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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Até o fim

Tema da semana: Tá no inferno, abraça o capeta



Era um homem persistente. Insistente. Determinado. Talvez até um pouco turrão, mas, sabe como é?, era o gênio forte, signo de fogo, conhaque no fim do dia. Sempre que começava uma coisa, ia até o fim. Mesmo quando o negócio desandava: para ele, era uma questão de princípios terminar o que havia começado. E assim sempre ia até o fim.

Era um homem bom, mas errava muito, deveras, repetidamente. E, com o passar o tempo, começou a marchar rumo ao fracasso. Tinha um medo doído de fracassar como gente, como pessoa, como ser humano.

E sua vida foi tomando uns rumos perigosos, caía de erro em erro e, mesmo ao perceber que tudo ia de mal à pior, continuava cego e centrado rumo ao seu destino.

"Destino". Era assim que chamava as desgraças que iam lhe acontecendo e logo sua existência era queda livre no salão abafado.

Enxofre. O Diabo o esperava garboso:

- E o que vai ser?

E, não restando mais nada, o homem sorriu. Foi até o fim. Não havia mais caminhos para voltar. E queria? Já que estava lá, o negócio era ver um novo fim para perseguir.


sábado, 3 de março de 2012

Não sou boa nisso

                                                Tema da semana: Quem conta um conto aumenta um ponto


Não gosto dessa história de aumentar um ponto. Mas se eu disser que nunca fiz nada do tipo estarei também aumentando um ponto (rs).

Fico me perguntando frequentemente por qual motivo as pessoas costumam mentir e, sinceramente, é uma questão muito ampla. Aumentam um ponto pra contar vantagem, aumentam para se livrar de determinada situação, por exemplo.

Não consigo ver mal algum naquelas pessoas que aumentam um ponto e não prejudicam ninguém, o fazem para tornar uma história mais legal, para chamar atenção. Acontece que isso é chato se for feito com frequência. Deve ser um saco ser conhecido como aquele que conta vantagem em suas histórias. Melhor se conter às vezes.

Também não consigo ver muito problema nessa história de contar um conto e aumentar um ponto se a mentira contada só trouxer prejuízo a quem conta. O problema maior, na minha opinião, é quando a pessoa que aumenta resolve fazer isso com a gente, aumentar pra prejudicar o outro, aí a coisa fica feia. Não tem nada de divertido nisso, não é mesmo?

Eu sou ruim em contar um conto, pior ainda pra aumentar um ponto. Confesso, sou péssima com mentiras, sejam elas grandes ou pequenas, e não sei até onde isso é bom ou é ruim.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Conto de cão


Tema:  "E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado
Como vou me aborrecer, qual o quê
Logo vou esquentar seu prato, dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você"




Certo dia, ingenuamente, decidiu dar abrigo a um amorzinho que lhe pareceu ideal. 

Que naipe seria? Perguntava-se, mas não identificava com facilidade, é que lhe faltava experiência, mas resolveu apostar nele mesmo assim.

Depois de muito investimento emocional e tudo mais, seu novo amor perdeu o aspecto de outrora, conquistou a confiança de cachorrinho de madame e esqueceu de sua vida pregressa.

Contudo, seguindo seus instintos primitivos, cedo abandonou o lar, pois não simpatizava com as regras do convívio, não conseguia entender a necessidade delas e como isso poderia trazer felicidade.

Enfim, dúvida dissipada: era vira-casaca, rotvale-nada, pastor-ladrão-de-tempo, dalmatava-sentimentos.


P.S.: adaptação de texto publicado anteriormente no meu blog pessoal.