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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Uma certa francesa

É difícil escolher uma música de Chico, porque devo gostar de tudo - talvez até mesmo daquilo que não conheço. Mas a tarefa da semana era escolher uma música só. E assim foi feito.

Nos idos de 2007, cheguei a fazer um curso de francês na faculdade. Era um curso de noções básicas e a primeir aula foi dedicada à sensibilização dos alunos em relação ao idioma. Nossos professores, Melissa e Marcos, o fizeram por meio da deliciosa canção Joana Francesa:



Há uma versão com a Nara Leão, muito bela, mas gosto mais da dupla Chico e Fagner.

Joana Francesa foi feita para o filme homônimo de Cacá Diegues, de 1975, e conta a história de uma prostitua e um de seus casos de amor. Mas o que me interessa é a música: a melodia me sugere uma canção de ninar e a letra é recheada de jogos entre o português e o francês.

 Por vezes, me pego cantarolando essa música por aí. E ela é, sem dúvida, uma de minhas músicas preferidas do Chico.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Maravilha!

Preciso confessar que custei a pensar no que escrever hoje. Apesar de não ter postado na semana passada e de gostar muito das composições do Chico Buarque, parece que tive um bloqueio e não conseguia pensar em nada. O que mais gosto nele é da inteligência para falar de coisas tão sérias e difíceis de um jeito que, aos nossos ouvidos chegam leves e tão belas. Ele consegue transformar a realidade de um cotidiano duro em música, poesia. E assim ele vai nos amolecendo. Enfim, quem sou eu pra falar sobre uma personalidade dessas. Não estou aqui pra explicar as características de um cara tão cheio de personalidade, criatividade, inteligência, beleza, charme, etc... O fato é que ele é foda! 

Daí, entre tantas canções, que falam de amor, de política, da vida das pessoas e entre tantas composições que, mesmo tendo sido construídas em outras épocas que não fazem mais parte do nosso cotidiano, relatando temas que aparentemente não são mais presentes em nossa realidade, mas que ainda assim jamais perderão seu valor em qualquer geração, fica complicado escolher uma. E mais complicado ainda seria falar de toda uma obra com  tamanha complexidade. 


Por isso eu escolhi hoje uma canção que me parece mais leve, mais inocente e com a qual eu corro menos risco de errar. Essa canção se chama Jorge Maravilha e a história dela se parece um pouco comigo, porque minha mãe não gosta muito do meu namorado, embora eu seja louca por ele. E ele, assim como o Jorge não está nem aí. Diz a lenda que o refrão "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta" é uma ironia com o fato da filha do General Ernesto Geisel ser fã do Chico Buarque. Enfim, é uma música bacana pra se ouvir numa quinta-feira despretenciosa. E pra dar uma balançada...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Quem te viu, quem te vê




Essa é uma das minhas músicas preferidas do Chico. O trecho que eu mais gosto é “Eu não sei bem com certeza, porque foi que um belo dia, quem brincava de princesa acostumou na fantasia”. Acho que ele define bem o que a música fala. Pessoas que, de tanto fingirem ser outra coisa diferente do que realmente são, acabam acreditando na sua própria fantasia.

E é muito ruim quando você vê todo esse processo acontecendo. Você conhece a pessoa desde que nasceu, a vê crescer, brincam juntas, conhece seus medos, suas qualidades, sabe o que ela está pensando só de olhar pra sua cara, dividem todos os momentos. Mas, aos poucos, os caminhos vão se distanciando. E, quando olha novamente para aquele rosto conhecido, já não o reconhece.

No meu caso, parece mesmo que essa tal pessoa acostumou na fantasia, nas brincadeiras de criança, nos delírios de pequena. Infelizmente, não de uma boa maneira, pois quando é que achamos que nossas brincadeiras podem ser ruins? “São apenas brincadeiras”, pensamos. Até que se perde o limite entre a realidade e a brincadeira, entre o seguro e o perigoso, entre o certo e o errado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O nosso amor a gente inventa

Tema:  "E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você"


O limite do meu amor só eu conheço. Só você conhece o limite do seu. Não posso colocar em pratos iguais e querer usar para ambos a mesma medida. O meu amor é meu. O seu é seu. São diferentes, díspares, diversos e defeituosos por sermos diferentes, díspares, diversos e defeituosos. O difícil é fazer de ambos o nosso amor. Os pronomes possessivos requerem um tratamento delicado. 

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O outro lado

Tema:  "E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você"


Continuamos com o Chico, e essa música lembra um pouco as últimas que escrevemos, com a mulher desprezada pelo homem. Mas dessa vez resolvi olhar com outros olhos. Com os olhos deles.

As mulheres, normalmente, são mais intensas em seus sentimentos do que os homens; tão intensas que muitas vezes exageram. Sufocam o parceiro com suas necessidades, suas chantagens, sua carência. O homem, é claro, tenta fugir um pouco desse ambiente tão tenso, e é por isso que defendo que o homem deve ter suas distrações, como futebol e bar com os amigos. Nada mais saudável.

Os homens precisam disso, precisam de espaço, de “programas másculos”, para sair um pouco da rotina de comédia romântica e brigadeiro. Sei que toda regra tem sua exceção, mas a maioria das garotas deveria refletir se é mesmo o parceiro que a está desprezando ou se ele apenas não está vivendo em sua função, como ela gostaria.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Medida do Bonfim

Tem horas que a gente perde a fé. A fé nas pessoas, nos ideiais e de que tudo pode dar certo. Tem horas que a gente não acredita na lei da semeadura, há muitas pessoas espalhadas por aí colhendo um montão de coisas boas que outros plantaram. Tem horas que a gente não quer sonhos de um futuro bom. A gente só quer um quadro branco para poder desenhar.

De vez em quando é bom perder a fé, só olhar pra cima muitas vezes nos faz perder os próprios passos. Não se dar conta deles ou achar que quem os guia não somos nós. A esperança muitas vezes nos faz confabular sobre probabilidades, idealizações. Não, o hoje é agora. De vez em quando é bom perder a fé. A gente engole o choro e assume que ou se agarra a vida nos dentes ou se perde.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Meu, mas nem tanto.


Tema: "Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim, não me valeu, mas fico com o disco do Pixinguinha, sim! O resto é seu"



Em fim de relacionamento, há quem chore até as tampas, há quem fale mal de ex, há quem se silencie, há quem se jogue nas baladas, há quem devolva presentes, há quem reclame presentes, e até quem se apegue a coisas parecendo que lhe valem mais do que o ser outrora amado...

E se o caso é de apego a coisas, penso em algumas possíveis razões práticas:

  1. Coisa não fala, logo, não haverá frases rebatidas;
  2. Coisa não conta tempo, logo, não haverá reclamações caso seja deixada de canto por alguns instantes (ou muitos);
  3. Coisa pode ser levada facilmente debaixo do braço, na maioria das vezes.

Mas, a dúvida é: o ser humano que leva a coisa estaria apegado à coisa ou a história que a coisa “conta”?!


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A culpa não é minha.

Quando acontece uma traição em um relacionamento, a maior questão sempre será em torno de quem é o culpado(a) ou porque ela aconteceu.Talvez o erro inicial seja tentar responsabilizar alguém por um ato que não envolve nenhuma responsabilidade. E daí é muito fácil culpar o outro. Ou muito mais conveniente do que assumir uma culpa, seja ela qual for. 

Traição é uma coisa comum. Ruim, pra todas as partes, mas comum. Quem nunca foi traido ou já traiu? Estamos todos sujeitos a essa condição. Porque a traição faz parte das relações humanas. E esse ser humano é de uma complexidade capaz de bagunçar sentimentos, inverter conceitos, desafiar instintos. Enfim, acredito que existem várias situações diferentes pra tudo, porque não haveria também na traição? 

Me apego então a uma situação em que a traição surge como representação de um relacionamento (ou de um determinado momento desse relacionamento). Penso, então, que se tratamos de um relacionamento entre duas pessoas, as coisas que acontecem dentro dele não podem ser direcionadas a apenas uma das partes. Dentro de uma relação verdadeira, o que um faz sempre vai atingir o outro, portanto, existem imensas chances de ser também impulsionado pelo outro. A traição pode, dessa forma, ser a reação de uma pessoa diante de sua insatisfação ao outro ou ao relacionamento. Como acontece, por exemplo, com pessoas extremamente carentes, que simplesmente não se bastam com o que uma pessoa tenta oferecer. Em razão disso ela procura em outros braços a atenção que não encontra em apenas um par de braços. Acredito que esteja inserida aí uma boa dose de egoísmo, que junto com a carência acaba passando pra própria pessoa a idéia de que a culpa de suas ações é do outro, que não lhe dedica atenção necessária. Esse seria um caso. Com certeza existem outros mais. 

Porém, o problema da carência pessoal, inevitavelmente passa a ser um problema do casal, a partir do momento que essa pessoa se relaciona com outra. Aí é a hora de saber o que quer, o que pode oferecer e o que se está disponível a receber. Se você acha que o outro realmente não corresponde às suas expectativas e não lhe é suficiente o amor que ele tem pra você, porque não repensar o relacionamento com essa pessoa ou mesmo as suas expectativas diante de um relacionamento amoroso? Ou, se você acha que o outro exige de você coisas que não está disponível a oferecer, porque não deixar essa pessoa livre para encontrar o que ela realmente quer? Ou, quem sabe, avaliar melhor se você realmente está entregue a esse relacionamento?

Pessoas sensatas e maduras têm muitas chances de construir um relacionamento seguro, respeitoso e saudável. Essas pessoas geralmente sabem muito bem o que querem, até onde podem ir e o quanto estão dispostas a doar. Pena que o amor é uma coisa louca, que revira todos os nossos pensamentos, transforma certezas absolutas em dúvidas cruéis e longe de poder ser exato, não cabe em medidas ou proporções justas. O amor não precisa ter razão, muito menos culpa.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Não existe amar demais

Tema: "Te perdoo por pedires perdão por me amares demais, te perdoo" 


Não acredito nessa coisa de “pessoas que amam demais”. Acredito sim em pessoas que se amam de menos e também em pessoas que “são possessivas demais”, “inseguras demais”, “traumatizadas demais”.

Existem vários tipos de amor, e isso é uma coisa complicada de se lidar. O amor é tido como algo tão sublime e muitas vezes como algo homogêneo. Só existe um jeito de amar e quase sempre – o meu. As relações humanas são tão sensíveis e acredito que muito por isso, porque a gente quer que o outro nos ame da mesma forma e fôrma que a gente.  Quem ama faz o que eu faço, é o que a maioria pensa.

E não é assim, tem gente que ama deixando ir, tem gente que ama sufocando. Tem gente que ama como a Felícia amava, lembram? Quase matando e fazendo ir às lágrimas o objeto amado. Não confio em amores assim. Não se pode ser infantil nas relações, com aquela maldadezinha experimental que algumas crianças possuem, de querer ver o que acontece se elas fizerem tal coisa. Tem gente que gosta de experimentar o amor do outro, ver até que ponto o outro suporta, até quando a outra pessoa não diz nada. Gente que acha que para o amor existe medidor. Não existe.

Não acredito nesse amar demais que machuca, o amor não devia machucar, ele deveria cuidar, e pra mim sempre foi assim, o verdadeiro amor deixa ir (se isso for o melhor para a outra pessoa), deixa ser feliz. Não existe isso de amar demais, o amor pode transbordar que se for amor será coisa boa. Agora amar de menos é assim, é não amar o que a vontade do outro queria. O quanto a outra pessoa precisava para se sentir segura. É não amar o suficiente para que o outro descanse no aconchego que só o amor correspondido oferece. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sou tão bom, que te perdoo!


Não sei se vou conseguir me explicar direito neste texto, até por que, interpretar o Chico não é pra qualquer um, mas vamos lá!

Vocês já repararam em alguns casais em que o “macho alfa”, como diria a Dai, se comporta como se ele fizesse um favor à sua namorada de estar com ela, de deixar que ela o ame? Não sei se isso acontece só com alguns amigos meus ou se ando feminista demais, mas ao escutar a música Mil Perdões, são essas pessoas que me vêm à cabeça.

Talvez esses moleques – que é dessa maneira que merecem ser tratados, como crianças – tenham tido uma criação muito machista, como a maioria tem, ou sejam egocêntricos por natureza mesmo.

Esse tipo de menino vê na mulher submissa, com baixa auto-estima, insegura, sua chance de se dar bem. Ela sempre o vangloriará e ele continuará aprontando as suas, com a certeza de que no final, com seu jogo de palavras, quem acabará pedindo perdão é ela. E, depois de tudo, ela ainda agradecerá a "bondade" de seu namorado por perdoá-la. 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pout-Pourri de indicações

Eu fiquei pensando bastante em que música indicaria, e quase escolhi Atrás da Porta, do Chico, porque acho que retrata um sofrimento feminino, de perda, de rompimento, uma angústia absurdas. Mas ainda assim, indicar Chico me pareceu óbvio.

Daí eu estava lendo o texto da Mari e gostei tanto da história do Rick e do não desanimar que me lembrei de uma música do John Mayer que foi trilha do filme Antes de Partir e está no meu perfil aqui no Meninas Improváveis. A música é Say e parece tão fácil mas às vezes é difícil a gente fazer o que a música aconselha. Vejam:

                           

No entanto, eu não pude escolher o Mayer porque desde semana passada ouço apenas uma pessoa: Adele. Ela foi uma indicação e eu fiquei viciada (apesar que eu ouvia Rolling in the Deep nas rádios mas não sabia que era ela), ela tem uma voz muito bacana e a música dela é toda boa.

                             

Todavia, eu sou mega exagerada, e resolvi que não podia deixar de sugerir a KT Tunstall. Ouçam, a música é muito boa.