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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Porque a Barbie é uma boboca!

Tema: O que uma mulher pode querer?

Se a saia é curta, ela é puta
Se a saia é longa, ela é crente
Então saia como bem se entende

(Frau Forster)

Deixa o outro com a vontade que quiser de fazer o que quiser. Eu só faço o que quero. Deixa o outro me desejar com as mãos, com os olhos, com a saliva. Não me responsabilizo pelo que desperto nele. Deixa me verem como quiserem, que das minhas contas e dos meus contos sei eu.

Sou consciente, inteligente, independente, eleitora, crítica, motorista, psicóloga, briguenta. E bruxa, toda mulher tem um pouco de bruxa, esse poder que muitas relegam por um "grande amor", por conveniência ou por qualquer outro motivo bestificante. Sabe esse poder que toda mulher tem, mas nem todas esbajam? Pois é...

Adoro as cartas na mesa, o jogo limpo:

- Olha, assim não serve, assim não dá.

Adoro saia curtinha, adoro tomar a iniciativa, adoro pagar minhas coisas. Adoro minha firmeza, minha racionalidade doída, meu poder de decisão. Adoro meu corpo fora dos padrões e adoro mudar o cabelo - do jeito que eu quiser, como eu quiser. Cabelo longo faz sucesso com os homens? Ah é mesmo? Tesoura despreocupada e despreendida.

Porque se a minha vontade não pode imperar sempre, pelo simples fato de vivermos em sociedade, eu a faço valer sempre que posso. Por  que quem é que acha que vai mandar em mim?

O slogan da Barbie era Barbie, tudo o que você quer ser. Mas ela não é, nunca foi nem nunca será tudo aquilo que nós poderíamos querer. Ela está muito aquém do que qualquer uma de nós pode realmente ser e quem não percebe isso, bom, meus pêsames - essas parecem pôr a perder anos e anos de mais conquistas que ainda não chegaram onde deveriam.

Então hoje, eu olho para o meu armário e escolho a saia que quiser, para sair como quiser, com quem quiser - e só se quiser.

sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre desejos


Tema da semana: desejo


Desejo é algo normal, todo mundo sente, e não estou sendo equivocada ao generalizar.  Seja por aquele lanche gostoso, por aquele moço atraente (ou lanche atraente e moço g... enfim...), desejo de dormir numa tarde de chuva, desejo de ligar para a amiga distante ou nem tão distante assim... Desejos. De acordo com o dicionário o termo significa anseio, ambição, vontade de possuir e fazer algo.
Então esse é o tema da semana e juro que não sei bem o que posso falar a respeito, uma vez que as outras meninas abordaram essa questão tão bem. Complicado.
Tenho sim desejos constantemente, muitos surgem do nada e logo são realizados, outros aparecem, são planejados, demoram tempo para serem saciados. Nada além da normalidade, eu acho. Pensando sobre o que poderia escrever, desejando fazer um texto sobre o assunto (ó!) comecei a questionar quais seriam as semelhanças entre sonhos e desejos. Acho que os desejos são mais intensos, muitas vezes os sonhos acabam sendo deixados de lado, guardados em um potinho e só aparecem quando a pessoa acha que são convenientes. Desejo é algo mais forte, nem sempre é tão duradouro, nem sempre a gente planeja ou esconde. Tem também os reprimidos, que devem ser tratados com todo cuidado.
Às vezes os desejos se tornam obsessões, daí é a hora de colocar o pé no freio, perceber que alguém está sendo prejudicado, machucado... Não é saudável. Sabe aquele ditado de mãe: “tudo em excesso faz mal”? Com desejos também é assim. Não estou dizendo que as pessoas não devem tê-los, não devem sonhar ou ter vontades; devem sim tentar realizá-las sem que se faça mal a alguém, sem que a ambição desmedida tome conta. Não parece simples, mas não é impossível.
E tantas vezes por desejarmos demais, realizarmos os desejos desmedidos, acabamos nos arrependendo por ver que “não era a hora” para aquele determinado acontecimento. Ah, o arrependimento... Tão próximo do desejo, consequência tão comum a tantas atitudes nessa vida... Mas isso é assunto para a semana que vem.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ciranda de Foucault

Tema da semana: desejo

Na esperança de se tornar mais humana, ela fez um curso de Humanas e passou a graduação se deleitando com Foucault. Curtiu aquela coisa de relações de poder e quis brincar também, entrar na roda - embora ela já devesse estar cirandando sem saber, como tantas vezes fazemos.

Se formou e a vida na mesma. Um dia, porém, descobriu-se interessante. Se olhou no espelho: poxa, nem era tudo aquilo. Mas então porque os homens paravam para vê-la passar? Era alguma outra coisa que ela tinha, mas não sabia[m] dizer o que era. Todavia, nunca fora muito de explicações ou reflexões. Resolveu esquecer que já tivera um coração e foi colocando-os na roda. Quisa saber quem sabia dançar no seu passo.

Foi aos poucos se descobrindo - e descobrindo seu corpo de tecido e pudores. Seus amigos jogavam War  e ela jogando outro jogo já - que tinha um pouco de belicismo de qualquer modo. Sadismo declarado e sincero e honesto. Tinha talento para tânatos. E as suas mãos, a sua boca, o seu corpo tinham uma vocação para o prazer.
Era aquele incandescência tomando conta de tudo. Primeiro, decidira ser feliz por birra, por vingança, para contrariar as probabilidades. Depois, foi feliz sem raiva, por aquela sua transbordância de pernas e cabelos. As costas, nuas. A pinta na nuca que adorava ser beijada. Suavemente. Seu jeito de deixá-los desejantes com um simples olhar naquele rosto de santa sem pretensões. As suas eram todas, mas fingia, brincava.

 E tinha umas coisas que ela bem sabia fazer. Muitas coisas na verdade. Mas deixava tudo semi-velado. Luz de velas. Aquele jogo entre o que mostrar e o que esconder. Conduzia-os para as sombras e dele fazia o que queria. Isso quando e se queria. Porque na maior parte do tempo, provocava. Zombava. Por essa época, aprendeu a brincar de esfínge: Decifra-me ou devoro-te. Acabaria sempre em canibalismo.

Mais prazer do que os gritos roucos colhidos entre quatro paredes e o olhar ébrio de seus escassos amantes, só mesmo quando se mostrava inatingível para os que não quisesse. E eram muitos. Arrumava-se para eles, vestia-se para eles, para que a desejassem como bem o sabia fazer. E não precisava de muito. De quase nada, na verdade.

E os seus olhos de ressaca, cuja crueldade era a de uma criança, diziam com ternura:

- Olhe mesmo, olhe bem, pode olhar: não vai nunca passar disso.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

acontece











arrepio. a boca enche d'água. esquenta o corpo. esfriam as mãos. esquenta mais lá em baixo. o coração aperta e dispara. é possível sentir, aos poucos, o rosto ficando vermelho. algum cientista já deve ter descoberto que no momento que a imagem do objeto desejado passa pela cabeça, o resto do corpo responde com diversas sensações. e então não importa se está chovendo. se é de dia ou de noite. se tem 100, 500 ou 2.000 calorias. não importa se custa caro ou está em liquidação. não importa que ele seja um babaca. não importa se vai durar apenas algumas horas. não importa se ele vai ligar no dia seguinte. não importa se no dia seguinte a consciência pesa. não existe dia seguinte, minuto seguinte. não existe antes ou depois. existe DESEJO. não interessa se ele existe por carência, falta de juízo ou excesso de sem-vergonhisse. e não interessa quanto ele vale ou quanto ele pode custar. tem coisas que simplesmente acontecem. e não precisam de porquês. nem tudo precisa ser racionalizado. tem coisas que apenas precisam ser sentidas. 





terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dona de si

Tema da semana: desejo


Era nova na escola, queria um novo começo, pensou em se integrar com a turma do fundão, mas ao adentrar a sala não se viu entre eles, era tímida, escolheu o de sempre, o segundo lugar na segunda fileira próximo à porta, um lugar estratégico, nem entre os primeiros, nem entre os últimos.

Foi quando ele entrou. O que era aquilo? A própria visão do céu, pensava. Tão lindo nunca tinha visto! E ele escolheu a cadeira em frente a dela...

Dia de sorte? Ah sim, super sorte! Ele se virou, lhe deu bom dia e perguntou se tudo bem se ele com um e oitenta e cinco aos 15 anos não impediria sua visão do quadro.

_ Sim. Respondeu.

_ Sim, eu atrapalho, ou sim, eu posso continuar sentado aqui?!

Todas as alternativas, ela queria ter dito, mas só conseguiu sorrir e baixar o olhar.

_ Gosto de ser o primeiro, então vou entender que sim, eu posso continuar aqui...

No fim da aula, enquanto esperava seu irmão ir buscá-la, alguém pergunta as horas, era ele.

_ 13 horas? Minha mãe sempre se atrasa!

_ Meu irmão também.

_ Posso esperar aqui com você?

_ Claro.

E num impulso, ela o segurou pela nuca e o beijou, e enquanto deliciava-se ao morder levemente os lábios dele, abria os olhos para ver como seria um garoto bonito beijando...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Nem tudo que é bom vem de fora"


Tema: Desejo

Vou abordar o desejo um pouco diferente do que a Ana. Vou falar do desejo carnal.

Quantas vezes ele não se confunde com os sentimentos? Não sei de vocês, mas eu demorei muito tempo pra aprender a separar as duas coisas. Pra mim, eles estavam interligados. Se ocorria um, é porque o outro também existia; e isso complicava demais as coisas na minha cabeça.

Até que depois de muito levar na cara e muito refletir sobre essas duas coisas, entendi que eles são paralelos um ao outro. O desejo vem e passa. É forte e momentâneo. Já os sentimentos vêm devagar e ficam, duram um tempão dentro da gente. O desejo te confunde, o sentimento te aclara. 

Percebi que quando se têm sentimentos, também se tem desejo. Mas nem sempre quando se tem desejo, existe o sentimento.