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sábado, 30 de julho de 2011

O que a perda me traz...

     Perder um brinco, uma chave, um amor, uma mãe. Perdas que para mim não poderiam estar em igualdade nunca, mas que para algumas pessoas, elas estão apenas onde deveriam estar, num coração para lá de frio e oco. Eu admiro pessoas que conseguem lidar perfeitamente com perdas e não se desestabilizam nunca. Só não sei até onde isso é uma qualidade ou se trata de alguém sem coração mesmo.

     Tudo bem que quanto mais você perde, mais “fácil” fica lidar com a situação, ou aceitá-la (teoricamente), porém, acho que essas perdas, quando já somos mais crescidos, nos afetam mais do que percebemos. Quando perdemos pessoas essenciais, por exemplo, tenho a sensação de que parte de nós vai junto com a presença da pessoa, talvez um pouco da alegria, do amor que somos capazes de sentir. O fato é que acho que não permanecemos os mesmos, por não querermos ser os mesmos, também.

     O importante, acho, é que mesmo com essa perda interior de cada um, nós consigamos preenchê-la (pensando no buraco deixado) com alegrias e amores novos para continuar a viver sem se transformar em alguém frio e extremamente racional. E no caso da lembrança e da saudade dos que foram, esses possuem, com certeza, um lugar especial em cada um de nós, que não pode ser invadido ou perdido nem por nós mesmos.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Achados e perdidos

Tema: Perda

Fui ao hortifruti com a minha mãe no sábado passado e estacionei o carro longe para variar - dirijo relativamente bem, mas estaciono deveras mal. No trajeto de volta entre o hortifruti e o carro, o saquinho das beterrabas estourou e elas foram caindo e rolando pelo caminho - felizmente não eram muitas e fui hábil o bastante para recolhê-las, mesmo carregando outros trilhões de sacola e, posteriormente, abrindo o porta-malas. E foi então que pensei: se João e Maria tivessem feito uma trilha de beterrabas, eles nunca teriam se perdido. Mas aí também não teriam tido história...

Perder tempo, a fome, cabelo, o chão, o jogo, o caminho, paciência, dente, a vergonha, a luta, chaves, ônibus, chances, virgindade, fôlego, dinheiro, entes queridos, peso... Há inúmeras coisas que a gente pode perder e acaba perdendo vez ou outra. Mas e quando a gente se perde? O Morrissey canta:

Everybody's lost
But they're pretending they're not

E acho que todo mundo se perde em algum momento da vida. Eu já me perdi  algumas vezes e achar o caminho de volta nem sempre é fácil - ao menos nunca foi para mim. Mas será que quando a gente se perde o ideal é achar o caminho de volta? A gente se perde quando perde alguém, seja porque faleceu  seja porque não nos quer mais - o fato é que foi embora. A gente se perde quando perde o emprego. A gente se perde quando perde as esperanças.

A gente se perde com as perdas de nossas vidas. Quando as coisas mudam e é preciso recomeçar. Mas recomeçar mesmo? Se perder pode ser bom porque - quando a gente não surta - acaba parando pra pensar: Onde diabos eu estou? E o que vou fazer agora?

Da última vez que me perdi, acho que nem com uma trilha de beterrabas parrudas eu acharia o caminho de volta, mas quem se perde precisa de tempo. Às vezes até de uns chacoalhões, mas essencialmente tempo. Quem se perde não fica necessariamente alheio, porque a vida continua - seja qual for o baque. Porque dá para aprender com a perda - e com o fato de estarmos perdidos e isso se faz, creio, lidando com o novo...

... ou não também. Conheço pessoas que parecem que sempre estarão perdidas: não sabe quem são, não sabe o que querem e não se preocupam com isso - nem são menos felizes por isso.

 Em vez de pensar que se perder é um problema e nas coisas que podemos perder, prefiro pensar naquelas que ninguém pode tirar de nós. E sim, elas existem e aos montes.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Perdi?!

Tema: Perdas

Talvez minha amizade com os mais velhos, que geralmente são bem mais sábios, tenha me ensinado que nada nessa vida me pertence, o que não me torna uma sábia como eles, porque eu tendo a acreditar que algo bom pode ser meu para sempre_ uma contradição, é verdade!

Contudo, posso dizer que coisas, aqueles objetinhos inanimados, não tomam minha afeição além da função prática que elas têm de fato, por isso, consigo substituí-las, ou viver sem numa boa;

Já as pessoas, essas realmente têm para mim um grau de importância maior, embora eu saiba que isso pode mudar de uma hora para outra, pois quem tem poder sobre os passos, pensamentos, sentimentos, ou vontades alheias?! Daí, entendo quando elas se vão, e ainda que as perceba caríssimas, isso é apenas registro de que são únicas, não de que são insubstituíveis. Então, eu sei que também consigo viver sem;

Mas, aquelas coisas de dentro, que fazem de nós quem somos, delas deveríamos ter o domínio absoluto, entretanto, muitas vezes, sei lá o que acontece, nós as perdemos, e se perceber sem sonho, esperança, fé, isso sim deixa vazio!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Perdi um pedaço meu


Tema: Perdas

Acho muito difícil falar sobre perdas. Perdemos todos os dias. Perdemos oportunidades, perdemos tempo, perdemos a paciência...e quer coisa mais chata do que perder?

Tenho pensado muito no que perdi desde o começo da minha adolescência até hoje. E o que mais me entristece não são as coisas exógenas a mim, e sim o que fazia parte da minha essência, que perdi. Não é triste quando perdemos parte da nossa inocência, por exemplo?

Quando somos mais novos acreditamos que todas as pessoas são boas, que promessas sempre são cumpridas, que “te amo” é para sempre, que confiar é fácil, que amizades são eternas, que pessoas que gostamos são imortais...

E conforme crescemos, dia a dia vamos perdendo um pouco disso tudo. Muitas vezes olho pra trás e tento buscar um pouco disso que perdi. Tento buscar a maneira como eu confiava no que as pessoas me diziam; era fácil, não acreditava que as pessoas pudessem simplesmente dizer uma coisa que muda a sua vida em um dia e mudar de opinião no dia seguinte, sem se importar com sentimentos. Também busco a visão que eu tinha do mundo, tão mais simples, tão melhor.

Acho que de todas as coisas que perdi de mim mesma, o que me faz mais falta é meu poder de confiar nas pessoas. Muitas vezes aceito o que me dizem, mas isso não quer dizer que eu confie. Um pé sempre permanece atrás.