terça-feira, 5 de outubro de 2010

Lá atrás da cortina, tenho Eu! Mas, Eu, o que eu tenho?

Taí! Se tem algo que é difícil, é encontrar a verdade. Sabe... Aquela Verdade! A verdade que encosta na cortina fina e bege (bege e bem escura), de visibilidade táctil que fica por detrás do palco.  Sim. Essa é difícil de encontrar!
Talvez, por permanecermos mais que 99% do tempo na atuação do que é perceptível pelos sentidos básicos. E isso é ruim?
Não necessariamente.
Eu diria: isso é incompleto!
O que acontece no palco, seja show ou seja ensaio, está intrinsecamente e diretamente ligado ao que ocorre lá atrás (que é base, é imprescindível, é profundo e, por isso, meio invisível). E é interessante que seja assim: o que é base, na grandessíssima maioria das coisas do mundo, teima em não aparecer (tão claramente, pelo menos). É sustentáculo e, apesar de parecer quieto, imóvel, escuro, profundo, mantém um equilíbrio inexplicavelmente dinâmico.

O que está escuro, escondido, dá medo. Dá muito medo por ser desconhecido. Porém, se é base, se é razão e sustentáculo, não deve ser tão ruim assim, não é mesmo?

É algo complexo. Muito complexo. Mas, muitas vezes, o que é complexo, é fascinante!Pessoalmente, acho isso apaixonante! E você, o que acha?

domingo, 3 de outubro de 2010

Meus defeitos, meu tapete.

Eu costumava dizer que defeitos, quando reconhecidos, deviam ser consertados e não abraçados. Eu costumava dizer que não queria ser como a moça da música, que nasceu assim, que cresceu assim, que é mesmo assim e vai ser sempre assim. Então eu dizia: “eu sei, eu surto, mas não vou mais surtar, porque defeitos devem ser corrigidos e não abraçados”.

Eu costumava surtar e eu costumava acreditar que sabendo disso poderia corrigir isso. Eu costumava ser tola, afinal, meus surtos são irrelevantes, se eu parar pra pensar em tudo que há por trás deles. Se eu parar pra pensar naquilo que me faz surtar, que não é exatamente meus defeitos, mas as minhas experiências (ou a falta delas), os meus medos e os meus anseios. Os meus surtos são irrelevantes se eu parar pra pensar naquele porão de emoções e transtornos que eu nunca abro, pois nunca encontro a hora certa de abri-lo, com receio das chatices da vida, das dores passadas e dos fatos que me recuso a aceitar.

Meus defeitos são um tapete para debaixo do qual eu varro um monte de bagunças que não consigo nem listar. Meus defeitos têm lá suas explicações, mas eu não quero mexer na sujeira para descobrir quais são. Então o tapete está torto, devido a toda sujeira que há ali debaixo, mas eu me recuso a limpar. Eu apenas observo... E não digo mais que vou consertar meus defeitos, porque descobri que eles não são a pior coisa com a qual terei de lidar para consertá-los.

E se não me fiz entender, esse é um defeito que tenho há alguns anos também. E venho tentando me expressar melhor, como se o problema estivesse nas palavras que eu escolho; mas talvez elas sejam apenas o tapete e por trás das palavras tenha toda uma sujeira que na verdade eu não quero mostrar.