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domingo, 30 de outubro de 2011

Pros erros há perdão?


Tema da semana: Arrependimento, faz diferença?

Os erros podem ser perdoados, mas acredito que há uma premissa básica para que isso aconteça: o arrependimento.

E por mais que seja doloroso perdoar 490 vezes uma pessoa pelo mesmo erro, acho mais doloroso não ter como perdoar simplesmente porque a pessoa que errou não se arrependeu, não reconheceu o erro, não mudaria nada, mesmo dizendo que te ama e te vendo despedaçada.

Acho que o arrependimento é uma forma de tentar consertar. Ainda que o erro possa voltar a se repetir, ainda que as coisas não sejam realmente consertadas, ainda que a relação vá pro saco (seja um relacionamento amoroso, seja amizade, seja um laço familiar)...

Claro que é difícil saber quando o arrependimento é sincero... Em alguns casos, nem mesmo o arrependido sabe com certeza. São coisas complexas...  Mas das coisas que vivi, das pessoas que conheci, o que posso dizer é que facilmente me desencantei com as pessoas que nunca se arrependem. Então, para mim, sim, o arrependimento faz diferença, para deixar que algo sobreviva, nem que seja apenas uma pequena dose de consideração.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

"Amar é nunca ter que pedir perdão"

Tema: "Te perdoo por pedires perdão por me amares demais, te perdoo" 

A frase-título do post é uma citação do drama best-seller "Love Story" (1970) do norte-americano Erich Segal.  Li quando tinha os meus treze, quatorze anos e, a despeito do alto grau de ingenuidade, desconfiei que tinha algo errado:

- Que diacho é essa associação entre amor e perdão?

Amar é ter que pedir perdão sim, senhor!

Quando fui ouvir essa música do Chico, alguns anos depois, a minha pergunta não mudou muita coisa:

- Que papo é esse de perdoar o outro por ele me pedir perdão?

Há alguém que me ama demais e pede perdão por isso. E perdôo essa pessoa. Ok. Por que amar demais seria um problema? Acho que o problema aqui não é amar demais, mas não saber amar direito. Ouço muito isso, que cada um ama à sua maneira, já que somos todos diferentes, mas tem coisas que eu já vivi e já vi acontecer e posso dizer:

- Isso não é amor.

Claro que cada um tem mesmo o seu jeito de expressar afeto, carinho e preocupação. Tem gente que nem mesmo expressa nada. E ama, do seu jeito. Será mesmo? Acredito que a maioria de nós não sabe amar direito e me incluo nesse "nós". Ainda estamos aprendendo.

O "amar demais" do qual fala o Chico, me parece algo prejudicial, nocivo, por isso pensei em alguém que não sabe amar: bate no parceiro, xinga todas as gerações, quebra coisas, faz intriga, dá show na rua, tem crises de ciúmees terríveis (sem qualquer razão), desconfia, maltrata, agride, sufoca... e assim vai. 

Isso não é amor. Pode ser qualquer coisa, mas não é amor. Do contrário, se aceitarmos que todas essas coisas são normais, vamos continuar justificando tudo:

- Fiz isso, mas foi por amor.

Aí eu entendo esse perdão pedido por alguém que me parece, na verdade, não saber amar. E entendo o perdão dado por aquele que pode até amar o outro, mas talvez não ame a si mesmo.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A culpa não é minha.

Quando acontece uma traição em um relacionamento, a maior questão sempre será em torno de quem é o culpado(a) ou porque ela aconteceu.Talvez o erro inicial seja tentar responsabilizar alguém por um ato que não envolve nenhuma responsabilidade. E daí é muito fácil culpar o outro. Ou muito mais conveniente do que assumir uma culpa, seja ela qual for. 

Traição é uma coisa comum. Ruim, pra todas as partes, mas comum. Quem nunca foi traido ou já traiu? Estamos todos sujeitos a essa condição. Porque a traição faz parte das relações humanas. E esse ser humano é de uma complexidade capaz de bagunçar sentimentos, inverter conceitos, desafiar instintos. Enfim, acredito que existem várias situações diferentes pra tudo, porque não haveria também na traição? 

Me apego então a uma situação em que a traição surge como representação de um relacionamento (ou de um determinado momento desse relacionamento). Penso, então, que se tratamos de um relacionamento entre duas pessoas, as coisas que acontecem dentro dele não podem ser direcionadas a apenas uma das partes. Dentro de uma relação verdadeira, o que um faz sempre vai atingir o outro, portanto, existem imensas chances de ser também impulsionado pelo outro. A traição pode, dessa forma, ser a reação de uma pessoa diante de sua insatisfação ao outro ou ao relacionamento. Como acontece, por exemplo, com pessoas extremamente carentes, que simplesmente não se bastam com o que uma pessoa tenta oferecer. Em razão disso ela procura em outros braços a atenção que não encontra em apenas um par de braços. Acredito que esteja inserida aí uma boa dose de egoísmo, que junto com a carência acaba passando pra própria pessoa a idéia de que a culpa de suas ações é do outro, que não lhe dedica atenção necessária. Esse seria um caso. Com certeza existem outros mais. 

Porém, o problema da carência pessoal, inevitavelmente passa a ser um problema do casal, a partir do momento que essa pessoa se relaciona com outra. Aí é a hora de saber o que quer, o que pode oferecer e o que se está disponível a receber. Se você acha que o outro realmente não corresponde às suas expectativas e não lhe é suficiente o amor que ele tem pra você, porque não repensar o relacionamento com essa pessoa ou mesmo as suas expectativas diante de um relacionamento amoroso? Ou, se você acha que o outro exige de você coisas que não está disponível a oferecer, porque não deixar essa pessoa livre para encontrar o que ela realmente quer? Ou, quem sabe, avaliar melhor se você realmente está entregue a esse relacionamento?

Pessoas sensatas e maduras têm muitas chances de construir um relacionamento seguro, respeitoso e saudável. Essas pessoas geralmente sabem muito bem o que querem, até onde podem ir e o quanto estão dispostas a doar. Pena que o amor é uma coisa louca, que revira todos os nossos pensamentos, transforma certezas absolutas em dúvidas cruéis e longe de poder ser exato, não cabe em medidas ou proporções justas. O amor não precisa ter razão, muito menos culpa.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Não existe amar demais

Tema: "Te perdoo por pedires perdão por me amares demais, te perdoo" 


Não acredito nessa coisa de “pessoas que amam demais”. Acredito sim em pessoas que se amam de menos e também em pessoas que “são possessivas demais”, “inseguras demais”, “traumatizadas demais”.

Existem vários tipos de amor, e isso é uma coisa complicada de se lidar. O amor é tido como algo tão sublime e muitas vezes como algo homogêneo. Só existe um jeito de amar e quase sempre – o meu. As relações humanas são tão sensíveis e acredito que muito por isso, porque a gente quer que o outro nos ame da mesma forma e fôrma que a gente.  Quem ama faz o que eu faço, é o que a maioria pensa.

E não é assim, tem gente que ama deixando ir, tem gente que ama sufocando. Tem gente que ama como a Felícia amava, lembram? Quase matando e fazendo ir às lágrimas o objeto amado. Não confio em amores assim. Não se pode ser infantil nas relações, com aquela maldadezinha experimental que algumas crianças possuem, de querer ver o que acontece se elas fizerem tal coisa. Tem gente que gosta de experimentar o amor do outro, ver até que ponto o outro suporta, até quando a outra pessoa não diz nada. Gente que acha que para o amor existe medidor. Não existe.

Não acredito nesse amar demais que machuca, o amor não devia machucar, ele deveria cuidar, e pra mim sempre foi assim, o verdadeiro amor deixa ir (se isso for o melhor para a outra pessoa), deixa ser feliz. Não existe isso de amar demais, o amor pode transbordar que se for amor será coisa boa. Agora amar de menos é assim, é não amar o que a vontade do outro queria. O quanto a outra pessoa precisava para se sentir segura. É não amar o suficiente para que o outro descanse no aconchego que só o amor correspondido oferece. 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sou tão bom, que te perdoo!


Não sei se vou conseguir me explicar direito neste texto, até por que, interpretar o Chico não é pra qualquer um, mas vamos lá!

Vocês já repararam em alguns casais em que o “macho alfa”, como diria a Dai, se comporta como se ele fizesse um favor à sua namorada de estar com ela, de deixar que ela o ame? Não sei se isso acontece só com alguns amigos meus ou se ando feminista demais, mas ao escutar a música Mil Perdões, são essas pessoas que me vêm à cabeça.

Talvez esses moleques – que é dessa maneira que merecem ser tratados, como crianças – tenham tido uma criação muito machista, como a maioria tem, ou sejam egocêntricos por natureza mesmo.

Esse tipo de menino vê na mulher submissa, com baixa auto-estima, insegura, sua chance de se dar bem. Ela sempre o vangloriará e ele continuará aprontando as suas, com a certeza de que no final, com seu jogo de palavras, quem acabará pedindo perdão é ela. E, depois de tudo, ela ainda agradecerá a "bondade" de seu namorado por perdoá-la.