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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Easy for you to say


"In time or so I'm told
I'm just another soul for sale, oh well
The page is out of print
We are not permanent, we're temporary, temporary
Same old story"


E essa temporalidade jamais entendida? Eu acho realmente a vida um cansaço na maior parte do tempo. Se não bastasse o próprio modelo de organização que já torna as coisas chatas, ainda inventaram as etiquetas, as regras e o certo-unânime.

E não tem como fugir, a contra-cultura é uma lenda, entenda bem, quando você tenta ser diferente, quando você tenta não ser tão conscientemente um marionete, te rotulam mesmo assim, te impõem uma fragilidade: "deixa ele, deixa ele achar que não é manipulado" dizem os cinzas com seus uniformes e maletas.

Coisa chata pra cacete. 

E veja: não é possível mais a espontaneamente. Não interessa mais o que se faça, tudo será interpretado pela fresta da impossibilidade de vida: "fulana? parece que não se importa, fala que não se importa, demonstra que não se importa mas no FUNDO no FUNDO, é claro que ela é igual a todas as outras pessoas - NÃO É POSSÍVEL ela não se importar".

Porque acham que não dá pra ser diferente. Mas dá. E as pessoas são, mesmo que no escuro, na madrugada, entre quatro paredes, escondidas, na internet em chats obscuros - mas são.

Essa receita pronta de dizer que está tudo bem. De me dizerem que está tudo bem. Mas não está porque meu orgulho anda sendo roubando a medida que me rendo mais e mais.

Eu quero é o caos.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vou depressa/Vou correndo/Vou na toda/Que só levo pouca gente

Tema: o que é sorte e onde encontrá-la

Levanta da cama depressa. Escova os dentes com uma mão enquanto mexe o leite com a outra. Veste a blusa e calça os sapatos ao mesmo tempo. Corre para o carro. O tempo de o portão elétrico levantar é uma eternidade. Pensa em ir lá e subi-lo manualmente, para ir mais rápido. Acelera, acelera e acelera o carro. 

Passa em todos os semáforos amarelos. Tem pressa. A vida não está para brincadeira. Enquanto ela dorme tem milhares de pessoas trabalhando, ganhando a vida, correndo atrás. Ela também tem que correr.

Bate os dedos no volante enquanto espera o semáforo abrir – o único que não conseguiu passar, mesmo no amarelo. Nervosa com a espera não repara o motorista do carro ao lado a olhando. Pesquisando. Curioso. A vida é uma tráfego e ela não pode engarrafar. Corre.

Sobe a escada do escritório em dois e dois degraus. Senta-se na mesa sem objetos, apenas o computador e um bloco de anotações e o telefone. Não gosta de badulaques, ela tem que otimizar o tempo e para isso sua mesa e tudo que precisa tem que ser prático.

Tinha terminado o namoro há 2 anos. Estava consumindo muito tempo. Ficara sozinha desde então, terrivelmente sozinha, aliás. Achava que ninguém olhava pra ela, mas a verdade é que ela não olhava para os outros. Como perceber os olhos dos outros se você nunca olha para os olhos de ninguém?

A vida para ela não sorria. Escorria feito a areia de uma ampulheta. Não se importava, apesar de tudo. Para que perder tempo pensando em coisas tolas como essa? Tinha que pensar em como aproveitar mais seu tempo, melhorias para sua carreira. “Deus ajuda quem cedo madruga”, mas se Deus não existisse pouco importava, nunca contou com a sorte. Para ela quem podia controlar sua vida era apenas era – mais ninguém.