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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Das minhas expectativas sei eu, você sabe das suas

Tema da semana: Perto e distante, Tiê

Eu vou me frustrar e o outro também porque, por mais que a gente se dedique a preencher expectivas, nunca dá para ser o que o outro espera. E a troco de quê? Evitar conflito? Facilitar a convivência? Se acomodar porque é conveniente?

Não garanto que sou aquillo que o outro espera de mim porque não tenho controle sobre o que se passa em sua cabeça, coração e estômago. Tenho controle sobre as minhas ações e elas têm, é claro, um certo alcance nos demais. Mas como os outros vão me interpretar, me ler... Bom, não posso fazer nada a respeito.

Do mesmo modo, as pessoas não são o que esperamos delas e por isso a gente se frustra e se frustrar faz parte. O problema é que hoje em dia ninguém quer se frustrar, sentir dor, sofrer. Não que a gente deva querer, naturalmente. Todo mundo tem que caber na medida de nossos sonhos e expectativas e aí deles (e de nós, na verdade) se não der certo.

Acho que dá para ser muito mais feliz pensando muito mais no que as pessoas tem a oferecer do que exigindo coisas que não estão nelas ou que não estão preparadas para ser.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Parece mas não é

Tema da semana: Perto e distante, Tiê


Mesmo que às vezes seja chato parecer ser o que não é, gosto de brincar com esses rótulos. Tem coisas na gente que qualquer um é capaz de reconhecer, não importa se de perto, ou distante.

- Você é tão meiguinha!

Mas talvez pouca gente ou quase nenhuma consiga se aproximar a ponto de enxergar além. Pouca gente é capaz de entender de nós, aquilo que passa despercebido a nós mesmos. E algumas outras poucas sabem muito bem quando estamos usando um disfarce.

- Você não é mal-humorada!

O engraçado é quando alguém consegue acertar logo aquela máscara que você usa só de vez em quando e com bastante delicadeza, pra que tudo - até mesmo você - se torne invisível. Surpreender-se com descobertas a nosso respeito pode ser bom. Eu gosto das pessoas que conseguem me ver de longe e me enxergar de perto. Mas eu adoro fazer com que imaginem que estão diante de uma miragem.






quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Rótulo diz alguma coisa


“Quem garante
Que o que você é
É o que o outro enxerga?”

E qual a nossa parcela de responsabilidade em ser uma coisa e parecer outra? Ou, que obrigação temos de parecer o que somos? Ou ainda, que culpa temos em sermos o que parecemos e não nos darmos conta disso?
Às vezes é um fardo ser o que parecemos. Nos rotulam: nerd, patricinha, gostosa, hippie, supérflua, crítica, egocêntrica, inteligente, engraçada, “pau pra toda obra”, durona, frágil.

Somos e não parecemos
Quando nos rotulam pelo que parecemos mas não somos é triste. Nos rotulam de desencanadas e adeus, qualquer tentativa de se maquiar e arrumar vai parecer uma tentativa desesperada de desencalhar ou a “perda da essência”.

Parecemos e não somos
Quando não somos [apenas] o que parecemos é difícil. Nos rotulam de duronas e adeus, nunca mais você pode assumir que só queria um colo e poder chorar em paz pelo momento miserável que está passando.

Somos e parecemos
Quando somos o que os outros pensam que somos, e reconhecemos isso, agir conforme as expectativas pode ser um problema. Nos rotulam de engraçada e adeus, nunca mais você poderá ficar 3 minutos quieta em uma mesa.

Eu tenho a seguinte filosofia: o rótulo diz algo sobre o produto, mas para conhecê-lo é preciso prová-lo.

                             

domingo, 6 de novembro de 2011

Eu garanto.


Tema da semana: Perto e distante, Tiê . (música)

“Quem garante
Que o que você é
É o que o outro espera de você?
(...)
Quem garante
Que seguindo adiante eu possa enfim viver?
Sem me comparar
Sem me entristecer
Sem tentar mudar
Sem poder entender
(...)
Quem garante
Que o que você é
É o que o outro enxerga?”



Eu garanto, não sou o que o outro, ou os outros, esperam de mim. E não sou também o que eu espero de mim. Sou só uma pessoa perdida em um labirinto do qual não consegue sair... E nós sabemos, é esperado mais que isso das pessoas, é esperado que tenham algum senso de direção, principalmente quanto à própria vida, aos próprios sentimentos..

E se eu conseguir sair desse labirinto, eu garanto que não vou partir pra uma vida diferente, não vou “enfim viver” , principalmente se isso implica em seguir um caminho de maneira leve, sem muitos devaneios, sem muitas paranóias, sem muitos questionamentos, pois provavelmente entrarei em um novo labirinto . Não consigo evitar, sempre vou comparar o que eu sou com o que eu poderia ser, caso não fosse tão fraca. Vou sempre me entristecer pela minha fraqueza, sempre tentar mudar... E, infelizmente, não vou entender porque não consigo nem mudar, nem me conformar. Eu devia conseguir fazer pelo menos um dos dois.

Por fim, também garanto, não sou o que os outros enxergam. Mas não importa... Afinal, quero ser vista?