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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Do Sentir


Se você não entende a força das palavras que arremessa na minha direção,


Se não percebe o deboche escorrendo pelo canto da sua boca quando recria mentiras já conhecidas,


Se não se importa com as feridas que causa com olhares em forma de lâminas...


E se não sente a minha dor, se não sente o meu veneno, se não sente quando uma alma goteja o sangue das palavras derramadas, querido... lamento, mas EU sinto. E muito.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Na Real

Vamos esquecer, pelo menos por hoje, baby, a pessoa que você pensa que sou, porque estou à disposição para ser a sua realidade.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Aberta


Era aberta. Ah, sim, isso ninguém podia negar. Se precisassem de um par de ouvidos para nele despejarem lamúrias ou futilidades, lá estava ela. Se precisassem de um ombro amigo para apoiar a cabeça cheia de problemas, ela estava presente. Se precisassem de um conselho e ela fosse a escolhida, dava conselhos, aos montes, muitas vezes nem sequer utilizados, mas dava.


Era aberta. Ah, sim, isso ninguém podia negar. Um tipo de abertura meio às avessas porque, veja só, estava aberta até mesmo àqueles que, por vocação, hobby, maldade ou simplesmente retardamento mental, faziam um refogado insosso com seu coração. Se prometessem a lua, ela estava aberta a recebê-la, mesmo sabendo que não havia espaço para guardar a lua no seu quarto. Se a tomassem nos braços e roubassem seus sentidos, ela estava aberta a ser despossuída de si mesma, para encontrar-se no outro corpo. Se dissessem que a amavam, então, puxa! Quando falavam em amor, debaixo da aparente armadura que escondia uma lingerie provocante, lá estava ela, aberta. A receber amor, a dar amor, a comer amor, a suar amor. Aberta, de frente, de lado, de quatro.


Era aberta. Ah, sim, isso ninguém podia negar. Até que um dia, num estalo, caiu em si. Deu uma faxina rápida, pôs em caixas as coisas bonitas que não cabiam mais na sua vida. Quem sabe um dia ia querer revê-las, essas coisas bonitas que todo mundo tem na vida. Jogou fora o que só estava ocupando espaço. Essas coisas velhas, borradas e feias que todo mundo também tem na vida. Ficou maravilhada com o vão que se abriu diante dos seus olhos. Comprou um cadeado. E trancou-se.


Era aberta. Ah, sim, isso ninguém podia negar. Mas, agora, carregava uma chave escondida entre os seios. E só se abriria outra vez para o que combinasse com aquele vazio à espera de ser preenchido.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Exaustão


[Eu disse que me cansaria. Não disse? Não importa. Em algum momento desistiria de tentar me fazer entender em linhas retas e entrelinhas tortas. Não conseguiria esperar uma atitude a mais, disparada como flecha incandescente na minha direção. Precisa. Certeira. Para ser recebida com prazer por ser tão atraente. Não aguentaria a ausência de ondas no meu mar agitado por natureza. Desejaria as mãos fora dos bolsos. Talvez nos meus lábios. Talvez entre minhas pernas. Não suportaria o olhar perdido diante do espelho. Da janela. Da tela. Dos meus olhos. Então não fique parado. Apenas venha. E me tome. Como sua. Dele. Ou de outro. Sirva-se. E comece pelas minhas coxas. Arraste-as até que minhas pernas estejam entrelaçadas no seu corpo nu e arranque os arrepios que estou guardando para você. Posso até me cansar e ficar exausta, mas só se for de tanto amar...]

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

No Que Confio

Antes eu era descompensada aqui, agora virei também uma improvável...


Sou uma mulher desconfiada. Sou uma mulher feita de sangue, pulsar de veias, artérias, volúpia. Sou uma mulher com palavras penduradas na ponta da língua, com sentimentos transbordando pelos poros e com desejos direcionados aos alvos que quero alcançar. Não conseguiria ser de outro jeito e, por isso, sou desconfiada. Desconfio da serenidade perpétua e estática das que repousam solenemente as mãos sobre o nada. Duvido do sorriso sempre constante e da suposta alegria que parece fazer morada em bocas que nada dizem. Não acredito no excesso de doçura pegajosa. Não consigo imaginar a vida cor-de-rosa posta diante dos meus olhos. Talvez porque eu seja tempestade. E talvez porque também seja a bonança após a chuva, vislumbrada no final das quinze cores, misturada à dor e à delícia dos sonhos secretos que de tão secretos não me contam quando sonhados. Sim, quinze cores. Sou uma mulher que tinge a vida com quantas cores quiser. Não posso conceber uma mulher sem uma porra na boca de vez em quando. Assim, com duplo sentido mesmo. Sou de muitos sentidos, uma infinidade deles, todos desaguando num leito de lençóis de linho amassados pela espera. Não acredito na candura milimetricamente medida das palavras soletradas uma a uma. Não quando posso soprar calmaria em forma de palavras obscenas no ouvido adestrado a entender meu canto. Desconfio do olhar delineado, do cabelo impecável e da boca contida. É contra meus princípios acreditar na mentira forjada de uma Barbie de plástico, sem vida, suor ou lágrimas, que mora num lugar de faz-de-conta e vê, escondida, vidas passarem na sua frente, escolhendo a que melhor lhe cabe nos seus dias vazios.


Só uma coisa me irrita mais ainda: criaturas desprovidas dos mais elementares componentes de um cérebro saudável e que sonham ser um Ken.


[Sou uma mulher que não gasta palavras, batons, vestidos, língua e munições com isso. É desperdício de veneno...]