quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Atitude!


Primeiro, quero me desculpar pelo atraso. Tenhos péssimos motivos, mas de tão péssimos, posso dizer que tenho bons motivos pra ter começado o ano em falta aqui. No último domingo, primeiro dia do ano, a chuva caía constantemente aqui em Congonhas. Passei o dia em família, com direito àquela comilança toda e tudo mais. Anoiteceu e a chuva só piorando, caindo forte e sem trégua. Na madrugada do dia 02 de janeiro, eu dormia na casa do meu namorado quando minha mãe me ligou, por volta de 02:00, avisando que o rio estava transbordando e a casa da minha tia estava prestes a ser inundada. Fui pra casa dela, ajudei a tirar o que deu, trouxe suas três gatas siamesas pra casa da minha mãe e ficamos esperando. Pois a enchente veio! E veio MESMO! Minha mãe também mora nas margens do rio, porém no segundo andar. No dia 02 de janeiro, à tarde, a casa da minha tia já estava embaixo d'água e vários pontos da cidade alagados, inclusive a minha rua. Fui até o centro da cidade resolver algumas coisas no banco e quando voltei, meia hora depois, já não havia como entrar na minha casa e minha mãe estava presa. Fui pra casa do meu namorado. Por volta das 19:30, eu e ele resolvemos ir até próximo da minha rua, para ver como estava a situação e tentar tirar a minha mãe de casa, já que ela estava sozinha e sem energia elétrica. Não sei descrever o tamanho da minha surpresa e do meu desespero quando cheguei e vi o estado da minha rua. A casa abaixo à minha, estava com água até a metade das janelas. E a água subia com uma rapidez assustadora. Liguei pro corpo de bombeiros, pedindo ajuda pra tirar a minha mãe de casa, porque eu não podia deixá-la sozinha, no meio de tanta água, sem energia elétrica e com a possibilidade da água entrar em casa. Fiquei das 20:30 da noite, até as 03:00 da madrugada ligando, insistindo, pedindo ajuda e vigiando a minha mãe que estava na janela. Depois de todo esse tempo e de quase desistir, apareceu um pescador com um barco e meu namorado ajudou ele e um outro rapaz a resgatar a minha mãe e outras três vizinhas que estavam isoladas. Não havia como agradecê-los. O alívio que senti quando pude tocar em minha mãe é inexplicável.

Depois desse dia difícil, ainda tinha um outro problema. Eu fui aprovada na primeira etapa da UFMG e as provas da segunda, começariam no dia seguinte, dia 03 de janeiro, em Belo Horizonte. A estrada que liga Congonhas a BH estava interditada em dois pontos, por causa dos estragos das chuvas. Além disso, não havia meio de chegar até a rodoviária de Congonhas, porque a cidade estava toda alagada, em vários pontos e nem carro passava. Fui dormir já praticamente conformada com a perda da prova.

Na manhã do dia 03 busquei informações e descobri que havia como ir pra BH, porém estava demorando bem mais que o habitual. Saí da casa do meu namorado com a roupa do corpo e fui em direção à rodoviária. No meio do caminho não consegui continuar porque havia água e barro demais. No desespero meu namorado ligou pra um taxista e eu consegui sair da cidade. Na estarada, ficamos quase três horas parados, no trecho que estava com problemas por causa da chuva. Acabei conseguindo chegar no local da prova faltando dez minutos para seu início. Mas ainda tinha um detalhe: não tinha lápis, nem borracha, nem caneta. Um guarda me emprestou uma caneta. Fui fazer a prova. Me deparei com a informação de que as questões deveriam ser respondidas à LÁPIS. Morrendo de vergonha, avisei ao fiscal que eu não tinha lápis e uma moça linda e muito simpática me emprestou um. O bom foi que eu não tinha borracha, então tive que responder às questões de Português e Literatura de uma só vez, sem chance de apagar e consertar qualquer coisa.

Então, mesmo atrasada, eu quero escrever aqui o que eu espero de 2012. Aliás, o que eu pretendo realizar em 2012. Nesses dias, eu experimentei a pior das sensações que tive até hoje: a impotência. As coisas acontecerem bem ali, na sua frente e, por conta de um rio no meio do caminho, uma tempestade ou o que for, você não poder fazer NADA, é a coisa mais cruel que existe. Por isso é que mais do que qualquer coisa, em 2012 eu quero ter atitude. Eu quero fazer TUDO o que eu quiser e puder! Quero aproveitar cada oportunidade e fazer o que tiver que ser feito, independente do lugar, da hora e do clima. E desejo a todos um ano cheio de coisas boas! E muita força a quem, assim como minha tia, perdeu suas coisas e agora precisa reconstruir o pouco do que sobrou.

3 comentários:

Dai disse...

Poxa, Carol. Que coisa mais absurda e triste! Nossa...to sem palavras...

quanto a 2012, que ele seja um ano melhor mesmo!

beijo

Mari disse...

Carol, to mega atrasada, mas espero que esteja tudo bem ai!
Como estão a sua tia e sua mãe? E a prova, como foi?
Beijoss

Carolina disse...

Meninas, obrigada pela atenção! Agora as coisas já estão voltando ao normal... aos poucos tudo se ajeita. A prova não foi grandes coisas... mas estou com tiquinho de esperança! :)