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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Parece mas não é

Tema da semana: Perto e distante, Tiê


Mesmo que às vezes seja chato parecer ser o que não é, gosto de brincar com esses rótulos. Tem coisas na gente que qualquer um é capaz de reconhecer, não importa se de perto, ou distante.

- Você é tão meiguinha!

Mas talvez pouca gente ou quase nenhuma consiga se aproximar a ponto de enxergar além. Pouca gente é capaz de entender de nós, aquilo que passa despercebido a nós mesmos. E algumas outras poucas sabem muito bem quando estamos usando um disfarce.

- Você não é mal-humorada!

O engraçado é quando alguém consegue acertar logo aquela máscara que você usa só de vez em quando e com bastante delicadeza, pra que tudo - até mesmo você - se torne invisível. Surpreender-se com descobertas a nosso respeito pode ser bom. Eu gosto das pessoas que conseguem me ver de longe e me enxergar de perto. Mas eu adoro fazer com que imaginem que estão diante de uma miragem.






quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Rótulo diz alguma coisa


“Quem garante
Que o que você é
É o que o outro enxerga?

E qual a nossa parcela de responsabilidade em ser uma coisa e parecer outra? Ou, que obrigação temos de parecer o que somos? Ou ainda, que culpa temos em sermos o que parecemos e não nos darmos conta disso?
Às vezes é um fardo ser o que parecemos. Nos rotulam: nerd, patricinha, gostosa, hippie, supérflua, crítica, egocêntrica, inteligente, engraçada, “pau pra toda obra”, durona, frágil.

Somos e não parecemos
Quando nos rotulam pelo que parecemos mas não somos é triste. Nos rotulam de desencanadas e adeus, qualquer tentativa de se maquiar e arrumar vai parecer uma tentativa desesperada de desencalhar ou a “perda da essência”.

Parecemos e não somos
Quando não somos [apenas] o que parecemos é difícil. Nos rotulam de duronas e adeus, nunca mais você pode assumir que só queria um colo e poder chorar em paz pelo momento miserável que está passando.

Somos e parecemos
Quando somos o que os outros pensam que somos, e reconhecemos isso, agir conforme as expectativas pode ser um problema. Nos rotulam de engraçada e adeus, nunca mais você poderá ficar 3 minutos quieta em uma mesa.

Eu tenho a seguinte filosofia: o rótulo diz algo sobre o produto, mas para conhecê-lo é preciso prová-lo.

                             

terça-feira, 19 de julho de 2011

"Rótulos"

Se algo me irrita na vida é, sem dúvida, gente metida à analista da existência alheia e sem a devida permissão e competência.

Será que não se pode ser reservado e guardar os infortúnios, as “glórias” e as outras coisas, apenas para si? Ser introspectivo e discreto incomoda tanto?

Eu que tenho a natureza mais comedida ouço muito que “essas santas que são as piores”... O que é isso?!

Quando eu tinha 13 anos uma menina que estudava comigo comentou com outras que eu me fazia de "santinha" na escola, mas que devia ser a maior “galinha” da minha rua... Quando eu soube disso, eu não entendi o porquê do comentário e não consegui não lagrimar, se ela soubesse que eu sequer havia beijado até alí, aliás, isso só aconteceu cinco anos depois daquele episódio. Eu era só uma menina tímida, mas para ela eu devia ser como ela: comunicativa e AUTÊNTICA em todos os lugares_ como se a minha timidez fosse forjada, sinônimo de falta de caráter, vai entender!

Hoje, não choro mais ao ser rotulada; quem me conhece jamais diria que sou "santa" em um lugar e "demônio" em outro, porque eu sou apenas eu em qualquer lugar e em qualquer situação. Se me sinto confortável e considero apropriado faço até piada, se não, fico quieta e pronto, e não acho que isso seja uma espécie de dissimulação, acho até que isso mostra o quanto sou transparente.