domingo, 3 de outubro de 2010

Meus defeitos, meu tapete.

Eu costumava dizer que defeitos, quando reconhecidos, deviam ser consertados e não abraçados. Eu costumava dizer que não queria ser como a moça da música, que nasceu assim, que cresceu assim, que é mesmo assim e vai ser sempre assim. Então eu dizia: “eu sei, eu surto, mas não vou mais surtar, porque defeitos devem ser corrigidos e não abraçados”.

Eu costumava surtar e eu costumava acreditar que sabendo disso poderia corrigir isso. Eu costumava ser tola, afinal, meus surtos são irrelevantes, se eu parar pra pensar em tudo que há por trás deles. Se eu parar pra pensar naquilo que me faz surtar, que não é exatamente meus defeitos, mas as minhas experiências (ou a falta delas), os meus medos e os meus anseios. Os meus surtos são irrelevantes se eu parar pra pensar naquele porão de emoções e transtornos que eu nunca abro, pois nunca encontro a hora certa de abri-lo, com receio das chatices da vida, das dores passadas e dos fatos que me recuso a aceitar.

Meus defeitos são um tapete para debaixo do qual eu varro um monte de bagunças que não consigo nem listar. Meus defeitos têm lá suas explicações, mas eu não quero mexer na sujeira para descobrir quais são. Então o tapete está torto, devido a toda sujeira que há ali debaixo, mas eu me recuso a limpar. Eu apenas observo... E não digo mais que vou consertar meus defeitos, porque descobri que eles não são a pior coisa com a qual terei de lidar para consertá-los.

E se não me fiz entender, esse é um defeito que tenho há alguns anos também. E venho tentando me expressar melhor, como se o problema estivesse nas palavras que eu escolho; mas talvez elas sejam apenas o tapete e por trás das palavras tenha toda uma sujeira que na verdade eu não quero mostrar.

5 comentários:

Daniel Savio disse...

Mas para o caminho da evolução, temos de te enfrentar estes casos e acasos que temos em nossos defeitos...

Fique com Deus, menina Ana B.
Um abraço.

Dai disse...

Mas você tocou num ponto tão crucial, mas tão crucial, que eu nem sei como conseguiu tocar.

E isso é uma coisa que me encasqueta, encafifa, incomoda. O que me preocupa nunca são as ações, as palavras, mas sim o que há por trás delas.

Sábado mesmo me disseram uma frase muito da cretina e eu não soquei a pessoa porque eu - ainda- sou a favor da argumentação. Para se justificar a pessoa me disse que "usou as palavras" erradas, eu disse que não, a intenção que era errada, as palavras foram certinhas.

Tem tanto coisa debaixo de tapete que ele anda tampando só o "cume" da montanhazinha de sujeira.

Ótimo texto, me fez pensar

o.0

beijo

Alline disse...

Meus quilos de defeitos já foram levados pra passear no divã no analista. Uns deixaram este corpo, outros parecem grudados em mim... Apenas os aceito. ;)

Beijooo, Ana!

***MissUniversoPróprio*** disse...

Lembrei de:

"Até cortar os próprios defeitos pode ser ... Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro."

Muito bom. =) =**

badona disse...

"So, let go, let go
Jump in
Oh well, what you waiting for?
It's all right
'Cause there's beauty in the breakdown"

Frou Frou - Let go

Evitar certos confrontos é mais prejudicial do que eles mesmos. Aceite os defeitos, abrace a dor até sufocá-la. O que te falta pra se sentir em paz?

=)