erro, sabe? É que para a persistência ruim a gente dá o nome de teimosia.

Obrigada =)

beijo

Elaine disse...

Oi Dai, eu tinha programado uma postagem no meu blog sobre nsistência que corrobora com seu texto.

Dai disse...

Opa, Elaine,

assim que publicar eu vou lá espiar, então.

Mas adiantando, em que sentido :P?

=*

Samuel disse...

Conforme a Teoria de Ação e Reação, sempre resta uma dúvida, será que água age sobre a pedra ou a pedra é que está agindo sobre a água, na verdade são os dois, pois enquanto um age sobre o outro ele recebe a reação, assim por mais que vc seja impulsionado a fazer algo repetidamente na ambição de alcançar algo ou pelo simples fato de não conseguir parar o ciclo, vc está recebendo de volta uma ação, só nos resta saber interpreta-la se isso nos faz bem o mal e assim tentar ao máximo manter o ciclo ou se desvenciliar dele.

Dai disse...

Samuel,

você está certo. A gente é sempre sofrerá o atrito do contato. Você pontuou o desafio, nem sempre é fácil delimitar o que nos faz bem ou nos faz mal. O que nos faz bem hoje pode não fazer amanhã. Além disso, tem algo que nos dá a sensação de bem-estar mas nos causa mal.

Complexo.

Obrigada pela visita.

beijo =)

Alline disse...

Isso é coisa que se aprende depois de algum tempo de "tentativa e erro". Se bem que há pessoas que não cansam de errar e persistir nesse erro. Pra essas eu dou a coroa e o título. rsrsrs

Beeeeeeijo, Dai!