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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Amar é nunca ter que pedir perdão"

Tema: "Te perdoo por pedires perdão por me amares demais, te perdoo" 

A frase-título do post é uma citação do drama best-seller "Love Story" (1970) do norte-americano Erich Segal.  Li quando tinha os meus treze, quatorze anos e, a despeito do alto grau de ingenuidade, desconfiei que tinha algo errado:

- Que diacho é essa associação entre amor e perdão?

Amar é ter que pedir perdão sim, senhor!

Quando fui ouvir essa música do Chico, alguns anos depois, a minha pergunta não mudou muita coisa:

- Que papo é esse de perdoar o outro por ele me pedir perdão?

Há alguém que me ama demais e pede perdão por isso. E perdôo essa pessoa. Ok. Por que amar demais seria um problema? Acho que o problema aqui não é amar demais, mas não saber amar direito. Ouço muito isso, que cada um ama à sua maneira, já que somos todos diferentes, mas tem coisas que eu já vivi e já vi acontecer e posso dizer:

- Isso não é amor.

Claro que cada um tem mesmo o seu jeito de expressar afeto, carinho e preocupação. Tem gente que nem mesmo expressa nada. E ama, do seu jeito. Será mesmo? Acredito que a maioria de nós não sabe amar direito e me incluo nesse "nós". Ainda estamos aprendendo.

O "amar demais" do qual fala o Chico, me parece algo prejudicial, nocivo, por isso pensei em alguém que não sabe amar: bate no parceiro, xinga todas as gerações, quebra coisas, faz intriga, dá show na rua, tem crises de ciúmees terríveis (sem qualquer razão), desconfia, maltrata, agride, sufoca... e assim vai. 

Isso não é amor. Pode ser qualquer coisa, mas não é amor. Do contrário, se aceitarmos que todas essas coisas são normais, vamos continuar justificando tudo:

- Fiz isso, mas foi por amor.

Aí eu entendo esse perdão pedido por alguém que me parece, na verdade, não saber amar. E entendo o perdão dado por aquele que pode até amar o outro, mas talvez não ame a si mesmo.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Não existe amar demais

Tema: "Te perdoo por pedires perdão por me amares demais, te perdoo" 


Não acredito nessa coisa de “pessoas que amam demais”. Acredito sim em pessoas que se amam de menos e também em pessoas que “são possessivas demais”, “inseguras demais”, “traumatizadas demais”.

Existem vários tipos de amor, e isso é uma coisa complicada de se lidar. O amor é tido como algo tão sublime e muitas vezes como algo homogêneo. Só existe um jeito de amar e quase sempre – o meu. As relações humanas são tão sensíveis e acredito que muito por isso, porque a gente quer que o outro nos ame da mesma forma e fôrma que a gente.  Quem ama faz o que eu faço, é o que a maioria pensa.

E não é assim, tem gente que ama deixando ir, tem gente que ama sufocando. Tem gente que ama como a Felícia amava, lembram? Quase matando e fazendo ir às lágrimas o objeto amado. Não confio em amores assim. Não se pode ser infantil nas relações, com aquela maldadezinha experimental que algumas crianças possuem, de querer ver o que acontece se elas fizerem tal coisa. Tem gente que gosta de experimentar o amor do outro, ver até que ponto o outro suporta, até quando a outra pessoa não diz nada. Gente que acha que para o amor existe medidor. Não existe.

Não acredito nesse amar demais que machuca, o amor não devia machucar, ele deveria cuidar, e pra mim sempre foi assim, o verdadeiro amor deixa ir (se isso for o melhor para a outra pessoa), deixa ser feliz. Não existe isso de amar demais, o amor pode transbordar que se for amor será coisa boa. Agora amar de menos é assim, é não amar o que a vontade do outro queria. O quanto a outra pessoa precisava para se sentir segura. É não amar o suficiente para que o outro descanse no aconchego que só o amor correspondido oferece. 

domingo, 3 de julho de 2011

Em defesa das expectativas

Tema da semana: expectativas.

Vou bancar o advogado do diabo, talvez. Sei que o tema é delicado, pra não dizer que é um saco, mas fala-se tanto na importância de não criar expectativas que faz sentido pensar se isso é realmente possível. Além disso, é interessante falar da moda de dizer “não espero nada de ninguém”, quando estamos cansados de saber que sempre esperamos algo das pessoas: que elas nos amem, que elas nos deixem em paz ou que elas se explodam.

Alguém aí poderia dizer que é coisa de mulherzinha, se eu concordasse com isso diria, em contrapartida, que se a mulher cria a expectativa isso se deve ao fato de que o homem a planta. Olha, estou cansada de ver homem desesperado tentando iludir a mulher, achando que se a pobre estiver com os pés no chão ele não vai conseguir aquilo que almeja. E nem estou discursando o comum “homem só pensa naquilo”, não é só por isso que homem planta expectativa, planta também para reforçar a própria auto estima, pra manter a geladeira cheia ou mesmo para praticar o já banalizado esporte de fazer mulher de trouxa.

Enfim, expectativas existem. Se elas fazem mal aos relacionamentos? Não sou perita em relacionamentos, mas diria que elas só fazem mal quando se tornam gigantescas, e que são vitais para os mesmos quando em doses razoáveis. Afinal, o que te levaria a perder tempo com alguém de quem você acha que não pode esperar nada? O único relacionamento sem expectativas que possuo é com os governantes, não espero nada deles, e por isso, a cada ano que passa, estou mais distante da política. Do resto, eu espero! Espero que minhas amigas sejam amigas, espero que minha família seja família, espero que as pessoas estejam dispostas a fazer nossas relações valerem a pena, e quando elas não fazem, dou um jeito de deixá-las para trás. Quanto aos homens, atualmente, deles só espero distância (mulher ressentida mode on).

Uma expectativa nunca é produção independente. Por exemplo, eu não posso ter expectativas com o Brad Pitt, afinal, por razões óbvias ele não pode me ajudar a cria-las. Pelo menos falando de gente normal, é raro encontrar alguém realmente surtado que, a partir do nada, comece a esperar das pessoas coisas que elas não  deram a entendender ou não se comprometeram a fazer. O comum é que um dos pais das expectativas não queira a filha, mas veja nela a única alternativa de conseguir uma terceira intenção; ou ainda que, ele até tenha planejado conceber a expectativa, mas, de repente na última hora, percebeu que não era aquilo que ele queria, providenciando então um aborto (sanguinário o bastante para traumatizar a outra parte). Geralmente, o pai assassino da expectativa tem uma série de discursos: “você criou expectativas demais”, “você não entendeu o que eu queria dizer” ou a clássica “não é você, sou eu”. São discursos óbvios, mas nunca sinceros, afinal, como dizer a verdade? “Eu agi sem pensar, com irresponsabilidade e agora a única coisa que posso fazer é sair correndo”. “Eu não ia fazer isso nunca na vida, mas como achei que te iludindo conseguiria atingir meus interesses, eu fingi”.

As expectativas são inocentes, os culpados são os pais delas, os dois pais! Um por tê-la fecundado sem real interesse em supri-la, e outro por ter escolhido um irresponsável como parceiro pra criar a expectativa.

Obs: publiquei esse texto há pouco menos de um ano, no No Lipstick. Preferi republicá-lo a escrever outro, por continuar tendo a mesma opinião a respeito. 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Bones: pessoas, ciência e investigação

Já fui viciada em muitas séries e sempre gostei de investigação - sonhava, aliás, em ser detetive quando criança. Mais crescidinha, esbarrei com o seriado Bones, uma mistura de investigação, complexas relações humanas, questões éticas, diálogos inteligentes, reflexões filosóficas e humor. Demorei um bocadinho para me acostumar aos cadáveres, afinal "Bones" é o apelido de uma antropóloga que ajuda na investigação de crimes usando sua especialidade: o conhecimento dos ossos humanos. Os roteiros são sempre afiados e os episódios são sempre interessantíssimos. Eu, pelo menos, adoro - e recomendo!