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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Não pode não


Tudo o que é proibido é mais gostoso. Passei a adolescência ouvindo isso dos amigos. Só ouvindo mesmo, porque sempre fui muito na minha - o que não me impediu de matutar sobre o assunto.

É emoção do risco, da possibilidade de ser pêgo, descoberto. Adrenalina pulsante e intensa. O que é ilegal ou imoral acaba nos pondo em estado de alerta. Ou será o prazer transgressor e subversivo e fugir às regras? Regras são feitas para serem quebradas. Acho importante saber obedecer e desobedecer também, seguir a regra, mas sei deixar de questionar a autoridade. Ser vaquinha de presépio é complicado (citação natalina). 

Quanto ao que engorda, há explicações científicas para o fato de alimentos calóricos serem mais interessantes para nosso organismo. Mas acho que essa coisa do prazer proporcionado pelo que é ilegal, imoral ou que engorda é muito cultural também: aquilo o que a mídia, as tribos e a sociedade dizem que é bom e vale o risco - seja o de ser preso, ficar mal visto ou simplesmente engordar.

Talvez tudo o que é bom seja ilegal, imoral ou engorde mesmo - o que não significa que o que não seja ilegal, imoral ou que engorde seja necessariamente ruim.

sábado, 4 de junho de 2011

Antes de começar esse post, oremos...

Tema: Esportes/Exercícios/Bem-estar

 
Pão nosso que estais no forno,
santificado seja o vosso cheiro,
vem a nós no nosso prato,
com muita manteiga a minha vontade
assim no filão como na baguete.

O filé nosso de cada dia nos daí hoje,
perdoai-nos quando comermos pouco,
assim como nós perdoamos
a quem nos nega comida,
por favor, nos deixei cair em tentação
mas livrai-nos dos vegetais.

Amém.

     Não tenho nenhuma dúvida que uma das coisas mais gostosas nesse mundo é saborear um bom prato de comida. Eu adoro comer, sou conhecida por lembrar dos lugares que visito à partir daquilo que comi.
- Como estava o evento em São Paulo o ano passado.
- A comida estava ótima, serviram um assado acompanhado de um arroz com queijo, MARA !!!
     Assim, não fica difícil imaginar que já tive meus dias com mais kilos do que minha altura me permite. Além disso, tudo se agrava, visto que, eu tenho um parâmetro, uma irmã gêmea, idêntica e que exceto por uma vez, ela sempre foi mais magra que eu. Logo, sempre somos alvos de comparação e eu, por consequência, sou a que mais ouve.
- Vocês são gêmeas ? Ah, mais tem uma diferença.
- A pinta, neh?! Eu penso.
- A Larissa é mais magrinha, né ?
     Portanto, eu também sei o que é ser alvo de olhos de julgamento. Mas, por que cargas d’água eu tenho que ter o mesmo peso da minha irmã ? Ok, somos gêmeas, porém, isso não quer dizer que eu tenha que ligar para ela toda hora que eu for comer, para perguntar se ela está comendo o mesmo que eu.
     Confesso que já foi bem difícil conviver com isso, pois até entre a família isso acontece, mas já me acostumei, pois sei que eles não vão mudar e, por outro lado, eu mudei, simplesmente não ligo mais, somente me preocupo com o meu peso, quando isso ME incomoda e não porque minha irmã continua usando 38 e eu não, hehe.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Tira o olho do meu prato!

Me alimento relativamente bem, mas morro de preguiça de fazer exercícios. Entretanto, sempre topo uma boa caminhada (amo caminhar!) e comecei até a fazer minhas almejadas aulas de dança - que ficaram para mais tarde quando tive que começar a trabalhar à noite. Mas espero retomá-las em breve.

Acho que equilíbrio é a chave quando estamos falando de uma vida saudável. Eu durmo pouco, carrego peso e não faço atividades físicas, então talvez não seja o melhor exemplo de vida saudável. Mas eu vou falar do que eu sei, do que tenho visto e sentido.

Estive a um passo de me tornar anoréxica - por mais de uma vez -, mesmo sempre tendo sido magra. Depois tomei jeito e passei a comer o que me dá vontade. E o que me assusta cada vez mais é como os outros se incomodam com o meu peso quando eu mesma não me importo.

Ultimamente, tenho ouvido muitas colegas de trabalho dizendo:

- Eu já fui magra como você, olha como eu tô agora?

- Um dia vai chegar a sua vez!

- Deixa você passar dos quarenta...

As pessoas ficam de olho no meu prato, naquilo o que como. Isso realmente incomoda os outros. Não devia, né? Fico sempre na minha, olho e dou um sorriso amarelo - mas me sinto completamente intimidada. Meu tipo físico é pequeno, sou baixinha e miúda mesmo. Talvez engorde mesmo com o passar do tempo, mas por ora meu metabolismo dá conta. E isso é da conta de alguém? Até evito comer na frente de certas pessoas. Já vi como me olham e não gostei. Gostar-se tem muito mais a ver com o que você tem dentro de si do que fora. E tenho pena de quem acha que beleza é ser o que se vê na capa da Nova, Playboy e Cláudia. Beleza não é isso não. Beleza é outra coisa, assunto para outro post.

Não é problema meu se as pessoas não se auto-aceitam e não se gostam. Gosto de mim, mesmo com as imperfeições comuns em qualquer mulher, imperfeições essas das quais não escapo. E, mesmo sendo magra, não é fácil comprar roupas para mim. Aliás, se é difícil para gordinhas e magrinhas comprarem roupa, eu me pergunto para quem as confecções estão fabricando roupa.

Em seu post, a Dai comentou que as pessoas falam que querem perder peso por saúde, mas o fazem na verdade por estética. Acho que isso é a mais pura verdade, salvo algumas exceções. Conheço gordinhas lindas que se aceitam numa boa, sem neuras. Quem põe neura são os outros. Os mesmos que controlam o meu prato e quando gasto no restaurante de comida por quilo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Manifesto da Gordura*

Tema: Esportes/Exercícios/Bem-estar

Não, não me fale de exercícios. Não me fale de verduras, legumes e frutas. Abaixo toda restrição calórica. Viva as massas, os sorvetes e doces. Prefiro as frituras: uma porção de bolinha de queijo frita, por favor. Viva o exagero e a falta de controle. Viva o sedentarismo, o controle remoto e a plataforma vibratória. Deus abençoe os donos das lojas EXGG. Deem passe livre à gordura e à celulite. Perdoem as estrias. Liberem a falta de fôlego que eu quero mais um petit gateau.

Meu filme preferido é A fábrica de Chocolate. Sinto-me a personagem principal do filme O Amor é Cego. Esqueçam-me por hoje que quero nadar numa piscina de marshmallow.

Destruam as academias e os professores da aula de axé. Rasguem todos os jumps. Joguem na fogueira quem inventou a caminhada na pracinha e elejam rei a quem inventou a pipoca com manteiga. Um milhão de dólares aos homens que preferem as “cheiinhas”.

Não me fale em saúde, nem em triglicérides, colesterol e diabetes. Não mencione a redução de estômago nem cirurgia do intestino.  Abandonem a esteticista e o cirurgião plástico. Deixem-me quieta que eu quero curtir meu sobrepeso.




*manifesto caloroso sobre a chatice que atualmente se instaurou na sociedade. As pessoas falam em emagrecer pela saúde, mas o que motiva a maioria é a estética. Lembro-me um episódio do seriado House em que a paciente era uma ex-gorda que ensinava outros a emagrecerem e dizia que era pela saúde, mas quando ela ficou doente e a solução era tomar algo que a engordaria novamente, ela preferiu ficar doente. A obesidade é um problema de saúde pública, mas é também um problema de saúde mental – do gordo e dos outros.

Assinado: uma gordinha