quinta-feira, 2 de junho de 2011

Eu e a Solange Frazão

Tema: Esportes/Exercícios/Bem-estar

Quando eu tinha meus 16, 17 anos, via a Solange Frazão, com aquele corpo escultural dando aulinhas de ginástica localizada num desses programas de mulherzinha que passam de manhã na TV. Pegava cadeira, cabo de vassoura, vestia minha calça de ginástica que só servia como pijama e ficava lá fazendo abdominais, agachamentos para fortalecer a musculatura da coxa e, olhando aquele corpo sonhava em transformar minha bunda de gelatina em pura massa muscular. Mas logo chegava a hora do almoço e vinha a batata frita, o macarrão com calabresa, e, o que é pior: a Coca-Cola. E a Solange Frazão avisava: "já tomaram o café da manhã? não se esqueçam de incluir iogurte e frutas nessa refeição que é a mais importante do dia e lembrem-se: bebam bastante água!" Ah, se ela me visse enchendo o pão de manteiga! O tempo passou e até hoje eu acho que ela está de parabéns! Embora eu não siga todas as suas recomendações.

Minhas tentativas sempre foram muitas. Frequentei uma academia que era exclusiva para mulheres e quando a professora, no meio da aula de localizada, naquele exercício em que você fica de quatro, falava: "vamos meninas, só mais 20, o bumbum merece!" eu achava o máximo, mas pensava: o bumbum eu sei que merece, mas será que eu mereço? É, acho que mereço. Mereço fazer atividade física e ver meu corpo se redesenhando, minha disposição aumentando e até meu humor melhor. Adoro praticar exercícios. Tenho uma certa preguiça até chegar na academia, mas depois que estou lá consigo curtir as aulas e sair de lá mais feliz. 

Mas aquela ilusão toda, de querer ser a Solange Frazão quando eu crescer foi-se embora, como tantas que vão desaparecendo quando a gente começa a crescer e encarar a vida de verdade. Hoje eu tenho consciência de que ter um corpo perfeito, de capa de revista não é pra mim. Não tenho disponibilidade pra isso. Teria que ter uma disciplina que acho que nunca existirá em mim, gostar de comer coisas que infelizmente não fazem parte do meu cardápio e abandonar o prazer de comer que, pra mim é bem maior que o prazer de correr na esteira. 

Hoje, consigo aceitar meu corpo, meu biotipo e valorizar minha beleza. Pratico exercícios porque me fazem bem e é preciso controlar um pouquinho, pra não acabar engordando demais, já que eu como muito mesmo  e não estou disposta a dispensar o prazer da gula.  Acho que ser saudável é saber o que te faz bem. Cada um deveria ser feliz com o corpo que tem, sem se preocupar tanto com as capas de revistas. Adimiro quem faz dieta, malha e consegue ser feliz assim. Mas morro de preguiça de pessoas que se tornam neuróticas e deixam de aproveitar tantos outros prazeres da vida em busca de um corpo perfeito.

3 comentários:

Frau Forster disse...

Ótimo texto, Carol. Acho também que a vida é curta demais para abrir mão de alguns prazeres da vida, como o de comer. Você busca o equilíbrio e isso é o importante :) Bjos

Carolina disse...

Esqueci de contar que eu tenho o DVD "Ginástica em casa com Solange Frazão". Ia omitir essa parte, mas não resisti. Quando eu morava em república em Ouro Preto eu e a Nina, minha amiga que também queria virar filé - apesar de eu achar que ela já é um filezão - corríamos numa praça que tinha perto de casa e depois colocávamos o DVD e fazíamos os exercícios na sala. As outras meninas morriam de rir da nossa cara e ficavam apostando até que dia a gente ia prosseguir. Não durou muito, mesmo. Mas todas nós babávamos no corpo daquela mulher... só faltou um pouquinho de disposição... rsrs

Dai disse...

Eu não gosto dela. Sempre achei muito estranho esse pique....rs

Já tive minhas épocas de acompanhar exercícios na tv, agora eu nem passo perto mais. Acredito, como todas, que o caminho é o equilibrio, mas tá difícil, viu?

beijo!