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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Maria fumaça

Tema: Trem das Onze

Não moro no Jaçanã, mas é como se fosse. É São Paulo, mas é como se não fosse. Longe do centro, moro na zona sul. Só que a zona sul é grande, sabe? Podia ser dividida em umas três partes: assim ficaria mais fácil se localizar e dizer "eu moro na zona sul" faria mais sentido geográfico.

Felizmente, o transporte público melhorou nos últimos anos e me sinto, fisicamente, mais ligada ao mundo. Ainda assim, conheço bem o dilema de Adoniran: essa coisa de ter que voltar cedo por causa do transporte e da mãe preocupada em casa. 

E sempre o trem. Durante meus anos de faculdade, utilizava o trem diariamente e, a despeito das pequenas chateações, sempre o vi com lirismo e alguma poesia. Tenho boas histórias e bons causos com o trem de pano de fundo. Histórias e encontros nas estações. E acho que o trem dá uma boa metáfora sobre a vida: o destino é o mesmo para todos, mas somos nós que escolhemos onde descer.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Por que tudo tem que ser infinito?

Tema da semana: "Nunca, palavra bastante corajosa, mas quase nunca cumprida"


Um dia me disseram:

- Nunca diga que não beberá dessa água.

Eu não quis admitir na época, mas tinham razão. Gosto de coisas definitivas e adoro pontos finais. Sendo assim, a palavra "nunca" tem um sabor todo especial para mim. Só que nem tudo na vida é na base das coisas definitivas e dos pontos finais (aliás desconfio que a maioria não é)

- Nunca mais quero te ver.

Disse eu certa vez, dramaticamente - e voltei atrás. Foi embaraçoso admitir que não era simples como eu imaginava, mas antes isso do que perpetuar um "nunca" que deixou de fazer sentido. Porque, às  vezes, naquele momento ele faz sentido, do mesmo modo que "te amo pra sempre" faz sentido num exato espaço de tempo, porque naquele exato momento era "pra sempre".

Já precisei e preciso, muitas vezes, dizer, bradar, gritar certos "nuncas" para que eu me mesma convença daquilo o que deveria ser real, mas não é - ou ainda para que eu me convença do que por ora pode ser verdade. 

Verdade ou não hoje, talvez possa ser amanhã, mas não há garantias de nada. Tudo bem, posso lidar com isso e creio que temos uma necessidade de coisas infinitas, seja o "sempre" ou o "nunca", porque dão a sensação de conforto, de sabermos onde estamos pisando.

Não sei se o nunca é uma questão de coragem, acho que é mais uma questão de momento. E levá-lo a cabo pode ser até uma questão de covardia, caso a gente se recuse a ousar e mudar o que costumávamos ser ou pensar. Dar-se o direito de mudar de ideia e voltar atrás é ser flexível e aceitar que se pode pensar de um modo diferente.



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A vida é nossa e o problema é meu


Tema da semana: Sua vida, só sua ou de todo mundo?




Eu sempre digo que é muito fácil dar palpite na vida dos outros. Já devo ter falado aqui que eu acho a coisa mais simples do mundo resolver os problemas de outra pessoas, enquanto os nossos por vezes nos deixam
com um nó na cabeça e outro na garganta.

Minha vida não é só minha. É também daqueles que estão nela junto comigo. Aqueles que eu permito que estejam comigo, fazendo parte dos meus planos, dos meus sonhos, dos meus passos. Mas o que eu faço com ela é responsabilidade minha. As escolhas que eu faço são pensadas, às vezes, considerando outras pessoas sim, mas são na verdade aquilo que eu achei que deveria ser feito. E isso pode ter uma implicação positiva ou negativa nas minhas relações, mas não é nada além do que uma das consequências de qualquer escolha.

Minha vida é minha e eu gosto de cuidar dela. Eu gosto de lembrar que o controle é meu. Mas gosto de lembrar também que o que acontece comigo, de alguma forma e mesmo que involuntariamente pode atingir o outro. Não qualquer outro, mas aquele que está ao meu lado, fazendo parte dos meus dias. Aceitar um olhar externo sobre algum aspecto da minha vida não me custa. Mas decidir o que fazer com isso, é problema meu e só.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sobre a vontade e o mover

Tema: O que te move?


Nem sempre estou em movimento de mudança, muitas vezes estou dando sequência às coisas e só, a vida muitas vezes é essa eterna esteira, você anda, anda e anda mas não sai do lugar e meio que as coisas têm que ser assim porque existe um processo, existe começo, meio e fim - existe o durante.

O que me move é a certeza de que dá para fazer mais - e melhor. Que dá para fazer diferente, que dá para ser diferente. Acho interessante como realmente achamos que as coisas são imutáveis:

- "Cursei essa faculdade, acabou-se, morro nessa profissão";
- "Não tenho problema de hormônios nem nada, mas sempre comi bem e fui gordinha, nunca vou mudar";  -
- "Quando eu tinha 8 anos meu pai tentou me ensinar outro idioma, mas eu não dou pra isso - nunca mais quis saber";
- "Sempre morei nessa cidade, não me vejo em outra";
- "Ah, nunca fiz, agora que tenho filho vou inventar moda?"... 

Fiz uma tatuagem recentemente e aprendi uma lição pra vida: as coisas podem ser muito menos impactantes do que parecem.

Calma lá com essa coisa de "efeito borboleta" porque o Universo também é muito maior que nós, ok? Há 13 anos queria fazer uma tatuagem, adiava por N motivos, mas sempre ficava na minha cabeça aquela imagem de que se fizesse, o mundo até sairia do eixo, de tanto impacto que causaria. Fiz, saí do estúdio e...   tchã     nã    nã     nã... NADA.

Ninguém olhou na rua, ninguém notou no trabalho, eu não mudei, não fiquei mais inteligente/burra/sexy/baranga/descolada/whatever, as estrelas não caíram do Céu e nem o Sol  virou gelo. Por fim, a sensação depois de pronta foi: ah tá, era isso?

E tenho seguido nessa vibe de não deixar para ser feliz ano que vem. Algumas mudanças têm surgido e a pergunta que tenho feito é por que não? Se der empate entre o "por que sim?" e o "por que não?", faça, porque o "por que não?" tem peso dois, vale mais porque mudança é bom, faz a gente se mover, aprender, conhecer, ter a chance de algo acontecer.

Eu não sou velha, mas olho pra trás e penso que dava pra ter feito muita coisa bacana se tivesse me atirado mais, arriscado mais, tirado por base quem está fora da curva e menos a manada. Mas tudo bem, tudo bem porque tem muita coisa pela frente então bora lá fazer algo diferente pela primeira vez.



quinta-feira, 14 de junho de 2012

No meu palco

 Tema: Protagonismo


A luz está sobre mim. A luz reflete a minha imagem ali, seca. E eu reflito sobre o que eu sou, pra onde vou e por que ir. Nesse momento de reflexão eu tenho a certeza que o papel principal está nas minhas mãos. Mas como em qualquer história - inclusive nessa que a gente encena todos os dias, chamada vida - nada pode ser feito apenas pelas minhas mãos ou pelos meus pés. Haverá um caminho e nesse caminho haverão outras mãos às quais eu poderei unir as minhas (ou não) e outros pés nos quais eu poderei tropeçar (ou não). Cabe a mim as principais falas, os principais passos e a melhor luz. Mas os outros personagens dão sentido a essa trama, influenciando sem vergonha alguma o meu texto. 

Ser a protagonista me permite, ou melhor, me obriga a enxergar o roteiro a partir do meu personagem. E eu seria ingênua e muito cruel se pensasse que o protagonismo me concede um poder absoluto. Mas eu prefiro ser ingênua e acreditar que por mais que o papel principal esteja nas minhas mãos, existe um diretor que faz com que minhas falas ou minhas cenas ocorram de tal forma que se encontrem ou não com as falas e as cenas dos outros personagens. E que é assim que se faz a história. E é assim que eu tiro dos meus ombros o peso insistente do protagonismo. 



sábado, 15 de outubro de 2011

Antes pouco do que nada


Tema da semana: "O que um peixe sabe sobre a água na qual nada a vida inteira?"
(Einstein)

Não, o peixe não sabe. Não totalmente. Ele simplesmente acha que sabe. Vamos colocar o peixe como  nós mesmos. Achamos que sabemos da vida, que sabemos viver, que somos inteligentes e espertos. Mas nem todo conhecimento de mundo (ou de água) nos torna PHDs em matéria de vida. Por mais que se adquira experiências, vivências, por mais que se deixe pra trás aquela visão de mundo estreitinha, que tentemos ir além do laguinho no qual nadamos, sempre vamos errar e sempre teremos algo a aprender. 
Portanto, é melhor sabermos pelo menos um pouquinho da água na qual nadamos (ou o peixe nada) para que as coisas não piorem, para que as bordoadas sejam menores - menos dolorosas, talvez - e para que cada um não seja simplesmente levado pela correnteza ou acabe se sentindo fora d'água. Importante lembrar que o peixe fora d'água começa a apodrecer pela cabeça e eu, pelo menos, não quero isso pra mim. 

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Achados e perdidos

Tema: Perda

Fui ao hortifruti com a minha mãe no sábado passado e estacionei o carro longe para variar - dirijo relativamente bem, mas estaciono deveras mal. No trajeto de volta entre o hortifruti e o carro, o saquinho das beterrabas estourou e elas foram caindo e rolando pelo caminho - felizmente não eram muitas e fui hábil o bastante para recolhê-las, mesmo carregando outros trilhões de sacola e, posteriormente, abrindo o porta-malas. E foi então que pensei: se João e Maria tivessem feito uma trilha de beterrabas, eles nunca teriam se perdido. Mas aí também não teriam tido história...

Perder tempo, a fome, cabelo, o chão, o jogo, o caminho, paciência, dente, a vergonha, a luta, chaves, ônibus, chances, virgindade, fôlego, dinheiro, entes queridos, peso... Há inúmeras coisas que a gente pode perder e acaba perdendo vez ou outra. Mas e quando a gente se perde? O Morrissey canta:

Everybody's lost
But they're pretending they're not

E acho que todo mundo se perde em algum momento da vida. Eu já me perdi  algumas vezes e achar o caminho de volta nem sempre é fácil - ao menos nunca foi para mim. Mas será que quando a gente se perde o ideal é achar o caminho de volta? A gente se perde quando perde alguém, seja porque faleceu  seja porque não nos quer mais - o fato é que foi embora. A gente se perde quando perde o emprego. A gente se perde quando perde as esperanças.

A gente se perde com as perdas de nossas vidas. Quando as coisas mudam e é preciso recomeçar. Mas recomeçar mesmo? Se perder pode ser bom porque - quando a gente não surta - acaba parando pra pensar: Onde diabos eu estou? E o que vou fazer agora?

Da última vez que me perdi, acho que nem com uma trilha de beterrabas parrudas eu acharia o caminho de volta, mas quem se perde precisa de tempo. Às vezes até de uns chacoalhões, mas essencialmente tempo. Quem se perde não fica necessariamente alheio, porque a vida continua - seja qual for o baque. Porque dá para aprender com a perda - e com o fato de estarmos perdidos e isso se faz, creio, lidando com o novo...

... ou não também. Conheço pessoas que parecem que sempre estarão perdidas: não sabe quem são, não sabe o que querem e não se preocupam com isso - nem são menos felizes por isso.

 Em vez de pensar que se perder é um problema e nas coisas que podemos perder, prefiro pensar naquelas que ninguém pode tirar de nós. E sim, elas existem e aos montes.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Deus deu a vida para cada um cuidar da sua

Tema da semana: Desabafo


"Deus deu a vida para cada um cuidar da sua"

Li isso num parachoque de caminhão num passado recente. Ri. Mas não pude deixar de concordar: se cada um cuidasse da sua vida, a vida (de todo mundo) seria muitíssimo melhor.

Todo mundo diz que eu sou brava. Bom, isso eu sou, mas não o tempo todo. Independente disso, tenho o direito inalienável (como todo mundo no mundo) de ficar brava quando vejo haver motivo. E uma das coisas que me aporrinham é gente querendo se meter na minha vida.

Eu não dou palpite na vida alheia, não faço fofoca nem de gente famosa, não dou pitacos no romance de ninguém. Então por que tem gente que insiste em criticar o modo como me organizo, dirijo, namoro, fecho a porta do carro, tomo decisões, espirro, bocejo, falo, como - enfim, como levo minha vida? Por que tem gente que acha que sempre preciso de conselho, proteção e orientação - e, para isso, se acha no direito de se intrometer na minha vida, conjecturar e especular?

Ainda se eu fosse doida, irresponsável ou inconsequente. Se eu estivesse totalmente perdida, desempregada por opção ou quebrada. Bom, eu até entenderia... Mas eu sou justamente o contrário: nunca dei trabalho ou preocupação para ninguém e sempre me virei muito bem sozinha.

Sei que tem essa história de a gente dar liberdade para as pessoas fazerem isso. Mas eu avisei, risquei a linha no chão, coloquei a cerca branca... Mas nada, nenhum resultado. O que fazer agora?

sábado, 16 de julho de 2011

Eu não aceito que minha vida só comece aos quarenta!

Tema: "Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta? A minha acabou faz tempo..."

     Acredito que digam isso, pois acham que com quarenta estamos mais maduros e conseguimos ver as coisas mais claramente, mas não concordo totalmente com isso, afinal se descobrir, se arriscar, se jogar também requer alguma reflexão além de ser muito bom e, na maioria das vezes, muito gratificante. Ser consciente sempre, não dá e eu tento, por mais pragmática e receosa que eu possa ser, ser assim.

     Acho também, que nunca paramos ou, quiça, deixamos de viver. Estamos sempre de alguma maneira vivendo e continuando, o que muda é o pensamento do que é viver para cada um. E se pensarmos, até o nosso próprio conceito de vida está em constante mudança, o que eu acho bom hoje pode não ser mais tão bom daqui uns anos.

     O importante nisso tudo é sempre ter consciência de que temos que viver, seja lá como for o jeito, mas que ele exista, pois estamos aqui para isso. Ainda mais se esse jeito for auto astral e de bem com a VIDA que espera, ansiosamente, ser vivida.

Quem disse que a vida começa aos quarenta?

Tema: "Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta? A minha acabou faz tempo..."

Me disseram uma vez que depois dos vinte, a vida passava voando. E é a mais pura verdade. Mas eu fiz um acordo com o tempo: eu não corro atrás dele e ele não corre atrás de mim (tenho algo parecido rabiscado num caderno velho de versinhos). Então tenho vivido cada momento muito bem vivido.

Longe de achar que a vida começa aos quarenta, acho que ela começa quando a gente bate o pé e diz:

- Poxa, agora é pra valer.

Ser feliz é uma questão de escolha. Começar a viver também. Talvez isso esteja muito ligado ao que cada um de nós espera da vida e das pessoas. Mas tenho que admitir que a experiência de vida e a maturidade que (em tese) você tem aos 40 deve tornar as coisas mais simples e mais leve. Assim, deve ser mais fácil viver depois dos 40.

Então por que será que a gente às vezes tem essa sensação de que a vida acabou? Talvez justamente por não termos vivido o bastante para ver o que é problema de verdade e ter experiência para dar a cada coisa a devida importância ou porque só vemos o lado ruim das coisas e achamos (cedo demais!) que a vida acabou. 

Nem sempre é o fim do mundo. Muitas vezes, são só crises - que nada tem de meia idade. E parece que vivemos tanto quando, na verdade, vivemos pouco diante de todas as possibilidades por aí.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A decepção, meia-irmã da expectativa

Eu desisti de tentar não esperar nada, mas acho que aprendi a esperar um pouco menos. Só acho, porque vira e mexe eu me decepciono com as pessoas e as situações. "Somos todos humanos e erramos" não serve de consolo sempre. Não mesmo. Tem erros que não deveriam ser permitidos, mas é errando que se aprende - em tese. Há controvérsias para todas as teses de senso comum.

Há uns anos atrás, eu tinha uma gradação para isso e podia classificá-la em três categorias: chateação (leve), desapontamento (moderado) e decepção (fatal). Na verdade, acho que ainda levo isso em conta atualmente, só que agora para merecer a categoria decepção é muito mais difícil - o que tem me trazido grande tranquilidade.

Quem não quiser se decepcionar, é melhor nem sair de casa... Ou melhor, é melhor nem sair para a vida - afinal, mesmo em casa você pode se decepcionar com o almoço de natal que miou por sua causa.

Ter expectativas e se decepcionar são coisas que vivemos todos os dias e que fazem de nós, os seres humanos que somos. E, convenhamos, mesmo eu que adoro planejar reconheço que a vida seria um tédio se todas as nossas expecativas fossem atingidas. E como aprender a lidar com o que não dá certo? Durante a vida, ouvimos mais "nãos" do que "sins" e pobre daquele não consegue aceitar ou lidar com isso.

A gente muda, a nossa vida também - do mesmo modo que as nossas expectativas e as coisas que nos decepciona[riam]. Tem que ser assim, não? Não dá para esperar a mesma coisa da vida a vida toda, ou dá? Se der, acho que tem alguma coisa errada... Algumas coisas talvez permaneçam em essência, mas a roupagem e o olhar é outro, porque somos outros.

Se por um lado eu acredito que tanto as expectativas que dão frutos quanto as decepções sejam boas (por diferentes motivos), por outro, não acredito de modo algum em pessoas que dizem não ter expectativas - isso é discurso de quem tem medo de se frustar, de se decepcionar.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Você quer jogar?

Tema: "O destino baralha as cartas, e nós jogamos" 
Schopenhauer
 
Gostei demais dessa frase. Sim, é inevitável dizer que existem coisas que acontecem com todos nós que só podem ser obras do destino. O acaso, Deus, destino, predestinação, seja lá que nome for, eu acredito. Acredito que há momentos em que o inexplicável, o improvável acontece. E diante disso, não há nada que possamos fazer. Se jogamos sobre a mesa uma determinada carta, o baralho nos surpreende com uma outra que simplesmente dá um novo rumo ao nosso jogo. 
 
Mas temos nas mãos diversas cartas. Podemos escolher qual delas usar. E cada escolha, gera uma jogada diferente. Umas resposta diferente do parceiro. Uma jogada é consequência da outra. Portanto, a partir do momento que entramos no jogo estamos ali a mercê de quatro elementos: o adiversário, o parceiro, a sorte e nós mesmos. Desses quatro, indiscutivelemente temos o controle de apenas um: nós mesmos. 
 
Então, eu só posso pensar que ainda que exista o destino para misturar nossas cartas e nos surpreender quando estamos crentes de que o jogo está em nossas mãos, devemos continuar jogando. É essa "ilusão" que nos faz permanecer no jogo. E quem sabe um dia, poderemos nos considerar vencedores? 
 
 

domingo, 15 de maio de 2011

A vida é um jogo?

Tema: “O destino baralha as cartas, e nós jogamos.”

É Schopenhauer, isso explica muita coisa.

Eu costumo jogar bem pouquíssimas coisas, na maioria dos jogos sou um grande fracasso.  É uma inabilidade que carrego desde o berço.

Sinuca é uma das minhas maiores vergonhas. Sou capaz de jogar trocentas partidas sem derrubar uma bola (minha) e, ainda que o baralho seja um dos meus menores fracassos, ele já me fez perder até o rumo de casa, várias vezes.

A vida deve ser mesmo um jogo, um jogo desses que eu jogo muito mal. A diferença, é que não é um daqueles jogos que, quando nos humilham demais, podemos deixar pra trás... É preciso continuar jogando.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Du contra

Bom, eu ainda sou nova nesse mundo de blogs. Não conheço muitos, e há pouco tempo comecei a escrever aqui no Meninas. Mas há um blog que tenho certeza que posso recomendar de olhos fechados - http://du-contra.blogspot.com
Não só por ele ser escrito por um dos meus melhores amigos, que eu amo tanto, Zeca, mas por suas ideias sempre diferentes - de uma boa maneira. Foi um dos primeiros blogs que comecei a ler, anos atrás. O Zequinha me mostrou que pessoas com pensamentos diferentes dos seus podem se parecer mais com você do que você imaginava.
Em particular, gostaria de comentar sobre seu último post, em que fala sobre nossas escolhas. Como cada uma delas, mesmo a menor e mais insignificante possível, podem afetar nossas vidas de uma maneira definitiva.
É estranho quando paramos pra pensar que se tivéssemos saído um minuto antes de casa, nosso dia poderia ter sido totalmente diferente; que se não tivéssemos bebido aquele último copo de cerveja, não teríamos perdido todo um dia de ressaca; que se tivéssemos colocado uma blusa diferente, aquela menina não teria parado pra falar com você e vocês nunca seriam tão amigas como hoje; que se não tivesse prendido o cabelo aquela noite, aquele menino jamais repararia em você...
São tantos detalhes, que se pararmos mesmo pra analisar cada um deles, enlouqueceríamos. O que devemos fazer é tentar escolher as opções que nos soam mais razoáveis sobre nossa vida. O resto que acontecer, é resto...destino talvez - coisa que até hoje não sei se acredito, mas vive me surpreendendo.
Enfim, leiam o blog do Zequinha, ele andou meio parado, mas agora voltou com tudo! =)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Rema logo! ...saco

Pessoas negativas me cansam. Pessoas que acham que nunca são capazes. Pessoas que sempre se desmerecem. Que ficam o tempo todo na mesma ladainha: não sei se consigo.

Acham que não podem pegar o metrô, o ônibus, não vão ao mercado sozinhas, às compras sozinhas, ao banheiro. Pessoas que não aceitam um emprego por acharem que não darão conta do recado. Mulheres que nunca ligam para o cara com medo do que ele vai achar. Pessoas que se jogam em cima de um cara mas depois dizem que não vão beijar. Pessoas fracas.

O tipo de pessoa que estou falando é aquela que mesmo sozinha em um barco, no meio de um lago, olha para os remos e gagueja: não sei se consigo.

Eu não tenho paciência pra pessoas assim. Tenho pouco tempo pra aguentar insegurança, inclusive a minha. Não tenho estrutura para suportar o show que pessoas assim dão. São capazes de esgoelar no barco gritando que irão morrer ali mesmo, afinal TODO MUNDO SABE QUE EU NÃO CONSIGO REMAR, POR QUE NÃO ME DERAM UM BARCO MOVIDO A MOTOR?

Não sei, mimada. A vida não dá barcos motorizados. Tampouco ela não irá te oferecer um iate. Na verdade, o máximo que a vida está te oferecendo de graça é uma canoazinha com um remo quebrado e o outro com lodo.

Suspire um pouco. Reveja a situação. Se você está sozinha nesse barco, pouco importa se você acha que não consegue, você não tem opções, tente. Tentar é melhor que ficar dando birra dentro do barco enquanto o que estão de fora te olham e pensam:

- O que ela está fazendo? Ela está a um metro da margem.