sexta-feira, 5 de novembro de 2010

No Que Confio

Antes eu era descompensada aqui, agora virei também uma improvável...


Sou uma mulher desconfiada. Sou uma mulher feita de sangue, pulsar de veias, artérias, volúpia. Sou uma mulher com palavras penduradas na ponta da língua, com sentimentos transbordando pelos poros e com desejos direcionados aos alvos que quero alcançar. Não conseguiria ser de outro jeito e, por isso, sou desconfiada. Desconfio da serenidade perpétua e estática das que repousam solenemente as mãos sobre o nada. Duvido do sorriso sempre constante e da suposta alegria que parece fazer morada em bocas que nada dizem. Não acredito no excesso de doçura pegajosa. Não consigo imaginar a vida cor-de-rosa posta diante dos meus olhos. Talvez porque eu seja tempestade. E talvez porque também seja a bonança após a chuva, vislumbrada no final das quinze cores, misturada à dor e à delícia dos sonhos secretos que de tão secretos não me contam quando sonhados. Sim, quinze cores. Sou uma mulher que tinge a vida com quantas cores quiser. Não posso conceber uma mulher sem uma porra na boca de vez em quando. Assim, com duplo sentido mesmo. Sou de muitos sentidos, uma infinidade deles, todos desaguando num leito de lençóis de linho amassados pela espera. Não acredito na candura milimetricamente medida das palavras soletradas uma a uma. Não quando posso soprar calmaria em forma de palavras obscenas no ouvido adestrado a entender meu canto. Desconfio do olhar delineado, do cabelo impecável e da boca contida. É contra meus princípios acreditar na mentira forjada de uma Barbie de plástico, sem vida, suor ou lágrimas, que mora num lugar de faz-de-conta e vê, escondida, vidas passarem na sua frente, escolhendo a que melhor lhe cabe nos seus dias vazios.


Só uma coisa me irrita mais ainda: criaturas desprovidas dos mais elementares componentes de um cérebro saudável e que sonham ser um Ken.


[Sou uma mulher que não gasta palavras, batons, vestidos, língua e munições com isso. É desperdício de veneno...]

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu sou incoerente..tra la la

Ser coerente é uma dádiva. Não que eu inveje quem seja, porque as pessoas que eu conheço que são 100% coerentes estão na inércia então não há nem modo de elas serem incoerentes: não fazem nada.

Eu não sei até que ponto a incoerência é assim tão ruim, porque na verdade, a incoerência tem as costas mais largas que o diabo. Explico. Muitas vezes o que é chamado de incoerência na realidade é a relativização das coisas. As pessoas não suportam que se relativize nada. Acho que é medo de se perder. Se seguindo uma linha reta as pessoa já se perdem, se dermos a elas a possibilidade de bifurcação..vish...aí pronto, ferrou tudo.

Mas o que é esse relativizar bom ao qual eu me refiro, então? É simples. É saber que nem tudo que é válido num campo é valido em outro. Por exemplo. Existe uma grande área chamada esportes, dentro de esportes, existem os que são jogados com bola, e cada um desses possuem suas regras. Então se, no futebol, você não for o goleiro e pegar a bola com suas duas mãozinhas lindas e jogar na rede, não saia comemorando o gol, lindeza, porque será pênalti, e dos feios.

Mas que incoerência!!! Não é tudo esporte? Não é tudo com bola? Não é tudo igual?

Difícil imaginar que alguém argumentaria assim, não é? Parece claro a todos que em cada jogo, sua própria regra e é justamente por essas regras que se mudam os jogos, caso contrário teria só os jogos com bola, aquáticos, de lançamento e por aí vai.

Na vida é assim, e é muito mais complicado ainda. Porque cada pessoa carrega em si mesma regras definidas. Quando tem contato com outra, ela adapta suas regras, ou muda ou não faz nada (é, existem pessoas que conseguem fazer nada). Existem leis que direcionam todas essas pessoas, mas existem coisas que só são determinadas pela ética. E a ética olha para os dois lados, a Lei não, a Lei tem um lado só: o dela.

E quando você olha para os dois lados, você relativiza e daí o seu posicionamento algumas (tantas) vezes ser considerado incoerente. Não é que se passe a aceitar o que o outro fez como correto (ou o que você mesmo fez), mas você passa a entender o que levou o outro a fazer aquilo. Entender os motivos não justifica o ato, mas pelo menos não o condena à fogueira.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Escolher o melhor possível

Esses dias eu estava em uma aula e ouvi meu professor falar sobre a diferença entre o “homem econômico” e o “homem administrativo”. O “homem econômico" é aquele que é absolutamente racional e suas decisões são as mais eficientes, realizando suas tarefas perfeitamente, já o “homem administrativo” é aquele que toma suas decisões e realiza suas tarefas da melhor maneira possível dentro de suas limitações. A diferença é que o “homem econômico” não existe. Todos nós somos limitados, mas isso não nos impede de escolher e fazer o melhor que podemos.

Depois de criarmos tantas expectativas sobre como várias coisas podem ser perfeitas, quando descobrimos que boa parte do que pensamos não acontece, muitas vezes acabamos nos decepcionando completamente. O que faz com que nos desencantemos com todas as outras oportunidades e pessoas. Como aquela decepção nos primeiros relacionamentos que fazem com que nossas esperanças de encontrar alguém que nos complete realmente pareçam coisa de cinema e que nunca poderemos ter.

Com isso, de certo modo, deixamos de lado algumas características que podem ser muito importantes quando tomamos uma decisão ou escolhemos algo. É aí que mora o perigo. Quando optamos por algo, mas reduzimos o valor esperado para não nos decepcionarmos mais ainda, estamos reduzindo nosso próprio valor também. Não devemos deixar de fazer o nosso melhor e esperar o melhor de nossas escolhas. E também não devemos nos acomodar no que é seguro, ou nos conformar com o normal, é preciso dar aquele passo extra, se arriscar e procurar pelo melhor possível. Assim como nessa semana de decisão no segundo turno, devemos lembrar que ao escolhermos nossos candidatos a presidente, senador, prefeito, entre outros, não podemos pensar que só porque não há um candidato perfeito devemos escolher aquele que é famoso, ou o que faz boas piadas ou porque a maioria gosta, mas sim procurar por alguém que complete, o máximo possível, suas idéias sobre um bom governo, mesmo que não seja 100%.