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sábado, 29 de dezembro de 2012

Pois é chegada a hora.


Tema: O que você faria antes do mundo acabar?






Se eu tivesse a oportunidade de um fim anunciado, faria questão do que me é típico em dias de folga, com pequenas alterações apenas.

Acordaria tarde. Tomaria um banho demorado. Convidaria minha família para um rodízio de carnes por minha conta, afinal, pra quê eu guardaria dinheiro, ou me pouparia de colesterol?! E também não deixaria de tomar várias bolotas de sorvete de creme de maracujá de sobremesa.

Voltaria para casa de táxi, para que entre um papo e outro eu pudesse ligar sem preocupação para cada amigo que fez minha vida aqui mais feliz. Depois disso, tomaria mais um banho demorado, mas dessa vez sem culpa, e mesmo que não fizesse mais sentido, eu ainda me lambuzaria com minha loção hidratante de leite e mel, tipo a Xuxa no comercial da Monange, e não abriria mão do meu creminho anti-idade, simplesmente porque isso é um hábito, gente. Vestiria aquele meu pijamão estampado de ossinhos e patinhas de cachorro. Conversaria um pouco com o meu Pai Celestial. E torceria para que a Terra não começasse a tremer antes que eu concluísse a leitura de “Ivanhoé”, porque eu estou adorando essa aventura.

Então, quando as baratas me encontrassem, pois dizem que elas sobrevivem às mais terríveis catástrofes, elas se surpreenderiam com um sorrisinho meu no canto da boca e diriam uma para outra (e eu estou aqui viajando que elas conversam entre si):

_ Opa, mais alguém aqui teve um bom dia! E avançariam sobre minha carcaça.


sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sobrevivendo ao fim do mundo desde 1987

Tema: O que você faria antes do mundo acabar?
O de sempre. A mesma coisa que eu faria agora às cinco e meia da tarde de uma sexta-feira.

Nunca parei para pensar nisso, no que eu faria caso o mundo acabasse. E, agora, matutando a respeito, vejo que não faria nada de especial ou de diferente. 

Eu já tinha pensado, várias vezes, no que eu faria caso descobrisse ter uma doença terminal: faria a minha partilha bem bonitinha, nada mais. Livros, filmes e vestidos. O fato é que morrendo sozinha ou com o mundo eu não deixaria nada por dizer, fazer, confessar, admitir.

As pessoas que eu amo sabem que as amo. Faço questão disso, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã - com ou sem ameaça de fim do mundo. E, dentro do possível, evito deixar negócios pendentes por onde passo. Algumas coisas mal acabadas ficaram nos últimos dois anos, mas, mesmo assim, eu não ia tentar explicar, conversar, nem ir atrás para dar ou tirar satisfação. É coisa pela metade, mas também é página virada.

Se o mundo fosse acabar agora, eu beberia uma limonada gelada e daria um último abraço apertado na minha irmã. Simples assim: simples é o começo, simples como deve ser o fim. Assim.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

É melhor não perder tempo

Tema: O que você faria antes do mundo acabar?


Acho que nunca pensei de verdade nisso, porque nunca acreditei nessa possibilidade. Acho que temos acabado sim, nós e o mundo, aos pouquinhos. Vamos devagarinho morrendo pelos cantos, pelas beiradas, por dentro e também por fora. Só que não percebemos porque ao mesmo tempo nascemos. No mesmo instante que morre em mim alguma coisa qualquer, nasce outra completamente nova e toma a atenção e o lugar do que já não existe. 

Transformar é isso: jogar fora o que é velho e já não serve e se voltar para o novo e, pelo menos por enquanto, mais importante. E como temos nos transformado! Quem nunca olhou as fotos antigas e se assustou com o cabelo da prima? Quem nunca se encheu de nostalgia comparando as brincadeiras de criança de seu tempo com os video-games de última geração? É contínuo. Daqui a 10 anos, esse mundo e essa menina que digita essas palavras não existirão mais. 

Mas se tudo acabasse assim de uma hora pra outra, em meio a tempestades, vulcões e maremotos, eu não faria nada, além de chorar. Eu não conseguiria acreditar nem reagir. Provavelmente lamentaria todos os beijos que não dei e mais ainda as palavras que não tive coragem de dizer. Tentaria de alguma forma me esconder em algum abrigo que me protegesse dos meus arrependimentos e, boba, rezaria baixinho pra que eu fosse logo atingida por uma pedra certeira que me livrasse do terror dos meus pensamentos e da tola esperança de sobreviver e recomeçar. 

É por isso que eu não posso pensar na possibilidade de acabar. Preciso entender que tudo acaba mesmo, por isso a gente tem é que aproveitar. O bombom da caixa, o ventinho no rosto, o sorriso da criança, o barulho da chuva, o dinheiro no bolso, o vestido novo, o beijo, o abraço, o orgasmo, a raiva pra soltar tudo aquilo que está incomodando lá dentro, a oportunidade pra fazer aquilo que tem vontade, a saúde pra correr atrás do que deseja e o amor pra distribuir, já que é tanto e é de graça. E amor, eu sei que não acaba. Aliás, cresce a cada dia mais.