Tema: "O destino baralha as cartas, e nós jogamos"
Schopenhauer
A ideia de que somos livres para escolher advêm, em maior parte, da concepção de livre arbítrio que nós, ocidentais de base cristã, possuímos.
Podemos escolher porque esse foi um “privilégio” que Deus deu a nós.
Ok.
O fato é que nem todos (nem os cristãos) concordam sobre isso, o próprio Martinho Lutero não concordava que tínhamos livre arbítrio, para ele quando Adão e Eva pecaram a Humanidade foi separada de Deus e o que a morte e ressurreição de Jesus possibilitou foi a restituição entre Deus e os homens, mas é Deus quem escolhe quem será salvo. Sendo assim, Lutero (e outros) acreditava na predestinação (o que uma enorme parte dos “protestantes” de hoje ignoram).
Bem, eu acho interessante como hoje em dia a gente consegue conciliar Destino e escolha, a gente achar que as duas coisas são possíveis. Ter uma escolha não é o mesmo que de fato ter opções. Se há quem embaralha as cartas e as distribui, de certo forma, nós temos a escolha da jogada, mas as cartas são limitadas. E ainda mais, há sempre a possibilidade de se jogar com cartas marcadas.
Eu me lembro dos meus tios jogando truco. Quem decidia a rodada era sempre quem embaralhava e, às vezes, quem cortava o baralho. Eles sabiam com quem ia sair as cartas boas e com quem ia sair as ruins. De vez em quando algo saia errado e ele sabia que o jogo que ele tinha programado para sair com o parceiro dele tinha saído com o oponente. E daí ele não exitava em “correr” quando alguém pedia truco.
Os gregos acreditavam em Destino e os seus heróis trágicos não conseguiam nunca fugir ao destino traçado a eles pelas Moiras. E quando alguém acreditava que podia mudar o destino e de fato a estória parecia ter mudado de rumo, a atitude tomada, no futuro, se mostrava como mais um passo para que o Destino se concretizasse (vide Édipo).
Há momentos em que eu acredito que a gente possa fazer e mudar nossa história. Mas em muitos outros eu acredito que a gente esteja apenas dançando uma coreografia marcada desde a eternidade mas achando que estamos improvisando.
Apesar de acreditar nessa dança que somos fantoches, ainda acho é possível burlar o coreógrafo e fazer alguma coisa sair do ensaiado, assim como ocorria no jogo de truco com meu tio, mesmo que o coreógrafo espere o próximo ato (rodada do jogo) pra que tudo volte ao ensaiado.
“Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come” – apesar de parecer escolhas, que diferença faz se no fim você vai se dar mal?