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sábado, 18 de junho de 2011

Eu preciso de um computador!

     Tema: “A sociedade consumista favorece a corrupção”.
Gherardo Colombo

      Sim, um que enriqueça meus momentos de espera.
     Eu fico praticamente o dia inteiro fora de casa e quando fico à toa, ou a situação me obriga a ficar à toa, não dá para fazer muita coisa. Esse semestre mesmo, tive vários textos da faculdade só digitalizados e por não ter um notebook ao meu lado, eu tinha que ler em momentos alternativos nada agradáveis. Mas, será que mesmo tendo a plena certeza da necessidade desse aparelho ele é insubstituível? Ou estou sendo influenciada a pensar que preciso tanto assim dele? “Afinal, todas as pessoas ao meu redor têm um, e a vida delas é bem mais fácil por causa disso”. Será? Será que eu já não estou tão seduzida por essa ideologia consumista que já não consigo diferenciar e é bem mais fácil aceitar? Ou pior, será que essa opção me cabe?

     Pesando assim, eu temo pelas pessoas que já estão no nível dos consumistas a todo custo-nível 10, tipo “preciso-de-qualquer-jeito-desse-novo-ipad-para-fazer-parte-desse-mundo”!

     Eu acredito sim, que nossa sociedade consumista favorece a corrupção, no sentido de ser inaceitável você ter um carro com mais de dois anos de uso, um absurdo, inadequado, no mínimo. Inspirando, por conseguinte, desde os piores de caráter até os que acreditavam possuir uma índole invejável, a dar uma escorregadela volátil, que é logo esquecida ficando mais fácil na segunda, terceira, quarta vez que acontecer e, assim, se tornar um hábito.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Os fins justificam os meios"?

Tema: “A sociedade consumista favorece a corrupção”. 
Gherardo Colombo
Se Maquiavel estava certo, eu não sei. E também não sei se ele foi bem interpretado. Mas sem dúvida, essa máxima cai muito bem hoje. E pode servir de desculpa pra muita gente que está mais preocupada com o que vai ganhar no final das contas do que com qualquer outra coisa. Se é pra comprar um carro novo, por que não aceitar uma graninha extra de um esqueminha simples, "limpo", que envolve apenas uma verba que seria destinada a algum hospital de uma cidadezinha do interior que ninguém sabe que existe? Ou, porque não fraudar uma licitação pra poder embolsar um trocado a mais?

Mas isso não é agora, que o consumo virou essa coisa doida que bagunça a vida de todo mundo. Não é porque as Casas Bahia estão vendendo tudo em 10 vezes sem juros, todas as redes de loja te dão um cartão de crédito pra você se encher de dívida comprar à vontade e os juros mais baixos estão facilitando o financiamento de veículos novos. É claro que o consumo nos faz querer coisas que não precisamos. Existe todo um sistema capaz de fazer com que nossa vida seja em função de ter. Comprar cada vez mais. Os produtos, de todos os segmentos - vestuário, informática, decoração, eletrônicos, eletrodomésticos, móveis, cosméticos, etc, se multiplicam nas vitrines das lojas e enchem nossos olhos. Mas não acho que esse fenômeno social possa ser mais forte que uma coisa que já existe há bem mais tempo: falta de caráter.

E pra mim, a falta de caráter é o que favorece a corrupção. Existe a forma honesta de conseguir tudo o que esse mundo consumista nos oferece e que, inevitével e infelizmente, estamos cada vez mais tentados a ter. Mas se por algum motivo você escolhe a forma desonesta, não é culpa da sociedade consumista e todas as suas "armações" pra te seduzir. É culpa da sua falta de caráter!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Consumo, logo sou feliz

Tema: “A sociedade consumista favorece a corrupção”. 
Gherardo Colombo*


"A filosofia do contente é uma armadilha de consumo. A existência tem amplitude que inclue: medos, perdas, dores."  Contardo Calligaris

Querer dar o que você nunca teve ao seu filho não vai resolver o problema. Às vezes tenho vontade de soprar esse grande segredo no ouvido de muitos pais que vejo por aí. Trabalham até a exaustão para tentar suprir, entre outras coisas, a falta deles na vida dos filhos que, em grande parte, é causada pelo trabalho.  Um círculo vicioso, não?

Dizem que a classe média aumentou muitíssimo. Um fator para esta medição são os bens que a pessoa possui. Acredito mesmo que hoje as pessoas têm mais coisas, mas acredito também que elas têm muito mais carnês, boletos e faturas. As pessoas estão endividadas. Muitas não conseguem mais usar o dinheiro. Recebem e pagam a fatura do cartão e depois começam a usar o cartão novamente. Passam de mês em mês o limite para frente.

A corda no pescoço é motivada pelo conforto. Tudo em nome do conforto. De um tal bem-estar que não se sabe dizer direitinho o que é – ou não é. Mas qual o limite? O que é conforto e o que é superficialidade? O que é na medida e o que é excesso?

Andamos correndo demais e a maneira de tampar a falta que as relações fazem, o tempo que tínhamos que gastar com a gente, tudo isso faz com que a gente busque a felicidade em outro lugar: atrás de balcões.


A tristeza faz parte da vida e não é tentando comprar a felicidade em frascos que resolveremos o problema. Viver em busca de coisas acaba coisificando o homem.



*fugi ao tema apesar de ficar no assunto  :P