quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vou depressa/Vou correndo/Vou na toda/Que só levo pouca gente

Tema: o que é sorte e onde encontrá-la

Levanta da cama depressa. Escova os dentes com uma mão enquanto mexe o leite com a outra. Veste a blusa e calça os sapatos ao mesmo tempo. Corre para o carro. O tempo de o portão elétrico levantar é uma eternidade. Pensa em ir lá e subi-lo manualmente, para ir mais rápido. Acelera, acelera e acelera o carro. 

Passa em todos os semáforos amarelos. Tem pressa. A vida não está para brincadeira. Enquanto ela dorme tem milhares de pessoas trabalhando, ganhando a vida, correndo atrás. Ela também tem que correr.

Bate os dedos no volante enquanto espera o semáforo abrir – o único que não conseguiu passar, mesmo no amarelo. Nervosa com a espera não repara o motorista do carro ao lado a olhando. Pesquisando. Curioso. A vida é uma tráfego e ela não pode engarrafar. Corre.

Sobe a escada do escritório em dois e dois degraus. Senta-se na mesa sem objetos, apenas o computador e um bloco de anotações e o telefone. Não gosta de badulaques, ela tem que otimizar o tempo e para isso sua mesa e tudo que precisa tem que ser prático.

Tinha terminado o namoro há 2 anos. Estava consumindo muito tempo. Ficara sozinha desde então, terrivelmente sozinha, aliás. Achava que ninguém olhava pra ela, mas a verdade é que ela não olhava para os outros. Como perceber os olhos dos outros se você nunca olha para os olhos de ninguém?

A vida para ela não sorria. Escorria feito a areia de uma ampulheta. Não se importava, apesar de tudo. Para que perder tempo pensando em coisas tolas como essa? Tinha que pensar em como aproveitar mais seu tempo, melhorias para sua carreira. “Deus ajuda quem cedo madruga”, mas se Deus não existisse pouco importava, nunca contou com a sorte. Para ela quem podia controlar sua vida era apenas era – mais ninguém.

6 comentários:

Carolina disse...

Eu acho que pessoas assim, só abrem espaço pro azar. Essa moça é muito parecida com "o homem sem sorte", você não acha, Dai?

Dai disse...

Acho, muito. A única diferença é que ela está ambientada em nossos dias.

Qual será o tipo de lobo que ela encontrará, Carol?

=*

Dai disse...

Acho, muito. A única diferença é que ela está ambientada em nossos dias.

Qual será o tipo de lobo que ela encontrará, Carol?

=*

Alline disse...

Na pressa, parece comigo. Mas não sou assim azeda... rs

Beijocas, Dai!

Carolina disse...

Bom... deixa eu pensar...
Ela pode encontrar um lobo fantasiado de colega de trabalho, daquelas bem invejosas, que te olham de um jeito que fazem na hora seu cabelo minguar, uma espinha enorme brotar na sua cara e sua unha encravada doer.
Ou então, ela pode encontrar o logo da notinha fiscal. Aquele que faz você descontar no limite do cartão de crédito toda essa busca.

Ana B. disse...

As vezes é tanto medo do azar, que tentamos controlar td, e acabamos perdendo a chance de ter sorte com o acaso, entende?