Tema da semana: "Nunca, palavra bastante corajosa, mas quase nunca cumprida"
Um dia me disseram:
- Nunca diga que não beberá dessa água.
Eu não quis admitir na época, mas tinham razão. Gosto de coisas definitivas e adoro pontos finais. Sendo assim, a palavra "nunca" tem um sabor todo especial para mim. Só que nem tudo na vida é na base das coisas definitivas e dos pontos finais (aliás desconfio que a maioria não é)
- Nunca mais quero te ver.
Disse eu certa vez, dramaticamente - e voltei atrás. Foi embaraçoso admitir que não era simples como eu imaginava, mas antes isso do que perpetuar um "nunca" que deixou de fazer sentido. Porque, às vezes, naquele momento ele faz sentido, do mesmo modo que "te amo pra sempre" faz sentido num exato espaço de tempo, porque naquele exato momento era "pra sempre".
Já precisei e preciso, muitas vezes, dizer, bradar, gritar certos "nuncas" para que eu me mesma convença daquilo o que deveria ser real, mas não é - ou ainda para que eu me convença do que por ora pode ser verdade.
Verdade ou não hoje, talvez possa ser amanhã, mas não há garantias de nada. Tudo bem, posso lidar com isso e creio que temos uma necessidade de coisas infinitas, seja o "sempre" ou o "nunca", porque dão a sensação de conforto, de sabermos onde estamos pisando.
Não sei se o nunca é uma questão de coragem, acho que é mais uma questão de momento. E levá-lo a cabo pode ser até uma questão de covardia, caso a gente se recuse a ousar e mudar o que costumávamos ser ou pensar. Dar-se o direito de mudar de ideia e voltar atrás é ser flexível e aceitar que se pode pensar de um modo diferente.