quarta-feira, 15 de junho de 2011

Consumo, logo sou feliz

Tema: “A sociedade consumista favorece a corrupção”. 
Gherardo Colombo*


"A filosofia do contente é uma armadilha de consumo. A existência tem amplitude que inclue: medos, perdas, dores."  Contardo Calligaris

Querer dar o que você nunca teve ao seu filho não vai resolver o problema. Às vezes tenho vontade de soprar esse grande segredo no ouvido de muitos pais que vejo por aí. Trabalham até a exaustão para tentar suprir, entre outras coisas, a falta deles na vida dos filhos que, em grande parte, é causada pelo trabalho.  Um círculo vicioso, não?

Dizem que a classe média aumentou muitíssimo. Um fator para esta medição são os bens que a pessoa possui. Acredito mesmo que hoje as pessoas têm mais coisas, mas acredito também que elas têm muito mais carnês, boletos e faturas. As pessoas estão endividadas. Muitas não conseguem mais usar o dinheiro. Recebem e pagam a fatura do cartão e depois começam a usar o cartão novamente. Passam de mês em mês o limite para frente.

A corda no pescoço é motivada pelo conforto. Tudo em nome do conforto. De um tal bem-estar que não se sabe dizer direitinho o que é – ou não é. Mas qual o limite? O que é conforto e o que é superficialidade? O que é na medida e o que é excesso?

Andamos correndo demais e a maneira de tampar a falta que as relações fazem, o tempo que tínhamos que gastar com a gente, tudo isso faz com que a gente busque a felicidade em outro lugar: atrás de balcões.


A tristeza faz parte da vida e não é tentando comprar a felicidade em frascos que resolveremos o problema. Viver em busca de coisas acaba coisificando o homem.



*fugi ao tema apesar de ficar no assunto  :P

5 comentários:

Carolina disse...

Você não foi assim tão fugitiva. Até porque, nós estamos mesmo nos corronpendo. Entramos todos em uma máfia do consumo.

O limite, é o limite do cartão de crédito e do cheque-especial.

Infelizmente eu estou nessa.
Vamos montar um grupo dos endividados anônimos?

Só por hoje eu não vou comprar.

Laila Dietrichkeit disse...

Ahhh Dona Dai tenho que aprender mto ainda pra me desapegar das cousas mundanas hahah
otimo texto, otima frase!
bjo

Ana B. disse...

É verdade...

As pessoas ganham pouco, afinal, no final do mês precisam pagar o cartão de crédito, o cartão da renner, o cartão da riachuelo, o carnê da casas bahia, o crédito do celular, a internet, a prestação do carro, etc e tal...

É muita coisa, são mts dívidas.
Economicamente isso também não é bom, a crise em Portugal, por exemplo, está ligada ao consumo exacerbado. Cadê a economista do blog? Ela deve saber explicar melhor do que eu que, para que o sistema econômico não entre em colapso, é preciso que haja um nível mínimo de poupança, no geral.. E para atingir esse nível, todas as famílias tem lá sua contribuição.

Eu tento guardar uma graninha, e até guardo... Mas pelo tanto que eu ganho e como não sustento uma família, não tenho do que me orgulhar, teria condições de poupar muito mais... Se, se, se... Não fossem tantas tentações! Ultimamente sucumbi a tentação da depilação definitiva... e aí não sobra mto pra poupança =(((

Ana B. disse...

Outra coisa:

os pais modernos não compram mts coisas pros filhos apenas pra suprir a carência ou pra lhes dar o melhor, mts vezes querem se ver livres. Já ouvi de umas trÊs pessoas que o vídeo game é ótimo pq qdo o filho está jogando não está perturbando.

Elaine disse...

Olha, essa coisa de preencher vazios é mesmo um troço louco, porque, como você disse, a tristeza faz parte da vida e, no fundo, consumo de nada atende uma carência que é do SER.
Abraço.