sábado, 3 de novembro de 2012

essa coisa de medo


Tema: Favor, não alimentar os medos.




Sabe, quando alguém me conta sobre algo que lhe assusta, ouço com todo respeito, porque essa coisa de medo é bem complicada, viu?!

Por exemplo, eu morria de medo de dormir no escuro, mas esse medo está tão morto na minha vida que hoje só sei dormir com a luz apagada.

Também já nutri o maior pavor de dormir sozinha. Inclusive, consegui convencer minhas irmãs a dividirem suas camas comigo até meus 16 anos. Mas um dia elas cansaram de mim e me mandaram encarar minha própria cama.

Daí eu fui, e meu medo mudou.

Eu dormia sempre tão sobressaltada que qualquer leve toque poderia criar uma cena de filme de terror em casa. Minha mãe, toda cuidadosa, temia que quando eu casasse e meu marido fosse “me procurar” de madrugada ele sofresse um ataque cardíaco, pois como comecei a dizer, quando acordo assustada é como se o próprio capeta estivesse segurando meu pé, e dá-lhe grito de pânico_ coisa tenebrosa, só quem já presenciou é capaz de medir o horror.

Mas deu tudo certo. Eu casei sem medo de ser feliz, fui “procurada” várias madrugadas e só gritei uma vez, e embora o então marido tenha ficado mais apavorado do que eu, ele nem morreu, minha mãe já tinha avisado, né?!

Eu ainda grito sim, mas isso não é consciente, além do mais, isso fez de mim uma lenda na minha família, e do meu leito um lugar sagrado.

Então, o que eu posso dizer é que medo é que nem ameba, em algum momento você vai ter, a questão é: você vai matar esse verme ou vai deixá-lo matar você?!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Sobre medos e pombos

Tema da semana: Favor não alimentar os medos. 

Tenho um pouco de medo de pombos, como tenho medo dos medos. Que fazer? Não dar de comer a nenhum dos dois. Quem alimenta os pombos e os medos não me diz respeito - assim como os pombos e medos dessas pessoas.

Quem alimenta pombos e medos  multiplica-os. Na minha vida não há espaço para a multiplicação dessas coisas e debaixo da minha cama, só há espaço para cobertores e afins.

Quando o medo pinta por aí, não o convido para comer e sim para beber. E aí batemos um papo muito honesto, sabe? Às vezes, entramos num acordo. Noutras, ganho dele no truco. Só que ele também ganha de vez em quando. Talvez essa nossa relação tenha uma certa harmonia e vez por outra ele me chega de mansinho para dizer:

- Só vim para dizer que me importo e que você precisa ter cuidado nessa vida...

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Medo do escuro


Tema da semana: Favor não alimentar os medos. 



Houve um tempo em que frequentemente eu tinha aqueles sonhos. Acordava aflita e alguns segundos depois vinha o alívio ao perceber que era sonho. Ou melhor, pesadelo. As imagens sempre mostravam você rindo de mim, dizendo que não me amava e abraçando outra, cheio de amor e carinho. Ou então eu via você sorrindo como nunca ao lado de outra(s) e fingindo que eu não era ninguém.


Quando eu estava com você, te abraçava forte e agradecia a Deus por ser só mais um sonho. Se não, te ligava e esperava você dizer que me amava, pra me consolar do pesadelo. Isso aconteceu várias vezes. E esses sonhos ficavam grudados na minha cabeça. Eu chegava a pensar que poderiam ser avisos e teimava em estabelecer qualquer tipo de ligação com a realidade. Me machucava, sempre. 

Um dia uma amiga disse: é o medo que você tem de perder. E era mesmo. Eu não conseguia, no fundo, aceitar que era verdade que você me amava e não me sentia escolhida. Talvez ainda não me sinta. E esses sonhos vez ou outra reaparecem, mas agora não me tiram o sono. Eu percebi que quanto mais eu pensasse neles, mais eles seriam frequentes. E aprendi a acreditar em mim, a gostar de mim, e a pensar em mim. Assim, o medo de te perder foi diminuindo, porque eu comecei a desconfiar que, nesse caso, você também sairia perdendo. 


Hoje, antes de dormir, eu penso em nós dois juntos e felizes, como somos de verdade. Lembro de nossos momentos mais gostosos e imagino outros tantos, que eu sei que ainda virão. Eu te beijo e te abraço e me sinto bem por estar ao seu lado, por sentir que você está comigo e desejo que continue assim. Desse jeito, o medo e a insegurança vão pra longe e as minhas (nossas) noites são cada vez mais deliciosas.