Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Trabalho. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de maio de 2012

workaholic


Tema: um vício só pra mim não basta. (Cazuza)


Despertador. Escova de dente. Banho gelado. Cafezinho. Trânsito. Notícias no rádio. Buzina. Relatórios. Reuniões. Cafezinho. Pesquisas. Planilhas. Almoço. Cafezinho. Relatórios. Reuniões. Cafezinho. Pesquisas. Planilhas. Cafezinho. Trânsito. Notícias no rádio. Buzina. Cansaço. Retrovisor. E os fios brancos que se prometia apagar a dias. 






quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vou depressa/Vou correndo/Vou na toda/Que só levo pouca gente

Tema: o que é sorte e onde encontrá-la

Levanta da cama depressa. Escova os dentes com uma mão enquanto mexe o leite com a outra. Veste a blusa e calça os sapatos ao mesmo tempo. Corre para o carro. O tempo de o portão elétrico levantar é uma eternidade. Pensa em ir lá e subi-lo manualmente, para ir mais rápido. Acelera, acelera e acelera o carro. 

Passa em todos os semáforos amarelos. Tem pressa. A vida não está para brincadeira. Enquanto ela dorme tem milhares de pessoas trabalhando, ganhando a vida, correndo atrás. Ela também tem que correr.

Bate os dedos no volante enquanto espera o semáforo abrir – o único que não conseguiu passar, mesmo no amarelo. Nervosa com a espera não repara o motorista do carro ao lado a olhando. Pesquisando. Curioso. A vida é uma tráfego e ela não pode engarrafar. Corre.

Sobe a escada do escritório em dois e dois degraus. Senta-se na mesa sem objetos, apenas o computador e um bloco de anotações e o telefone. Não gosta de badulaques, ela tem que otimizar o tempo e para isso sua mesa e tudo que precisa tem que ser prático.

Tinha terminado o namoro há 2 anos. Estava consumindo muito tempo. Ficara sozinha desde então, terrivelmente sozinha, aliás. Achava que ninguém olhava pra ela, mas a verdade é que ela não olhava para os outros. Como perceber os olhos dos outros se você nunca olha para os olhos de ninguém?

A vida para ela não sorria. Escorria feito a areia de uma ampulheta. Não se importava, apesar de tudo. Para que perder tempo pensando em coisas tolas como essa? Tinha que pensar em como aproveitar mais seu tempo, melhorias para sua carreira. “Deus ajuda quem cedo madruga”, mas se Deus não existisse pouco importava, nunca contou com a sorte. Para ela quem podia controlar sua vida era apenas era – mais ninguém.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Do trabalho

Me perguntaram por esses dias:

- Você pensa em parar de trabalhar?

Fiquei sem entender e como se não tivesse ouvido direito:

- Como assim? O que você quer dizer com "parar de trabalhar"?

- Ah, quando você casar...

- Nunca.

Parar de trabalhar é uma coisa que nunca me passou pela cabeça. Muito menos parar de trabalhar por causa de casamento. Principalmente quando casamento não é exatamente uma prioridade.

O fato é que eu ouço todo dia gente dizendo para eu desistir da minha carreira. Que as coisas estão difíceis, estão para todo mundo. E eu sabia que a minha área - educação - não era um mar de rosas. E não me initmidam as coisas que tenho sentido, ouvido, visto.

Gosto do que faço. E mesmo se não gostasse... O que as pessoas têm com isso? Estou dizendo isso porque acho um desperdício terrível as pessoas que - por não gostarem do que fazem - desempenham suas funções mal e porcamente. 

Todo mundo diz que você tem que gostar daquilo o que faz. Mas nem sempre é possível. E mesmo quando a gente faz o que gosta, haverá momentos em que tudo vai parecer péssimo e a vontade será a de sair correndo. E nem assim a gente sai, porque o compromisso com nosso trabalho é maior. Ou não?

Somos definidos muito mais por aquilo o que fazemos do que por aquilo o que dizemos. E o modo como exercemos a função que desempenhamos na sociedade - de varrer as ruas da cidade à construir prédios - tem a ver com o que somos e como encaramos a vida e nossas responsabilidades.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mas você trabalha com o que?

É mais ou menos assim:

- Seu namorado faz o que? 
- Ele é músico.
- Ah, que legal! Mas ele trabalha com o que?
- Ele é músico. Toca contra-baixo em uma dupla sertaneja, uma banda de samba-rock e outra de MPB. E é sócio de uma escola de música, onde também dá aulas de baixo e musicalização. 

É difícil entender que em um país como esse, tão famoso por diversas manifestações artísticas, tão rico de cultura, as pessoas ainda não consigam enxergar a arte como uma profissão. O diálogo que reproduzi acima é constante em conversas com todos os tipos de pessoas. Nunca conseguem pensar que a música é uma profissão. Meu namorado é músico. É esse o trabalho dele. E ele não toca só nos fins de semana. Ele toca mais ou menos umas 16 horas por dia. Se não estiver tocando, está falando de acordes, de cifras, de arranjos, etc. Ele toca em três bandas. Tem ensaio 4 vezes por semana. E antes de ensaiar, ele precisa aprender a tocar as músicas. E no ensaio, pra uma música ficar no ponto, tem que ser passada diversas vezes. 

No último feriado, houve o show de lançamento de sua banda de samba-rock, a Soul do Bem. Ele passou todos os dias ensaiando. Quase não aproveitamos. Ele não descansou nada. No sábado de aleluia, ele foi passar o som e ficou a tarde toda no local do evento. O show foi à noite. Um sucesso! E no domingo de páscoa ele descansou? Não! Foi ajudar seus 2 sócios a terminarem a mudança da escola de música deles, que ganhou uma sede maior. Isso sem falar nos shows do carnaval... Teve dia em que ele fez três shows. 

E tem gente que acha que músico é vagabundo. Ainda tem a coragem de me perguntar com o que ele trabalha, quando digo que ele é músico. Gente, ele é músico. E trabalha muito, sim!

É uma pena que as pessoas só valorizem artistas que dão as caras na TV. Se esquecem que cada um desses caras que estão com as músicas estourando na rádio, algum dia já tocaram em palco gaiola em festa de prefeitura ou de Igreja. E nem por isso desistiram. E nem por isso trabalharam menos. 

Meu namorado é músico. E eu tenho muito orgulho disso!