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quarta-feira, 7 de julho de 2010

A Copa do mundo é nossa...


“A Copa do Mundo é nossa, com brasileiros, não há quem possa!”. Você já ouviu a frase de que brasileiro não desisti nunca? Pois é esse sentimento que me toma nesse momento. Apesar da dor, da desesperança, e do gosto amargo em admitir que não somos os campeões do futebol em 2010, sinto que temos plena consciência de que somos campeões em paixão, emoção e ternura por esse iluminado pais.
É por isso que digo que a Copa do Mundo é nossa. Talvez em nenhum outro lugar do mundo as pessoas se mobilizem tanto, e formem essa linda corrente de união que se vê durante o campeonato. Somos um povo lúdico. Sim! Um povo que acredita fielmente no poder das cores verde e amarela, na força da batucada, na crença de que temos uma energia e uma raça vistas em poucos lugares do planeta.
Acho importante acreditarmos e nossa capacidade de nos encantar. Diante de um mundo em que tudo é tão preto e branco, que acaba virando cinza. Onde as coisas e pessoas são valoradas conforme a lei do mercado financeiro e, devido a isso, tudo acaba sendo muito nivelado por baixo: as coisas perdem o poder de surpreender... acho sim importante acreditar. Acreditar que somos um pais campeão, os reis da bola, a cultura de um povo alegre, humilde e trabalhador.
Mas que seja bem lembrado. Que o espetáculo não sirva apenas de pão e circo, mas como motivação para prosseguir. Sim, não fomos campeões, mas ainda há 2014.
Tudo tem um fim. Mas que o fim seja o início de novos ciclos e possibilidades. Espero sinceramente que esse seja o rumo da Copa de 2014. Eu, infelizmente, terei de abandonar a escrita nesse blog, pois novos caminhos me impedem de garantir a devida atenção e carinho que esse espaço merece. Porém, apesar de optar por novas rotas, não posso deixar de agradecer por essa oportunidade e de reconhecer que, espaços como esse são pontos de luz a iluminar as nossas vidas, muitas vezes tacanhas e tímidas no jeito de ser.
Acho que, assim como esses campeonatos, que são organizados para unir e disseminar a alegria, o amor e a paz, espaços cibernéticos com propostas realmente comprometidas com a verdade e a saúde, tal como esse site o é, são possibilidades de lançar palavras que produzam a melhoria e a qualidade de muitas vidas.
Agradeço de coração, meu coração estará sempre aberto a vocês.
Beijos, Tati Mitleton

terça-feira, 15 de junho de 2010

Pra não dizer que não falei das flores

Hoje eu fui caminhar na USP com a minha mãe. Acordamos bem cedo, às cinco e cinquenta da manhã (aff!), naquele frio de congelar, e fomos, corajosas, realizar a caminhada.

Sabe como é, frio, manhã, e cama quentinha não combinam. Ainda meio tonta, pensei cinco vezes antes de levantar da cama. Resisti. Era preciso começar a rotina de exercícios que havia parado há dois meses.

Enfim, levantei. Minhas pernas estavam frouxas e, já em frente a pia do banheiro pensei se valia mesmo a pena jogar aquela água gelada no meu rosto, e me submeter ao ato penoso de ter que escolher a roupa que vestir, e colocar, dolorosamente (já que estava muito frio), a cacinha, o top, a blusa, a calça, o moletom, o casaco e o cachecol (preguiça pouca é bobagem, não é mesmo?). Meu corpo recuava. Corpo nenhum acostuma aos remotos 10º graus! Que ousadia achar que eu, uma mera mortal, enfrentaria impune ao poderoso coquetel de frio, sono e preguiça.

Contudo, sempre há as mães. E ela me acordou, encorajando-me. Enfim, pelo menos havia concordado em levantar da cama e estava obstinada a calçar seus tênis. Não havia como voltar atrás! Mamãe iria caminhar.

Não sei como cheguei à USP. A mão divina me abençoou. Estacionei e SURPRESA! Pista de correr fechada. Ah não! Os portões atravancados já somavam outro obstáculo a minha pouca fé na caminhada.

Porém, já que estávamos lá, lá resolvemos ficar, e fomos caminhar por ali mesmo, ao redor do lago, entre as árvores... entrecruzando os arbustos.

Aos poucos o entorpecimento foi dando lugar a admiração diante daquela paisagem. O lago, em sua áurea de mistério, estava coberto de uma neblina branca, que tornava belíssima a imagem. O sol, já começava a atingir o topo das árvores, tingindo de dourado aqueles altos e imponentes monumentos. O céu estava azul. Impressionavelmente (se me permitem o neologismo) azul, como se todo aquele anil nos abraçássemos. O ar fresco e puro, as flores em suas cores intensas, os pássaros, tudo transmitia felicidade e paz.

Eu estava extremamente feliz, minha mãe estava feliz, e tivemos uma manhã muito agradável.

Esse pequeno relato diz muito do que quero dizer, ou melhor, transmitir. É certo que os animais, os vegetais e os homens fazem parte de um equilíbrio tênue e fundamental para a existência do planeta. É certo que qualquer alteração nesse equilíbrio trará alterações irreversíveis a nós e a nossa forma de viver. É certo que devemos primar pela sobrevivência dos animas ameaçados de extinção, para que essa cadeia ecológica não se quebre.

É certo. Mas eu não quero falar aqui do que é politicamente correto. Eu quero dizer do que nos torna humanos, demasiado humanos.

É essa nossa capacidade de nos encantar com a beleza do mundo, de apreciar as cores, os cheiros e os gostos de uma bela manhã, que nos dá o caráter da humanidade. É essa capacidade de nos entregar ao belo que nos distingue da barbárie.

Apreciemos, então, a beleza:

• Apreciemos esse azul, que não é do céu













Palanca azul[1]

· Apreciemos esse verde, que não são das árvores
 













Periquito da Carolina[2]







· Apreciemos esse dourado, que não é do sol







Leão do Atlas[3]



Apreciemos a humanidade, pois, diante de tanta barbárie, creio estar em vias de extinção.

Tatiane Mitleton, sem mais nada a dizer.
[1] Palanca azul, originária da África, extinta no século XIX.
[2] Periquito da Carolina, originário dos EUA, extinto no século XX.
[3] Leão do Atlas, originário do norte da África, extinto em 1922.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Eu quis fazer uma canção pra ela... para cantar depois do Carnaval...

“Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que distante.” (Oswaldo Montenegro).

Ufa! Às vezes é necessário um respiro, um suspiro, uma canção para aliviar a carga. Eu escolho a arte.

Falo como alguém que já penou pela vida, procurando alguma coisa prazerosa e que valha a pena investir. Para mim, a coisa que mais vale a pena investir é na beleza da vida.

Assim, quando observo uma escultura, uma pintura ou uma peça de teatro, não me contenho nas formas, estéticas e adereços, mas me fixo na grandiosidade da alma daquele artista, que só pode ser transmitida, em seu ideal tamanho, através de uma obra artística.

Eu não gostava de teatro. Achava-o muito caricaturado, esteriotipado, artificial. Em nada me atraia aquele jeito assoberbado de falar do ator, ou aqueles panos e palcos elevados que, ao meu ver, se distanciavam da beleza natural das coisas.

Contudo, foi pela beleza da alma do ator que me apaixonei. Em seus olhos via um fogo de vida, nunca visto antes. A sua boca recitava com sabor e propriedade os poemas que tanto me enchiam de prazer e dor. O seu corpo bailava conforme a pulsação de seus afetos e, via ali, encima e acima do palco, um homem entregue para e pela vida.


O que significa viver intensamente? Viver não deveria vir acompanhado da palavra intensamente, pois, quando realmente se vive, estamos imersos no fluxo das coisas. Corpo, alma e coração estão juntos no processo de ir vivendo. Assim vejo o ator. Quando em palco, vive. E se enganam aqueles que acreditam que o autor reveste uma máscara.

Em cena, o ator se despe de todas as pesonas, de todas as suas personalidades, e se coloca ali, corajoso e nu, frente ao público, para tentar apreender, mesmo que sutilmente, a alma do papel interpretado.

É esse ato de alcançar o inalcançável que me surpreende no teatro. Quem de nós já tentou respandlescer como o sol, ou brilhar como a lua, ou talvez captar a sutil docilidade do olhar de seu cachorro? Quem já se pôs a voar, ou pode alcançar a essência das coisas da vida? Talvez só os santos.

Me passa pela cabeça a imagem do filme “Irmão Sol, Irmão Lua”, que retrata a vida de Santo Agostinho. Com os pés descalços e o corpo nu, a única intenção desse homem era se unir às coisas da natureza e entrar e contato com o divino.

Eu acho que o teatro tem essa sacralidade e essa dimensão cósmica de fazer unir as pessoas e as coisas do mundo.

Carpe diem, Tati Mitleton

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Só para brincar com fogo



OI DELÍCIA, TUDO BEM? NOSSA, QUE TESÃO QUE VOCÊ ME DÁ. QUE BOQUINHA MAIS GOSTOSA QUE VOCÊ TEM. E A SUA BARRIGUINHA... AI, SÓ DE PENSAR DÁ VONTADE DE LAMBER ELA INTEIRINHA. TÔ IMAGINADO O CORPO QUE ESSA SUA ROUPA ESCONDE. IMAGINE VOCÊ, COMO VEIO AO MUNDO, SÓ PARA MIM. UM DIA EU TE PEGO DE JEITO, COISA GOSTOSA!
Rsrsrs Estranho? Sente-se constrangido? Incomodado? Ou melhor, excitado!
Acho que a luxúria é um dos pecados que mais nos esforçamos para esconder. É uma faceta de nossa personalidade que não é bem aceita como a gula, ou a preguiça. É algo velado, que só se comenta em determinados ambientes e com certas pessoas de muita confiança.
Afinal, não é para todo mundo que você diz que quase não se segurou de tesão de vontade de “comer” aquele(a) colega. E já que estamos tratando desse assunto, acho que as palavras aqui não devem ser eufêmicas. Ninguém diz: - Aí querido, gostaria de ter uma relação sexual contigo. Ou, seus beijos fazem com que o meu corpo se lubrifique. (Rsrsr) É de cortar qualquer barato, não é? O fato das palavras empregadas no ato sexual ou no jogo do prazer serem mais vulgares, revela o ato proibido da luxúria. Aquilo que se dá na alcova, longe dos olhos e do senso de moralidade.
O prazer da luxúria vem justamente desse proibido. O perverso de desejar o outro como um objeto de prazer, o outro como um dispositivo para a nossa satisfação.
No entanto, perversões e fetiches à parte, me chamou a atenção essa nossa dificuldade em falar da luxúria. Porque é tão difícil, principalmente para nós mulheres, chegar para o nosso pai e dizer: - Nossa pai, aquele menino me deixa excitadíssima. Ou ouvir o seu pai falando: - A sua mãe ainda hoje, depois de anos de casado, me deixa louco de tesão. São exemplos para instigar mesmo!
Afinal, há algum problema em você dizer para o seu pai: - Nossa, tô com uma preguiça... ou: - Comi demais? Porque com o prazer sexual tem de ser diferente?
E pensando nessas coisas cheguei a uma descoberta que pode esclarecer um pouco as coisas. De todos os pecados, a luxúria é a que está mais próxima de usar o outro ser humano como um objeto de nosso prazer. Na avareza o objeto é o dinheiro, na gula, a comida, na ira ou na inveja, os sentimentos recaem sobre o outro, mas apenas os sentimentos, não utilizamos, tal como acontece na luxúria, o corpo do outro para a nossa satisfação.
Dessa forma, a luxúria é o pecado que deixa mais evidente o uso do outro como objeto. E é um uso egoísta e exacerbado, que prioriza apenas o bem próprio. Dessa forma, não há de se admirar que seja classificada como pecado, já que está intimamente ligada com diablos (divisão).
Aprendi que Deus é aquilo que une, congrega, comunga. É a possibilidade de encontrar o outro em sua plenitude e graça, reconhecendo o ser humano existente na pessoa à frente. Contudo, os pecados, tal como a luxúria, insistem em reduzir o outro a um fetiche, fantasia, bonecos de nosso desejo. E aí, meus amigos, alguém pode sair machucado, ou você, que perde o brinquedo, ou o brinquedo, que acaba por tornar-se somente isso.
Porém, aos diabos com a moralidade! Somos adultos, e como adultos temos o direito de brincar de vez em quando, não é mesmo? Não é uma delícia ter uma Barbie nos finais de semana, só para você? Ou, para as moçoilas, um Ken bonitão ao seu lado?
Mas lembrem-se, acordem quando puderem, porque a brincadeira pode se tornar realidade. E quem brinca muito com fogo (ui!) faz xixi na cama.
Abraços e beijos calientes, Tati Mitleton

quarta-feira, 12 de maio de 2010

PENSO, LOGO CINDO.


“Penso, logo existo.” – já dizia o bom e velho Descartes.

Ah, o pensar... essa propriedade que nos torna humanos, demasiado humanos, tal como Nietzsche gosta de nos referir.

Filósofos – esses “pensantes” que de tanto pensarem tentaram definir e compreender o que é o homem e como ele age no mundo.

A filosofia foi à mãe de todas as disciplinas. É dela que se originou todo o conhecimento existente. É ela que colocou o homem no status em que se encontra: rei do universo.

No entanto, não existiria filosofia sem a maravilhosa capacidade do pensar. Esse milagre que nos permite compreender quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir. O raciocinar que atua no homem não é um mero pensar, tal como faz o cachorro que, utilizando mecanismos sinápticos de seu cérebro, sabe que não deve entrar em casa senão levará uma bronca.

O raciocinar é um fenômeno mais complexo. Ele envolve uma série de recursos imaginativos, de memória, reflexão e abstração, que permite que o homem se coloque em termos futuros ou que o remeta ao passado, preso, por exemplo, às memórias de uma intensa paixão ou de momentos felizes. É o raciocínio que possibilita pensar-se homem, vivendo este momento, em determinado contexto específico.

Enfim, o pensar foi e é o que define a humanidade tal como hoje se estrutura. No entanto, o grande problema surge quando o homem se resume ao pensar. Explico melhor: quando o intelecto se faz tão presente e predominante à ponto de não ouvirmos nossas sensações, sentimentos e (àqueles que crêem) intuições, aí reside a casa do diabo.

Não, não se trata de uma seita ou de qualquer questão espiritual. Epistemologicamente a origem da palavra “diabo” vem de divisão, daquilo que segrega, fragmenta, distancia. E é isto que muito tenho visto por aí. Cabeças pensantes, mas com completa dissociação do corpo. Ou, ao contrário, corpos esculturais, mas sem nenhuma cabeça.

À partir disso, não demora muito para surgirem as doenças psicossomáticas, as crises de ansiedade, os estados depressivos, as anorexias...

A experiência que tive, graças ao teatro (sou atriz) ensinou-me que o corpo não só fala, ele pensa. O corpo pensa por todos os poros, por todos os espasmos, por todos os sentidos. Tato, audição, olfato, visão e paladar são sensores que garantem ao corpo memórias que serão indelevelmente registradas e arquivadas no “pensar” do corpo. Diante de uma nova situação, todo o corpo reage, buscando memórias já vividas e guardadas.

É isso o que, no teatro, leva a um dos conceitos de “memória corporal” ou “memória emotiva”.

Contudo, tornamo-nos leigos corporais. Perdemos a sensibilidade fina de nos antenarmos com o corpo e apreendermos a rica contribuição que ele nos garante. Os yoguis já sabiam disso, através da yoga (união) entre corpo, mente e espírito.

O corpo é um grande mestre a nos ensinar. Portanto, da próxima vez que tiver de tomar uma difícil decisão, pare um momento e ouça o que o seu corpo como um todo lhe diz.

Concordo, Descartes, que o homem começou a existir quando se tornou capaz de pensar. Mas adoecerá se somente pensar e não aprender a se “corporificar”.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Eu vejo flores em você



Ontem eu recebi flores. Sem nenhum motivo lá estavam elas, lindas e róseas nos braços do meu recente namorado. Sim, estou namorando depois de um período de pausa, reflexão e escolhas, e me entregando as delícias de conhecer e descobrir o que significa o outro.

Essa pequena exposição íntima que aqui faço possui um motivo. Eu não sei o que é uma mulher. Não sei mesmo. Eu pensei, pensei e só sei que compreendo a mulher em mim. As outras mulheres... são tão especiais em suas diferenças! Umas tão irreverentes, outras tímidas, umas ousadas, outras recatadas. Qualidades que destacam cada uma e que não permitem comparações.

Mas quanto à mulher que há em mim, dessa posso falar alguma coisa, porém não tudo, pois faz parte da alma feminina abarcar certo mistério. Desde a possibilidade de gerar outra vida, até as escondidas artimanhas que se utilizam para seduzir e encantar, as mulheres carregam em si o mistério perseguido pelos homens.

Os homens trazem em si certo encantamento por esse feminino, por essa capacidade, inerente às mulheres, de acolher, compreender, e ao mesmo tempo suportar as dores. Porém, o que descobri ontem foi que também a mulher necessita da alma masculina para se tornar mais mulher. O masculino delimita e exalta as qualidades femininas. Faz-se necessário sempre uma pitada de sensibilidade feminina ao dinamismo e empreendedorismo aplicado pelos homens. Da mesma forma, a alma feminina completa-se com a iniciativa e a objetividade característica do masculino.

Quando um homem reverencia uma mulher com flores, implicitamente pretende revelar que enaltece as qualidades femininas existente na simbologia das flores. Delicadas e exuberantes, as flores transmitem a sensibilidade e a beleza existente no mundo. Aceitando-as, a mulher legitima a iniciativa e a coragem existente no homem. Entregando­-as o homem reconhece e enaltece a beleza feminina. Nessa troca, ambos se complementam e fortalecem.

Ao saber disso, a filosofia milenar assinala: “As mulheres têm a masculinidade dentro de si e os homens têm a feminilidade. É preciso equilibrar tudo isso dentro de nós quando nos tornamos adultos.” (Agnes Pilgrim)1

“Eu vejo flores em você2.”

Até mais, Tati Mitleton

1. Agnes Pilgrim é uma avó da tribo takelma, localizada nos Estados Unidos. Essa frase foi retirada da revista “Vida Simples” de Maio de 2010, edição 92, p. 43.

2. Flores em Você, música da banda Ira, composição de Edgard Scandurra.




quarta-feira, 21 de abril de 2010

“I CHALLENGE YOU”

“Eu desafio você.” Eu desafio você a conhecer seu maior desafio.

Pense rápido. Qual é o desafio de sua vida?

Os pequenos desafios diários todos nós conhecemos, e acreditem, por serem diários ou pequenos, não são menos difíceis. Afinal, quem nunca foi desafiado a permanecer na cama quando acorda pela manhã em um dia frio? Ou, quem nunca resistiu a um belo mousse de chocolate no primeiro dia da dieta? Ou ainda, quem nunca aguentou firme uma palavra atravessada, uma raiva ou uma mágoa em nome de uma relação? Em momentos assim é melhor contar até três e seguir em frente...

Esses pequenos desafios superados são os que nos transformam nos heróis de cada dia. Vencer a cada pequeno desafio é o que coloca a vida em movimento, e o que nos faz evoluir.

Mas além desses, há os desafios consideráveis. Aqueles que nos acertam na boca do estômago e nos deixam sem palavras, ou melhor, sem ação. Como superar a traição de alguém querido? De que forma caminhar após uma recusa de emprego? Como viver após a perda dos pais?

Esses desafios são momentos cruciais em nossas vidas. São fagulhas que despertam reflexões profundas sobre o que somos, quais são nossos valores, de onde viemos, e para onde queremos ir.

É nesse momento que retomo a pergunta inicial: qual é o desafio de sua vida?

O desafio de nossas vidas é o que nos move intimamente. É aquele que, se realizado, nos permite chegar ao fim de nossa caminhada com a frase: - Eu fui feliz. É aquele que é porta direta para a felicidade.

Por isso, se seu maior desafio é ter sucesso, ser reconhecido, ser rico, constituir família ou simplesmente ser feliz, pense sobre ele agora, pois é a partir dessa questão que o desafio poderá tornar-se concretização.

*Tatiane Mitleton*

quarta-feira, 14 de abril de 2010

INAUGURAÇÃO

                                     

A inauguração marca um momento. É o dia “D”, onde os sonhos e os projetos idealizados e aguardados por tanto tempo são, finalmente, inseridos na realidade.

É um dia decisivo, em que os dados são lançados e o jogo da vida começa, trazendo suas surpresas, dores, mas também muitas felicidades.

Penso que se deve sempre ter coragem para inaugurar as coisas de nossas vidas. Enquanto sonhos, nossos planos são sempre embalados em nossos colos acolhedores, livres de fracassos e decepções. No entanto, quando o esperado dia chega, é preciso ter coragem de abrir os braços e deixar que os nossos tão adorados projetos e ideais, lancem-se a realidade e provem o seu valor.

É uma experiência, muitas vezes, envolta de medos, expectativas e ansiedades, mas também plena de felicidade e esperanças, já que, apenas quando se estabelece o início, apenas quando se dá o primeiro passo, é que a vida realmente se firma e se realiza.

O herói é aquele que deixa o aconchego do lar para empreender a sua própria jornada. O verdadeiro pássaro é aquele que abandona o calor e a proteção do ninho e se lança ao voar. Como, pois, ser pássaro ou homem sem, constantemente inaugurar-se?

Para mim inauguração é isso: é tornar-se cada vez mais humano, ao ter coragem de lançar-se a cada aventura, ao apostar nas possibilidades e confiar na potência de seu sonho, ao, sobretudo, saber-se mais forte a despeito das ventanias, tempestades ou obstáculos que apareçam pelo caminho.

Inaugurar-se é renascer a cada momento. Inaugurar um projeto é renascer na coisa inaugurada. E são nessas pequenas, mas importantes inaugurações, que a vida se frutifica.