quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Obviedade e cinta-liga

Nem sempre a obviedade é tão evidente assim. Tá, parece redundante, incoerente, frase de efeito barato, mas não acho que seja. Às vezes a gente acha que tem uma visão ampla, que estamos cientes de todos os fatos, todos os lados e nuances. Mas a verdade é que a verdade está mais camuflada pra nós que as calorias de um mousse de chocolate com nozes e cobertura extra de chantilly.

Uma das coisas mais interessantes é que a gente se boicota. Sabe como é? É assim, você sabe bem suas verdadeiras intenções, o que quer, o que não quer, mas camufla as intenções, não assume para você mesma que sim, você é meio sacaninha. Quem não é?

Ou que não, que todo mundo é sacaninha, mas nessa hora você não é. Que não está nem aí para o que está acontecendo, o que os outros querem, que não, você não é de usar cinta-liga.

A obviedade é que ninguém conhece melhor a gente do que a gente mesmo, sim, é verdade. Mas teimamos em nos reconhecer, colocamos no mínimo um papel manteiga na nossa frente que é para que a nossa visão não seja tão límpida assim, a gente se vê – mas não tanto.

Faço sempre esse exercício de autoconhecimento, e não sou modesta, pego para mim até os defeitos que não são meus, e questiono minhas qualidades o tempo todo, vai que eu esteja fingindo que gosto de blues e jazz, vai que eu não goste tanto assim de ler, vai que eu não tenha vontade de tomar vinho todos os dias.

E seria óbvio, também, eu saber quais são meus defeitos. Mas acontece que tentando entender os outros, muitas vezes a gente se pega pensando: quantas vezes eu não fiz isso também, né? Poxa, tenho que entender o lado da pessoa...

Não!!!

Não, eu nunca fiz isso. Não, eu não penso assim. Não, eu não aceitaria esse erro de mim mesma, por que aceitaria do outro?

A obviedade é qualquer coisa que se esconde a um palmo do nosso nariz, pode estar ao nosso alcance, mas mal conseguimos delimitar o tamanho dela.

3 comentários:

***MissUniversoPróprio*** disse...

Sim, tantas vezes é tão óbvio que não conseguimos enxergar.

Muito, muito bom.

=*

Lucão disse...

:)
eita, sapiência.
Concordo com vc, Dai.
Há momentos em que é mto dificil sermos tão sensato, pq, como até conversamos, somos racionais mas mto emotivos tb... e quando a emoção tenta tomar providência, nossos princípios, nossas crenças quase vão por água abaixo.
quase, porque (falando de mim) ainda tenho o racional que me puxa. Culpa do orgulho, mas mérito dele tb.
:)

Ser racional, acima de tudo. Mas com uma pitada de emoção essa brincadeira de viver fica mais gostosa, né?
:)

beijo, adorável.

Daniel Savio disse...

Tem dois jeitos de pensar:

O obvio depende da capacidade da analise da pessoa, então o que é obvio para um, as vezes nem arranha a consciência do outro.

Segunda forma, mesmo por estar obvia a informação não quer dizer que tenhamos condição de lidar com ela, então postergamos o nosso real entendimento.

Acho que escrevi o obvio do post, por isto desculpa.

Fique com Deus, menina Dai.
Um abraço.