quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Atirem na fada madrinha!!!

Fica muito bem em cinema
Romance do romance ideal
Só vamos então deixar combinado:
Aqui é a vida real!

Lulu Santos

“E no momento em que o amor se transforma em conformismo, a relação é composta por quatro pessoas, duas reais e duas idealizadas. Não acompanhando a mudança do parceiro, cada pessoa idealiza um outro que já não existe, uma pessoa que ficou presa no passado, que não corresponde ao seu real, cuja identidade está deturpada por um amor morto, ideal, parado no tempo. Ou seja, existem duas pessoas reais e dois eus idealizados que não existem. E dá-se a ruptura do amor, porque confrontados com a sua identidade idealizada há quem sucumba ao conformismo e quem se rebele (sic) rompa com a sua identidade idealizada”

Comédia romântica é o conto de fadas do adulto.

Acredito mesmo que seja assim. Mas o que quero saber é: essa falácia de que seremos “felizes para sempre” vai ser perpetuada até quando?

As coisas deveriam ser mais palpáveis, mais possíveis e mais normais. Mas somos, sobretudo a mulher, injetadas desde cedo com a expectativa da varinha de condão: cedo ou tarde o feitiço irá se operar em nós e nos tornaremos a princesa e seremos salvas por nosso príncipe maravilhoso em seu cavalo bran... porsche?

Todavia, a pergunta que não quer calar é, afinal de contas: salvas de que? Esses dias estava ouvindo alguém falar sobre a mulher, do papel exercido na sociedade e lembro que, citando alguém que não lembro, a pessoa disse que o amor é, no resumo da ópera, um resgate de identidade: a mulher ama para que ela possa resgatar quem ela é. Ela ama para que alguém reafirme (ou afirme, em alguns casos) o valor que ela tem. Bem, não é acho que o amor seja (só) isso, tampouco que seja uma característica apenas de mulheres: há homens que precisam que lhes digam que eles são os “machos-alfa” também.

A mulher não tinha que ser salva de nada, deveria ter mais controle do próprio destino. Deveria, assim que aparecesse uma fada madrinha, pegar uma espingarda e mandar para longe quem achasse que ela não podia cuidar de si mesma e lhe oferecesse artifícios para conquistar um mala sem alça perfeitinho.

Por que eu não quero um príncipe? Simples: porque eu não sou uma princesa, não vivo em uma monarquia e a metáfora de príncipe/princesa seria bem ultrapassada não fosse algumas relutantes que ainda acreditam nisso. É incabível querer um príncipe porque, ademais, estou mais pra sapa que para Cinderela!

A frustração tem origem na expectativa. A questão fundamental é perceber quais são as expectativas certas e quais as erradas. Eu sou míope para essa identificação, confesso, mas mesmo assim, há que se fazer um esforço para perceber quem se é, o que o outro é e o que representa na sua vida e sobretudo, o que você passará a representar estando na companhia desse outro.

Pior que ficar sozinha, é ficar sozinha estando acompanha. No final da história você estará com uma coroa jogada na despensa, um pangaré no quintal e um imprestável na cama.

3 comentários:

MARIANA disse...

Muitoo bom, Dai!Adorei!A última frase é a melhor!hahaha
Beijoss,
Mari 2

Het disse...

Acho que o lance esta na expectativa gerada mesmo.

Mulheres muitas vezes fantasiam e anseiam por perfeição.

Homens são menos suscetíveis a essas armadilhas, historicamente falando, ou pelo menos, acordam do sonho com mais determinação.

O lance é seguir respeitando o outro, com os defeitos e tudo. O que acontece muita das vezes é essa idealização criada no outro, um dia a máscara cai!

Mas não abra mão de encontra alguém legal, que te respeite e entenda, te ame verdadeiramente sem estripolias ou cavalos brancos.

É importante também não criar uma expectativa contrária a relacionamentos, senão se acaba por aí espalhando que homem não presta.

Também não é por ai o caminho.
Mas com certeza, antes só do que mal acompanhada!

Daniel Savio disse...

Bom post, mas esta o papel desta fada madrinha armada só a própria mulher pode fazer.

Realmente perfeição não existe, só para nós fazer ficar mais longe de algo realmente bom que possamos ter como um casal que se ama.

Fique com Deus, menina Dai.
Um abraço.