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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Definições

Tema: É como se fosse, mas não é.

É como se fosse amor, mas não é. Então é o quê? Era o quê? Achei a carta que escrevi para te mandar quando você terminou nosso namoro por telegrama - para estar noivo uma semana depois. 

Não era amor: nem seu, nem meu. Era temor? Amortemor? Medo de ficar sozinho. Medo da solidão. Medo de não saber lidar consigo mesmo. Era medo então?

É como se fosse medo, mas não é. Não achei nenhuma das cartas que você mandou, porque você não mandou. Só uma foto 3x4. Nela, é como se você fosse sério, mas não era.

Talvez seja rejeição. Orgulho ferido. Essa história de você implicar com as minhas roupas e falar de como as meninas te olhavam cobiçosas. Tudo gratuito. É como se você me quisesse como sua mulher, mas não queria. É como se você fosse homem, mas não é. É apenas um menino. Um menino lindo, mas um menino. Apenas.

 É como se fosse vidro moído, mas não é, mas me machuca. Vidro moído é areia que passa pela ampulheta. Vai logo e passa. Me deixa passar. Deixa o tempo me levar.

É qualquer coisa que me dói por dentro, por eu não saber o que houve de errado. É como se fosse de verdade, mas não é. É como se fosse pra valer, mas nada parece valer a pena. É como se eu ainda esperasse de mim todas as definições para o que tivemos. Mas dor é dor e não preciso me explicar.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Um amor sem lugar

Tema da semana: A história da música "Conversa de Botas Batidas" do Los Hermanos


cena do filme Infidelidade


Se conheceram quando ele era noivo e ela ainda namorava. Ela ficou entusiasmada com a beleza dele. Ele gostava da cintura dela. Logo começaram os joguinhos e ela foi aos poucos, perdendo toda a vergonha. Ele se sentia mais jovem ao seu lado. Gostava das suas mãos delicadas e da sua boca faminta. Ela se sentia uma deusa ao seu lado. Gostava dos seus olhos infantis e de como ele se perdia entre suas curvas.

 - Você vai acabar com a minha vida! 

Era tudo que ela queria naquele momento. Aquilo lhe dava uma sensação de poder irresistível. Ela ficava excitada e o beijava com ainda mais vontade. Mas ela não queria acabar com a vida de ninguém. Nem com a dele, nem com a dela. Ela queria era viver. 

 - Meu casamento está marcado.

Não era o que ela queria ouvir. Mas ela não tinha como mudar aquilo. E nem queria. Ela não poderia ser responsável por uma escolha tão importante. No fundo, ela sabia que aquilo não era o mais importante pra vida deles. Ela aguentou o tranco e levou sua vida em frente. A relação dos dois esfriou, mas ainda havia alguma coisa entre os dois. A saudade aparecia vez ou outra de um jeito impossível de esconder. 

Eles passaram a se encontrar vez ou outra. Ela esquecia o mundo nos braços dele. Ele viajava no corpo dela e já não conseguia pensar em outra coisa, nem em outra pessoa. Ele queria aquilo todos os dias. Não tinha mais porque nem como esconder sua felicidade. Ela só pensava em se divertir. Ela só queria dele o que ele podia lhe dar de bom. 

Não perceberam o tempo passar. Ela foi aprendendo a relevar a culpa que sentia quando precisava mentir e desligar o celular. Ele arrumava sempre um jeito de escapar da desconfiaça da mulher. Os dois foram construindo uma vida juntos, mas nunca conseguiram se priorizar. Nunca tiveram coragem de assumir seus sentimentos além daquele quarto de hotel. Havia o medo de que um vivesse desconfiado do outro, caso resolvessem se casar. Havia o medo de que toda a paixão se acabasse, quando resolvessem viver uma verdade. A relação deles era perfeita daquele jeito. Não existiam cobranças, não existia ciúme. Quando estavam juntos não tinham tempo pra outra coisa a não ser se amarem. 

Até que um dia o destino os colocou contra a parede. Chegou o momento em que precisaram escolher entre aquele amor ou o resto. E foi então que eles perderam o controle e o amor foi mais forte que a vida.