sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Por que tudo tem que ser infinito?

Tema da semana: "Nunca, palavra bastante corajosa, mas quase nunca cumprida"


Um dia me disseram:

- Nunca diga que não beberá dessa água.

Eu não quis admitir na época, mas tinham razão. Gosto de coisas definitivas e adoro pontos finais. Sendo assim, a palavra "nunca" tem um sabor todo especial para mim. Só que nem tudo na vida é na base das coisas definitivas e dos pontos finais (aliás desconfio que a maioria não é)

- Nunca mais quero te ver.

Disse eu certa vez, dramaticamente - e voltei atrás. Foi embaraçoso admitir que não era simples como eu imaginava, mas antes isso do que perpetuar um "nunca" que deixou de fazer sentido. Porque, às  vezes, naquele momento ele faz sentido, do mesmo modo que "te amo pra sempre" faz sentido num exato espaço de tempo, porque naquele exato momento era "pra sempre".

Já precisei e preciso, muitas vezes, dizer, bradar, gritar certos "nuncas" para que eu me mesma convença daquilo o que deveria ser real, mas não é - ou ainda para que eu me convença do que por ora pode ser verdade. 

Verdade ou não hoje, talvez possa ser amanhã, mas não há garantias de nada. Tudo bem, posso lidar com isso e creio que temos uma necessidade de coisas infinitas, seja o "sempre" ou o "nunca", porque dão a sensação de conforto, de sabermos onde estamos pisando.

Não sei se o nunca é uma questão de coragem, acho que é mais uma questão de momento. E levá-lo a cabo pode ser até uma questão de covardia, caso a gente se recuse a ousar e mudar o que costumávamos ser ou pensar. Dar-se o direito de mudar de ideia e voltar atrás é ser flexível e aceitar que se pode pensar de um modo diferente.



3 comentários:

£ädÿ disse...

engraçado como eu digo 'nuncas' e 'sempres' com a mesma facilidade com que me convenço de que nada é pra sempre e de que o nunca não existe. Acho que tem mesmo tudo a ver com o momento da vida da gente: na hora, o nunca parece mesmo definitivo, e o sentimento do pra sempre parece mesmo ser eterno. Por mais que depois eu volte atrás em um ou outro pensamento, também não me arrependo de soltá-los de vez em quando. É meio essencial desabafar um dramalhão às vezes né :P Mas não tem como nunca dizer nunca. Nem pra sempre.

Marina disse...

Furo mais "nuncas" e "sempres" que encontros que não gostaria de ir. Acho que falta compromisso comigo mesma, sei lá.

renatocinema disse...

Mantenha seu ideal....o resto é detalhe poético.....vai por mim.