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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Abra os olhos!

Tema da semana: O que um peixe sabe sobre a água na qual nada a vida inteira?
Einstein

 

Quando eu era criança, adorava mergulhar. Não sabia nadar direito, então preferia mergulhar. Tomava fôlego, enfiava o corpo na água e, com um impulso com os pés na parede da piscina, tentava ir até o mais longe possível. E detalhe: de olhos fechados. Quando o fôlego acabava, eu me levantava na piscina e abria os olhos pra saber até onde tinha chegado. 

Com o tempo, eu fui perdendo o medo e um dia, consegui abrir meus olhos. No início, me incomdei um pouco com o cloro, que os irritava e embaçava minha visão. Mas apesar de ser um pouco incômodo mergulhar de olhos abertos, eu pude perceber o caminho que eu percorria. E com isso, pude ter o controle sobre a minha trajetória e até me esforçar mais pra chegar onde eu queria, mesmo quando o fôlego estava se acabando. 

É essa a minha reflexão: muitas pessoas nadam a vida inteira de olhos fechados e com isso, além de não saberem por onde estão indo, não tem a chance de escolher se é ali mesmo que querem mergulhar. Se estivermos de olhos abertos, fica mais fácil conhecer a água em que nadamos, controlar melhor o fôlego e até escolher mergulhar em outras águas. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quem colocou esse bendito limite aí?

Tema da semana: Limites

Às vezes, se ultrapassa limites como o de velocidade. Gosto de velocidade, mas não ultrapasso o limite de velocidade nem o do meu modesto um ponto zero. Mas que dá vontade, isso dá. Algumas coisas parecem nos convidar a ultrapassá-las: ruas e avenidas sem obstáculos, a.k.a. lombadas, são um bom exemplo. Mas estas são justamente o limite - ou nos servem para lembrar do mesmo.

A balança serve para nos lembrar do nosso limite. O de peso: o nosso ou o do prato. Em tese, avaliações médicas também. Mas confesso que o meu desprezo por elas ficou patente ao constatar que estou acima do peso, que passei do meu limite - só no mundo deles. Não, não estou acima do peso, na verdade, é justamente o contrário: preciso ganhar massa muscular - quase me derruba o vento. Se eu fosse uma pessoa com sério problemas de auto-estima, cheia de neuras, com algum distúrbio alimentar... Aí ia ser realmente interessante a minha reação: iria testar os limites da minha saúde - e de quebra, da minha sanidade.

Sou leniente demais com as limitações alheias e de menos com as minhas: sempre acho que aguento mais um pouco. O fato é que aguento, ultrapasso meus limites com uma facilidade dolorosa, mas a que preço? Vale a pena mesmo eu sempre ir além dos meus limites quando lido com pessoas? Não.

Cada vez mais tenho a sensação de que tenho potencial para ir muito além daquilo que penso a princípio. Ultrapassar meus limites. E isso me conforta e me motiva a ultrapassá-los, tanto aqueles que tenho mesmo quanto aqueles que impus (ou que impuseram) para mim.

Sim, tenho cuidado sempre com isso: separar os limites que me são inerentes, daqueles que me impus, daqueles que me impuseram  - e que desceram guela abaixo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sonhos envelhecem ou nos renovam?

Por que se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Clube da Esquina Nº2 - Lô Borges


Me aconteceram umas coisas bem chatas nos últimos dias, dessas que te desarrajam a vida - se assim  você permirtir. Bom, eu permiti, me permito essas coisas de vez em quando. O fato é que o tal acontecimento me fez rever alguns de meus planos - leia-se sonhos.

Eu acredito que a gente envelheça e que alguns sonhos envelheçam conosco. Não vejo envelhecer como algo ruim, vejo mais como crescer, como amarudecer e cair do pé, ir tocando a vida em frente com as novas experiências e vivência. E será que a gente pode mudar sem que os nosso sonhos mudem?

No passado, achava que os sonhos mais ligados à nossa essência, àquelas coisas que não mudam, permaneciam perenes e (semi-)intactos. Hoje, depois de tudo e um pouco mais, continuo achando isso. Me peguei pensando no meu sonho mais antigo, aquele dos primórdios, das minhas primeiras eras de formação, aquele mais inerente, visceral, estomacal, aquele do cerne, do âmago... Sim, aquele sonho... Já são dozes anos e ele permanece.

Outros sonhos a gente recicla. Não que fossem lixo, de modo algum, mas acabamos dando um jeito de adaptá-los aos momentos distintos, novos estilos de vida e diversas visões de mundo que adquirimos ao longo de nossas vidas.

Acho que, no fim das contas, as nossas prioridades mudam com a gente: o que me faz feliz aos quatro anos não é o que me faz feliz aos quarenta. E a felicidade anda de mãos dadas com os sonhos.

sábado, 16 de julho de 2011

Quem disse que a vida começa aos quarenta?

Tema: "Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta? A minha acabou faz tempo..."

Me disseram uma vez que depois dos vinte, a vida passava voando. E é a mais pura verdade. Mas eu fiz um acordo com o tempo: eu não corro atrás dele e ele não corre atrás de mim (tenho algo parecido rabiscado num caderno velho de versinhos). Então tenho vivido cada momento muito bem vivido.

Longe de achar que a vida começa aos quarenta, acho que ela começa quando a gente bate o pé e diz:

- Poxa, agora é pra valer.

Ser feliz é uma questão de escolha. Começar a viver também. Talvez isso esteja muito ligado ao que cada um de nós espera da vida e das pessoas. Mas tenho que admitir que a experiência de vida e a maturidade que (em tese) você tem aos 40 deve tornar as coisas mais simples e mais leve. Assim, deve ser mais fácil viver depois dos 40.

Então por que será que a gente às vezes tem essa sensação de que a vida acabou? Talvez justamente por não termos vivido o bastante para ver o que é problema de verdade e ter experiência para dar a cada coisa a devida importância ou porque só vemos o lado ruim das coisas e achamos (cedo demais!) que a vida acabou. 

Nem sempre é o fim do mundo. Muitas vezes, são só crises - que nada tem de meia idade. E parece que vivemos tanto quando, na verdade, vivemos pouco diante de todas as possibilidades por aí.