domingo, 13 de março de 2011

O que nós sabemos sobre personalidades femininas? E o que nós fazemos para manter o espaço que elas conquistaram?

Escrever sobre uma personalidade feminina, eis a minha incumbência de hoje.

Confesso que me sinto envergonhada, embora tenha meus ídolos do sexo masculino, a quem conheço relativamente bem, no cinema, na literatura e em outras áreas, pouco sei sobre mulheres que fizeram história.

E se alguma mulher acha que o dia da mulher é um dia inútil, deveria abrir os olhos e limpar os ouvidos. É um dia de conscientização, embora a maioria das pessoas não esteja disposta a se conscientizar. Nesse ano, pra mim, foi um dia muito produtivo. Li muitos textos interessantes, e outros muito machistas, mas que mudaram minha concepção sobre o papel da mulher na sociedade. Acredito que hoje em dia, o maior desafio é fazer valer os direitos que foram conquistados por aquelas que vieram antes de nós.

O pior é perceber que o dito sexo dito frágil, hoje é muitas vezes oprimido por ele mesmo. São as próprias mulheres aquelas que mais condenam a independência feminina, e a vontade daquelas que querem o direito de ocupar qualquer espaço na sociedade, assim como os homens fazem. A lei nos garante isso, mas a nossa limitação mental, muitas vezes não nos permite aproveitar tais oportunidades.

 Assim como eu, muitas mulheres não conhecem a história dos grandes ícones do sexo feminino, que não são a Ana Maria Braga, ou a Marilyn Monroe, e coisas do tipo, por mais que elas também tenham lá seus méritos, são ídolos vendidos pela mídia e não mulheres cuja história realmente admiramos. Nossos ídolos femininos não podem se resumir a apresentadoras de tv, atrizes e modelos, façam-me o favor. 

Talvez a mulher que eu conheça menos superficialmente seja Bette Davis, caindo no cliche, minha atriz preferida e uma mulher de história fabulosa; ela fez história dentro do cinema,  sendo a primeira mulher a presidir a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, aquela que distribui o Oscar. Mas não é Bette Davis a mulher mais admirável da história da humanidade... Quantas mulheres que fizeram a diferença nós conhecemos? Cleópatra? Helena de Tróia (hahahaha)?

O que sabemos sobre Amelia Earhatr, Aracy Moebius, Sirima Bandaranaike, Maria Curie, Benazir Bhutto ou  Maria Quitéria?  Além delas, procuramos conhecer mais profundamente mulheres que são usualmente mencionadas como Chiquinha Gonzaga, Cora Coralina, Anita Garibaldi ou  Leila Diniz? E quantas outras eu não estou mencionando aqui, e empenharam suas vidas a fazer algo diferente do que fariam se apenas aceitassem aquilo que lhes era oferecido, e a limitação que as regras sociais lhes impunham? 

Enfim, eu não soube escrever aqui sobre uma personalidade feminina, porque em 24 anos não fui além daquilo que a vida me pediu, e não conheço profundamente nenhuma, mas espero que no próximo dia da mulher eu já conheça menos superficialmente sobre cada uma
dessas que eu citei, ainda que algumas delas tenham histórias controversas e tudo mais.

Não estou defendendo aqui a liberdade sexual, o sexismo que tende a imitar os homens em seus maiores defeitos, nem acho que as mulheres devam queimar o soutien e tudo mais. Muito espaço já foi conquistado,  e não temos tanto trabalho pela frente, pois muitas mulheres já fizeram a parte mais difícil por nós. Mas as que não querem aproveitar, que pelo menos não reclamem e nem digam que não há causa para lutar! Se vocês disserem isso, posso lhes dizer que lutar contra a ignorância de vocês já é uma causa...

Aproveito para divulgar dois sites interessantes sobre “a causa”:

Machismo Mata: pra vocês perceberem que não só as mulheres são vítimas dessa linha de pensamento (ou de ausência de pensamento) tão retrógrada.

Laço Branco: pra vocês verem que muitos homens estão mais atentos para a nossa “causa” do que nós mesmas.

4 comentários:

Ana SS disse...

Machismo mata mesmo.
Triste é saber que há muitas mulheres, machistas. Muitíssimas.

Tb postei sobre algo assim: http://significantess.blogspot.com/2011/03/08-de-marco-dia-das-mulheres.html

Parabéns pelo escrito tão pertinente!

ℓ.mirella disse...

É, vejo que sou desentendida do assunto 'mulheres que fazem a diferença com o cérebro', mas as que conheço são excelentes, pq é da mulher pensar, fazer e sonhar coisas boas... Há.

Não conheço os sites interessantes sobre a causa, irei conhecê-los agora.

xD

Carolina disse...

É difícil mesmo falar de uma mulher que tenha sido importante nesse contexto. Mesmo que não seja a fundo, tenho certeza que conhecemos muitas que, de alguma forma, deram passos valiosos para a conquista de nossos direitos. Acho que os melhores exemplos são aquelas mulheres que estão próximas, como aquela colega de trabalho que dá um duro danado pra dar conta dos filhos, da casa e da faculdade, que só pode cursar mais tarde, por falta de oportunidade quando mais jovem, mas que ainda sim não perde a força nem a capacidade de sonhar.
Essa semana vai ser muito bacana aqui no blog, tenho certeza!

Beijos!!

Dai disse...

Eu não estou muito melhor que você já que das que você citou conheço pouquíssimas.

Hoje a causa pra se lutar chega ainda mais difícil, no sentido que hoje é muito mais velado. Você não sabe bem contra o que está lutando. Hoje você não tem que "lutar pelo direito de as mulheres terem cargos altos" porque eles dizem "se você for competente, terá", mas a gente sabe que há certas artimanhas por trás.

Além do que é feito do boicote que é feito pelo homem a mulher, acho que o maior problema é o que é feito pela própria mulher. A falta de valorização, a tentativa (idiota) de parecer com os homens no que há de pior, como a galinhisse e a falta de caráter, pra citar apenas dois.

Mulher precisa conquistar a própria autoestima, acho que esse é o desafio.

bjo