sexta-feira, 3 de junho de 2011

Tira o olho do meu prato!

Me alimento relativamente bem, mas morro de preguiça de fazer exercícios. Entretanto, sempre topo uma boa caminhada (amo caminhar!) e comecei até a fazer minhas almejadas aulas de dança - que ficaram para mais tarde quando tive que começar a trabalhar à noite. Mas espero retomá-las em breve.

Acho que equilíbrio é a chave quando estamos falando de uma vida saudável. Eu durmo pouco, carrego peso e não faço atividades físicas, então talvez não seja o melhor exemplo de vida saudável. Mas eu vou falar do que eu sei, do que tenho visto e sentido.

Estive a um passo de me tornar anoréxica - por mais de uma vez -, mesmo sempre tendo sido magra. Depois tomei jeito e passei a comer o que me dá vontade. E o que me assusta cada vez mais é como os outros se incomodam com o meu peso quando eu mesma não me importo.

Ultimamente, tenho ouvido muitas colegas de trabalho dizendo:

- Eu já fui magra como você, olha como eu tô agora?

- Um dia vai chegar a sua vez!

- Deixa você passar dos quarenta...

As pessoas ficam de olho no meu prato, naquilo o que como. Isso realmente incomoda os outros. Não devia, né? Fico sempre na minha, olho e dou um sorriso amarelo - mas me sinto completamente intimidada. Meu tipo físico é pequeno, sou baixinha e miúda mesmo. Talvez engorde mesmo com o passar do tempo, mas por ora meu metabolismo dá conta. E isso é da conta de alguém? Até evito comer na frente de certas pessoas. Já vi como me olham e não gostei. Gostar-se tem muito mais a ver com o que você tem dentro de si do que fora. E tenho pena de quem acha que beleza é ser o que se vê na capa da Nova, Playboy e Cláudia. Beleza não é isso não. Beleza é outra coisa, assunto para outro post.

Não é problema meu se as pessoas não se auto-aceitam e não se gostam. Gosto de mim, mesmo com as imperfeições comuns em qualquer mulher, imperfeições essas das quais não escapo. E, mesmo sendo magra, não é fácil comprar roupas para mim. Aliás, se é difícil para gordinhas e magrinhas comprarem roupa, eu me pergunto para quem as confecções estão fabricando roupa.

Em seu post, a Dai comentou que as pessoas falam que querem perder peso por saúde, mas o fazem na verdade por estética. Acho que isso é a mais pura verdade, salvo algumas exceções. Conheço gordinhas lindas que se aceitam numa boa, sem neuras. Quem põe neura são os outros. Os mesmos que controlam o meu prato e quando gasto no restaurante de comida por quilo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Eu e a Solange Frazão

Tema: Esportes/Exercícios/Bem-estar

Quando eu tinha meus 16, 17 anos, via a Solange Frazão, com aquele corpo escultural dando aulinhas de ginástica localizada num desses programas de mulherzinha que passam de manhã na TV. Pegava cadeira, cabo de vassoura, vestia minha calça de ginástica que só servia como pijama e ficava lá fazendo abdominais, agachamentos para fortalecer a musculatura da coxa e, olhando aquele corpo sonhava em transformar minha bunda de gelatina em pura massa muscular. Mas logo chegava a hora do almoço e vinha a batata frita, o macarrão com calabresa, e, o que é pior: a Coca-Cola. E a Solange Frazão avisava: "já tomaram o café da manhã? não se esqueçam de incluir iogurte e frutas nessa refeição que é a mais importante do dia e lembrem-se: bebam bastante água!" Ah, se ela me visse enchendo o pão de manteiga! O tempo passou e até hoje eu acho que ela está de parabéns! Embora eu não siga todas as suas recomendações.

Minhas tentativas sempre foram muitas. Frequentei uma academia que era exclusiva para mulheres e quando a professora, no meio da aula de localizada, naquele exercício em que você fica de quatro, falava: "vamos meninas, só mais 20, o bumbum merece!" eu achava o máximo, mas pensava: o bumbum eu sei que merece, mas será que eu mereço? É, acho que mereço. Mereço fazer atividade física e ver meu corpo se redesenhando, minha disposição aumentando e até meu humor melhor. Adoro praticar exercícios. Tenho uma certa preguiça até chegar na academia, mas depois que estou lá consigo curtir as aulas e sair de lá mais feliz. 

Mas aquela ilusão toda, de querer ser a Solange Frazão quando eu crescer foi-se embora, como tantas que vão desaparecendo quando a gente começa a crescer e encarar a vida de verdade. Hoje eu tenho consciência de que ter um corpo perfeito, de capa de revista não é pra mim. Não tenho disponibilidade pra isso. Teria que ter uma disciplina que acho que nunca existirá em mim, gostar de comer coisas que infelizmente não fazem parte do meu cardápio e abandonar o prazer de comer que, pra mim é bem maior que o prazer de correr na esteira. 

Hoje, consigo aceitar meu corpo, meu biotipo e valorizar minha beleza. Pratico exercícios porque me fazem bem e é preciso controlar um pouquinho, pra não acabar engordando demais, já que eu como muito mesmo  e não estou disposta a dispensar o prazer da gula.  Acho que ser saudável é saber o que te faz bem. Cada um deveria ser feliz com o corpo que tem, sem se preocupar tanto com as capas de revistas. Adimiro quem faz dieta, malha e consegue ser feliz assim. Mas morro de preguiça de pessoas que se tornam neuróticas e deixam de aproveitar tantos outros prazeres da vida em busca de um corpo perfeito.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Manifesto da Gordura*

Tema: Esportes/Exercícios/Bem-estar

Não, não me fale de exercícios. Não me fale de verduras, legumes e frutas. Abaixo toda restrição calórica. Viva as massas, os sorvetes e doces. Prefiro as frituras: uma porção de bolinha de queijo frita, por favor. Viva o exagero e a falta de controle. Viva o sedentarismo, o controle remoto e a plataforma vibratória. Deus abençoe os donos das lojas EXGG. Deem passe livre à gordura e à celulite. Perdoem as estrias. Liberem a falta de fôlego que eu quero mais um petit gateau.

Meu filme preferido é A fábrica de Chocolate. Sinto-me a personagem principal do filme O Amor é Cego. Esqueçam-me por hoje que quero nadar numa piscina de marshmallow.

Destruam as academias e os professores da aula de axé. Rasguem todos os jumps. Joguem na fogueira quem inventou a caminhada na pracinha e elejam rei a quem inventou a pipoca com manteiga. Um milhão de dólares aos homens que preferem as “cheiinhas”.

Não me fale em saúde, nem em triglicérides, colesterol e diabetes. Não mencione a redução de estômago nem cirurgia do intestino.  Abandonem a esteticista e o cirurgião plástico. Deixem-me quieta que eu quero curtir meu sobrepeso.




*manifesto caloroso sobre a chatice que atualmente se instaurou na sociedade. As pessoas falam em emagrecer pela saúde, mas o que motiva a maioria é a estética. Lembro-me um episódio do seriado House em que a paciente era uma ex-gorda que ensinava outros a emagrecerem e dizia que era pela saúde, mas quando ela ficou doente e a solução era tomar algo que a engordaria novamente, ela preferiu ficar doente. A obesidade é um problema de saúde pública, mas é também um problema de saúde mental – do gordo e dos outros.

Assinado: uma gordinha