quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Chaves e Besouros







"When you were young and your heart was an open book
You used to say live and let live
But if this ever-changing world in which we live in
Makes you give in and cry
Say live and let die”
Paul McCartney












Sinto o vento me abraçar. Já não recordo a ultima vez que estive aqui, vejo em sépia a antiga casa. Carrego no peito a chave de libertar pensamentos e sem esforços destranco a fechadura da porta da frente. O cheiro me acerta em golpe o estômago, o odor da velhice entremeia paredes, pouco faz lembrar a doce infância. Portas e janelas há muito fechadas guardam segredos de outras épocas, suspiros de outros amores se escondem por detrás das pesadas cortinas. Os retratos, antes espontaneamente alegres, agora esboçam sorrisos amarelo de saudade, desses que se dá quando não se pode mais chorar.Pela janela, entre os vidros quebrados, avisto o céu azul áfrica. Só de existir indefectível lá fora, alguma coisa muda em mim e a chave guardada no peito abre mais um caminho no destino.


Ruflando de par em par, minhas asas alçam púberes vôos para além do provável.


Cah*

3 comentários:

Daniel Savio disse...

Bonito o conto, mas é um quarto real, ou dentro de nosso ser?

Pois as vezes esquecemos tanto lugares dentro de nós fechados...

Fique com Deus, menina Cah.
Um abraço.

Daykerson disse...

Muito interessante todo texto. Gostei da parte das cortinas. Dia desses fui em uma casa onde tinham cortinas, as mesmas haviam 20 anos. Penso em tudo que elas ouviram, olharam, mesmo sem poder realmente sentir.
Grande abraço!

Dai disse...

(tentando comentar pela terceira vez =/)

A lembrança tem que ser vívida sim. Temos que sorver até a última gota. Mas o mais importante é alçar voo.

beijo

obs.: A teoria eu sei, a prática está sendo mais difícil... =/