quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Eles se vão, mas e o que fica?


Tema: "Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim, não me valeu, mas fico com o disco do Pixinguinha, sim! O resto é seu"


Fica aquela fotografia de uma festa entre amigos - um dos primeiros encontros. Fica aquele moleton velho, que ele esqueceu na casa dela sem-querer-querendo, porque sabia que junto com ele deixava seu cheiro e por causa desse cheiro ela nunca mais quis devolveer. Fica um bilhetinho escrito em um pedaço de papel que ela colocou escondido na gaveta dele, pra que ele achasse de surpresa e se lembrasse daquele amor - como se fosse mesmo necessário de bilhetes pra que ele se lembrasse. Fica o brilho nos olhos dela quando ouve na rádio aquela música baranga que ele gostava de cantar e que ela esqueceu que era baranga e cantou junto, apaixonada. 

Entre fotos, livros, roupas, músicas, filmes, sempre vai estar um pedacinho dos dois. Sempre estarão espalhadas pelos lugares mais improváveis de cada um deles, uma pequena (ou grande) lembrança do outro. Inevitavelmente, um amor deixa rastros. Às vezes, nem precisa ser amor. Mas se um dia um casal dividiu uma história, compartilhou momentos e trocou algum tipo de afeto, quando ele vai embora, não vai inteiro. Deixa pra trás pequenas coisas que podem ter um significado bem grande. 

Talvez fosse mais fácil se quando a pessoa saísse da nossa vida, levasse com ela todas as lembranças, todas as denúncias de que um dia ela esteve conosco. Mas essas lembranças - já que hoje recebem esse nome - nos servem pra lembrar de que, (in)felizmente essa pessoa se foi. Isso pode ser bom ou ruim. Mas de qualquer forma, essas lembranças podem nos incomodar. E mesmo que todas as fotografias sejam rasgadas, todas as tralhas sejam jogadas pela janela e todos os discos arranhados, existe dentro de cada um de nós uma coisa danada que guarda tudo. E de lá, ainda não se sabe como tirar.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Medida do Bonfim

Tem horas que a gente perde a fé. A fé nas pessoas, nos ideiais e de que tudo pode dar certo. Tem horas que a gente não acredita na lei da semeadura, há muitas pessoas espalhadas por aí colhendo um montão de coisas boas que outros plantaram. Tem horas que a gente não quer sonhos de um futuro bom. A gente só quer um quadro branco para poder desenhar.

De vez em quando é bom perder a fé, só olhar pra cima muitas vezes nos faz perder os próprios passos. Não se dar conta deles ou achar que quem os guia não somos nós. A esperança muitas vezes nos faz confabular sobre probabilidades, idealizações. Não, o hoje é agora. De vez em quando é bom perder a fé. A gente engole o choro e assume que ou se agarra a vida nos dentes ou se perde.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Meu, mas nem tanto.


Tema: "Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim, não me valeu, mas fico com o disco do Pixinguinha, sim! O resto é seu"



Em fim de relacionamento, há quem chore até as tampas, há quem fale mal de ex, há quem se silencie, há quem se jogue nas baladas, há quem devolva presentes, há quem reclame presentes, e até quem se apegue a coisas parecendo que lhe valem mais do que o ser outrora amado...

E se o caso é de apego a coisas, penso em algumas possíveis razões práticas:

  1. Coisa não fala, logo, não haverá frases rebatidas;
  2. Coisa não conta tempo, logo, não haverá reclamações caso seja deixada de canto por alguns instantes (ou muitos);
  3. Coisa pode ser levada facilmente debaixo do braço, na maioria das vezes.

Mas, a dúvida é: o ser humano que leva a coisa estaria apegado à coisa ou a história que a coisa “conta”?!