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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Adorável Psicose

Tema da Semana: Limites.

Sua vida era um tênue limite. A beira de um ataque de nervos, passava tardes escaldantes em frente a maquina de escrever num incansável processo de datilografar meias frases para rasga-las logo em seguida em chuva de papel picado que se espalhava por toda sala.

Ensaiava todos os dias a cena final do romance, mas lá pelo fim da tarde já não sabia recitar nem a primeira fala. Queria falar-lhe as coisas do coração, as que entalavam no peito e faziam revirar as ideias. Porém, sua voz ultrapassada a garganta era inaudível aos ouvidos alheio, enquanto aos próprios berravam-lhe os pensamentos.

Entre amor e ódio vivia tórridas paixões, entre desejo e repulsa virava as noites, gargalhadas e choro se alternavam tão rapidamente que mal sabia-se quando era um ou outro. Aquela inconstância toda perturbava lhe o sono, o apetite, o trabalho, a disposição para viver e, principalmente, todos que a cercavam.

Há 10 anos sua vida era sim. Os 12 meses vinham infalíveis um a um trazendo a tormenta, o desespero da alma, a voracidade da gula, a luxúria que lhe tomava o corpo. Nos primeiros anos culpara a adolescência, com seus insolúveis problemas e a conturbada descoberta dos amores impossíveis. Com o passar dos anos já não tinha mais a quem culpar, senão o destino que a fez mulher.

Dedico esse post a todas as meninas que, assim como eu, vivem suas improváveis TPM no limite da loucura.

Cah*

P.S.: Meninas, muito obrigada por deixarem eu matar a saudade!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

2011 Promete!

Nunca fui muito apegada a crendices e ritos de passagem usuais, não à toa fazia mais de quatro anos que vestia preto na virada, talvez só para provar que não importa a roupa que você rompe o ano, mas sim suas ações ao longo dele. De vez em quando eu mesma inventava uma mandiga ou outra, mas nada que seguisse a risca por mais de duas viradas.

Desta vez não inventei muito, fiz tudo como manda o figurino: vesti-me de branco e comi lentilha, agradeci por tudo e todos e pulei sete ondinhas.

Mas em um aspecto eu resolvi inovar, em vez de prometer uma lista de coisas, decidi cumprir uma promessa no reveillon. Meses antes das festas, tinha me prometido passar a virada de frente para o mar, pés na areia e coração leve em brisa. E foi assim, que eu vi 2010 mergulhar no mar e 2011 se levantar para mim despontando infinitas possibilidades no horizonte da vida.E assim espero que siga este ano, menos promessa e mais ação.



Um feliz 2011 a todos os meus queridos leitores!

Beijos e até semana que vem,
Cah*

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Chaves e Besouros







"When you were young and your heart was an open book
You used to say live and let live
But if this ever-changing world in which we live in
Makes you give in and cry
Say live and let die”
Paul McCartney












Sinto o vento me abraçar. Já não recordo a ultima vez que estive aqui, vejo em sépia a antiga casa. Carrego no peito a chave de libertar pensamentos e sem esforços destranco a fechadura da porta da frente. O cheiro me acerta em golpe o estômago, o odor da velhice entremeia paredes, pouco faz lembrar a doce infância. Portas e janelas há muito fechadas guardam segredos de outras épocas, suspiros de outros amores se escondem por detrás das pesadas cortinas. Os retratos, antes espontaneamente alegres, agora esboçam sorrisos amarelo de saudade, desses que se dá quando não se pode mais chorar.Pela janela, entre os vidros quebrados, avisto o céu azul áfrica. Só de existir indefectível lá fora, alguma coisa muda em mim e a chave guardada no peito abre mais um caminho no destino.


Ruflando de par em par, minhas asas alçam púberes vôos para além do provável.


Cah*

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Garçom, por favor, mais uma taça para Adélia.

Essa semana li uma entrevista da Adélia Prado na edição número 01 da Lola Magazine, apesar de curtinha, a entrevista era densa em conteúdo. Abordando diversos pontos interessantes do mundo feminino e do estilo de vida peculiar da escritora, muita do que ela falou me inspirou a enxergar certos aspectos da vida com outra ponderação.

Depois de passar um mês de cão em busca de serenidade e equilíbrio para encarar minha existência, conciliando a vida profissional, acadêmica, social e familiar, para tudo funcionar na sua devida maneira a despeito dos problemas pelos quais eu estava passando, percebi que sofrer menos ou mais é uma questão de escolha e postura.

O sofrimento é quase inerente à nossa existência, sempre estaremos passando por momentos difíceis, se recuperando destes momentos ou mergulhando de cabeça em situações que nos levarão aos maus bocados. Tudo é uma questão de saber se colocar frente a ele, encará-lo com jeito, dobrá-lo e guardá-lo no bolso. Pois o conflito que o sofrimento nos causa, traz aprendizado para a vida, tal que você nunca aprenderá na universidade, mas que levará para sempre consigo.

Em certa parte da entrevista, quando questionado sobre amor, sacrifício e recompensa, Adélia profere um discurso que me pegou de jeito:

“A experiência amorosa exige sacrifício. Não se ama para ser recompensado. O amor é sua própria recompensa. (...) Do ‘sacrifício’ de amar nasce a mais perfeita alegria. Ninguém faz cara feia quando se sacrifica por amor.”

Daí eu tirei minha grande lição do dia, transpirando clichês, mas transbordante de verdades:

Se for pra sofrer que eu sofra de amor, se for pra cair que eu caia na gargalhada com meus amigos e se for pra doer que doam meus pés de tanto dançar ou a cabeça depois de alguns mojitos.

E com esse bom humor, pretendo seguir andando.

Beijos e até semana que vem!
Cah*

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eu quero ter um milhão de amigos!


Eu quero ter um milhão de amigos! E conhecê-los todos em seu todo. Em suas ínfimas particularidades e gostos. Ter longas conversa de bar nas segundas-feiras mortas, falar sobre como vamos mudar o mundo depois de formados e como vamos educar nossos filhos quando deixarmos de sê-los. Escutar os discos, os problemas e os chamados no meio da madrugada. Oferecer a mão, o ombro e o braço e receber um milhão de abraços nas quedas desta vida. Descobrir os tesouros de infância guardados a sete chaves na velha caixa de brinquedos. Construir tesouros do futuro, reconstruí-los se for preciso, e dividi-los com meus milhares de amigos. Quero-os em seus poros, pelos e afetos. Todos habitando em mim. Na minha casa os receberei para jantares regados a vinhos e risadas. Até alta madrugada seremos reis e rainhas em nosso palácio de felicidade. Faremos viagens memoráveis e fotografias espontâneas. Choraremos juntos e também riremos juntos muitas vezes depois. Escolhidos com calma a paciência de um velho mago, eu os acolherei com o infinito amor maternal e os levarei em mim para além desta vida. Eu quero ter um milhão de amigos! E não estou falando em Facebook, MSN ou coisa que o valha. Não quero números na minha conta, perfis com fotos plásticas e descrições em Ctrl+C Ctrl+V. Desses eu já cansei!

Dedico a todos que já fazem parte deste um milhão.

Com amor,
Cah*

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Meu Querido Amigo, o Autor

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Não lembro exatamente qual foi o primeiro livro que li ou ganhei. Mas lembro detalhes do meu primeiro (e único) livro autografado pelo autor, da emoção de encontrar alguém tão inspirador e do sentimento estranho de estar diante de um senhorzinho que não conhecia pessoalmente, mas que no fundo era meu amigo de longa data. Seus livros acompanharam minha transição da infância para adolescência, me fizeram entender um pouco do Brasil do qual eu não participei e amadureceram meu gosto pelas histórias cotidianas bem contadas. Aliás, até hoje suas histórias me acompanham e me confortam, sempre com um perfume de novidade, por mais que seja a décima vez que leia a mesma crônica. Feira do Livro em Belém, no ano de 2001. No alto de meus 11 para 12 anos, aguardei uma ansiosa semana pela tarde de autógrafos. Meu irmão, Filipe, sempre companheiro dos eventos culturais e incentivador de leituras, foi o encarregado de me levar naquele dia. Assistimos a interessantíssima mesa redonda num anfiteatro abarrotado de leitores fanáticos e depois aguardamos (im)pacientes na fila. Não demorou mais que 5 minutos o nosso encontro. De longe ele foi o famoso mais simpático que eu já conheci, com suas bochechas rosadas e gordinhas perguntou meu nome, respondi entregando o livro comprado na feira mesmo. De sorriso aberto elogiou minha beleza enquanto autografava o livro, ao devolvê-lo não me contive e o cumprimentei, ganhei um beijo no rosto e fui feliz. Essa foi uma época antes de Crepúsculo ou da difusão da internet. Quando os pré-adolescentes não eram vistos como um público alvo de grande expressão. A febre Harry Potter estava ganhando fôlego no Brasil. Enquanto isso equilibrávamo-nos entre as histórias da série Vagalume e de livros como Christiane F. Dava tudo certo mesmo assim. Guardo com muito carinho o livro “Comédias para se ler na escola” autografado pelo meu querido Luís Fernando Veríssimo. Guardo com mais carinho ainda a lembrança daquela tarde quente em que ele o autografou. O livro por si só não teria deixado tantas lembranças se não fosse por este doce encontro com o seu autor, por isso ambos estão marcados para sempre em minha vida literária. E vocês, meus queridos leitores, qual livro entrou para sua história? Beijos e até semana que vem, Cah*

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Sabedoria Popular, todo mundo tem!

“Suco de uva é bom para as coisas do coração!” Essa foi a primeira frase que escutei hoje. Estávamos no ponto de ônibus, eu e uma senhora miudinha, de repente ela virou e falou isso. Demorei uns 10 segundo para processar o que ela havia dito, um tanto porque não fazia nem meia hora que eu estava acordada, outro tanto porque não é algo que a gente espera escutar de alguém desconhecido num ponto de ônibus e fora de qualquer contexto. Só consegui responder um chocho “é, acho que sim”. Depois da minha resposta desconsertada ela continuou a falar sobre as tais coisas do coração e do suco de uva. Disse que estava com o coração acelerado estes últimos dias, como se ele fosse saltar pela boca a qualquer momento, por isso tinha comprado uvas para fazer um suco e completou que era importante bater bem as sementes. Então voltei para casa (ela me contou também que eu havia perdido o ônibus) pensando em como as pessoas, principalmente as mais velhas, sabem de algumas coisas que a gente não tem a menor idéia de onde surgiram. Mas elas sabem e, na maioria das vezes, estão certas. Acredito que os mais velhos saibam sobre muitas coisas não só pela voz da experiência, mas em grande parte pela sabedoria popular que é passada assim no boca a boca, de pai para filho. Essa inteligência meio misturada com esperteza em relação à vida vem de coisas simples, de experiências e observações do dia a dia. Junto com as rugas elas vão sendo acumuladas durante os anos e assim como os genes, passadas de geração em geração. Algumas vão sendo desmitificadas pela ciência, como o famoso caso da manga com leite, outros vão se mantendo, como nadar depois de comer pode dar congestão. Até eu que não sou tão experiente assim, já tenho minhas doses de sabedoria popular, muitas adquiridas dos meus avós e pais, e outras inventadas pro mim com base nas minhas próprias observações. Por isso, não deixei de procurar no Google a relação do suco de uva com o bom funcionamento do coração, e não é que lá estavam milhares de resultados que comprovavam a tese da senhorinha. Transcrevo abaixo uma parte do que li: “Uma tese de doutorado realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo comprovou que o suco de uva tem o mesmo efeito vasodilatador do vinho, com a vantagem de não produzir os efeitos colaterais do álcool.” Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u2504.shtml Ah e pra quem acha que a sabedoria popular pára no quesito saúde, está muito enganado. Esta “ciência” se aplica às mais diversas áreas, dá dor de cotovelo aos cabelos caindo tem-se uma explicação, solução ou pelo menos um comentário. E vocês, meus queridos leitores, tem alguma premissa popular infalível? Beijos e até semana que vem! Cah*

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Pará, o Estado de Mil Sabores

“Tem pato no tucupi Muçuã e tacacá Maniçoba e tucumã Açaí e aluá” E tem muito mais! Tem açaí, cupuaçu, bacuri, bacaba, pirarucu,muruci, buriti, aviú...e a lista de iguarias tipicamente paraenses não para por aí.Composta por um mix das culinárias indígena, africana e portuguesa, a cozinha paraense oferece pratos jamais vistos em outras partes do mundo e frutas encontradas só na Amazônia. A mandioca é base da alimentação, dela são extraídos os mais diversos ingredientes que servem tanto para a alimentação básica e diária, caso da farinha de mandioca, quanto para os pratos mais elaborados, como o tucupi utilizado no tacacá. Das folhas trituradas obtém-se a maniva, massa verde e de sabor amargo que serve como base para a maniçoba, ou em tradução livre a “feijoada indígena”. Um prato de aspecto meio duvidoso no inicio, mas de sabor inigualável. O modo de preparo é bem parecido com o da feijoada tradicional, mas no lugar dos feijões cozidos por algumas horas entra a maniva cozida por uma semana para tirar todo o veneno que a folha da mandioca possui. Um prato no mínimo intrigante, eu diria. Da raiz podemos obter por meio de um processo bem artesanal a farinha de mandioca, a goma (base da tapioquinha e ingrediente do tacacá), a farinha de tapioca e o tucupi. Dos rios vem o acompanhamento de muitos pratos, peixes para todos os gostos e de todos os tamanhos, camarões e caranguejos ( ok, eu sei que caranguejo vem do mangue, mas vamos simplificar). Como em um único texto é impossível abordar e explicar todos os pratos que compõem a culinária paraense, escolhi falar de um prato que considero fascinante: o tacacá. Este prato, ou melhor, cuia, merece destaque neste texto por juntar tão bem os ingredientes tipicamente indígenas. Eu, particularmente, A-D-O-R-O! Principalmente por conta da explosão sensações (e claro, sabores) que este prato proporciona, não gente não se trata de nenhum alimento alucinógeno, vocês já entenderão do que eu estou falando. Composto de quatro ingredientes básicos: Goma, é literalmente uma goma feita do amido extraído da mandioca. Tucupi muito quente, é um caldo amarelo de sabor levemente azedo, mas muito surpreendente. Jambu cozido, parecido com o agrião por apresenta um leve ardume, mas com um efeito surpresa que deixa qualquer um intrigado. Na medida em que é consumido estas folinhas vão causando uma leve dormência nos lábios. Camarões Secos e Salgados. E mais temperos como alho, cebola e pimenta de cheiro, se assemelha muito com uma sopa, mais por ter forma de caldo e de ser servido quente, do que pela maneira como é consumido. Essa mistura de ingredientes com sabores marcantes e únicos, mas de uma harmonia espetacular, vai invadindo a boca e se revelando em toda sua potencialidade de sensações, na medida em que o Jambu vai adormecendo os lábios, o tucupi esquentando o corpo, a pimenta se fazendo presente e os aromas se combinando. Apesar de ser quase uma sopa, como já mencionei, este prato não é servido como uma refeição principal, ele é mais consumido do meio para fim da tarde, como um lanche, de preferência após a tradicional chuva belenense. É tipicamente uma comida de rua, vendida em carrinhos espalhados pela cidade. Então, se um dia você estiver passeando em Belém ou na região, não deixe de se surpreender com os sabores e aromas da culinária típica do Pará. Eu recomendo! Beijos e até semana que vem, Cah* P.S.: Sou uma paraense apaixonada pela comida típica do meu estado, que mora no interior de São Paulo e morre de saudades dessas comidinhas. Principalmente de açaí e com camarão no almoço, da sesta durante a chuva da tarde e tacacá no fim do dia. Vovó as próximas férias serão na sua casa!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O que é o que é?

São produzidas cerca de 500 bilhões por ano no mundo, demoram até 100 anos para se decomporem na natureza, são feitas de plástico e, com certeza, você deve ter pelo menos uma centena estocada na sua casa. O que é o que é? As Sacolas Plásticas! Famosamente conhecidas como sacolinhas de supermercado, quebram o galho para as mais diversas atividades, desde acomodar o lixo produzido em casa até servir de pára-quedas para os brinquedos do irmão (quem morou/mora em prédio ou sobrado, sabe do que eu estou falando rsrs). Mas não vá se enganando com estas utilidades, elas poluem e muito nosso planeta. Por isso, esta fama todas está com os dias contados no Rio de Janeiro, é que na sexta-feira, 16 de Julho, uma Lei Estadual importantíssima foi aprovada. Com uma idéia simples, porém de grande impacto, o governo do Estado do Rio de Janeiro está incentivando a redução do uso de sacolas plásticas nos supermercados. Não se trata da proibição total das sacolinhas, mas sim da obrigatoriedade dos estabelecimentos comerciais oferecerem três alternativas sustentáveis aos clientes. A primeira delas é fornecer sacolas retornáveis. Parece meio óbvio, neh!? Mas não para por aí! A segunda alternativa diz que o cliente que optar por não levar suas compras em sacolas plásticas, terá desconto de R$0,03 a cada cinco produtos comprados. Apesar de pequenino agora no início, o valor do desconto será corrigido anualmente por um índice que reflita melhor a inflação. Tá melhorando... A última prevê que a cada 50 sacolas devolvidas, o cliente tem direito de levar para casa um quilo de arroz ou de feijão ou mesmo de qualquer outro produto pertencente à cesta básica. E não pense que estas sacolinhas devolvidas serão descartadas irresponsavelmente pelos mercados, a lei cobra que estas tenham um destino ecologicamente correto e comprovado. Agora sim, ficou bom! Imagina só trocar aquele estoque sacolinhas por produtinhos de necessidade básica e ainda ter certeza que elas não serão descartadas indevidamente na natureza? Super legal! Além do mais, os estabelecimentos tem um ano para regularizarem a fixação de cartazes de conscientização do consumidor junto aos caixas e locais de empacotamento com a seguinte mensagem: “Sacolas plásticas convencionais dispostas inadequadamente no meio ambiente levam mais de 100 anos para se decompor. Colaborem descartando-as sempre que necessário, em locais apropriados à coleta seletiva. Traga de casa a sua própria sacola ou use sacolas reutilizáveis.” Em outros países, medidas parecidas foram tomadas e se mostraram muito eficientes. Como na Inglaterra, onde cada vez que os clientes levam sua própria (eco)bag ao supermercado, acumulam pontos que podem ser trocados por descontos ou ingressos para shows. Aqui no Brasil, uma Lei parecida foi implantada na cidade de Americana, interior de São Paulo, porém neste caso ela é mais radical e restritiva, a distribuição de sacolas plásticas está proibida. Em São Paulo, capital, uma lei que exigia a substituição de sacolas plásticas pelas reutilizáveis foi (infelizmente) vetada pelo Kassab. Que vergonha...tcstcs. Mesmo a Lei não tendo sido aprovada no Estado de São Paulo, eu já adotei as ecobags, tenho de vários tamanhos e estilos, desde a de lona bem grande para comprar as verduras, até as pequeninas de algodão para fazer comprinhas básicas. Que tal trocar as sem graças e poluentes sacolinhas de plástico por ecobags fashions como estas? Espero que esta lei dê frutos e vire algo nacional, pois antes do advento (se assim posso falar) das sacolas plásticas as pessoas faziam suas compras e eram felizes com suas sacolas de papelão. E vocês, se adaptariam bem a esta lei? Acham que vai pegar no resto do Brasil? Beijos e até semana que vem! Cah*

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Paradoxo e Preconceito

Se fosse para escolher uma palavra para definir os meus gostos, com certeza esta não seria HOMOGÊNIA. Logo eu que me desfaço em nuances de toda a sorte, ora com cores tênues de indiferença, ora com pinceladas fortes da paixão. Gostar ou desgostar de algo é um processo complexo. Tirando as coisas ruins do mundo, os sentimentos perversos e melancia, acho que não sobra nada para eu odiar de fato. Pois no final das contas, me interessa mais conhecer a particularidade que cada coisa ou pessoa encerra em si. Assim, gosto de experimentar de tudo, ouvir de tudo e freqüentar diferentes lugares, tanto que nunca me encaixei num grupinho rotulado ou pertenci a uma tribo. Sempre fui da galera do tudo junto misturado. Por isso, não vejo o menor problema de no sábado a noite assistir um concerto da Sinfônica e no domingo a tarde prestigiar um sambinha com os amigos. Gostar de Kubrick e Scorsese, mas de vez em quando me satisfazer com uma comédia romântica de Sessão da Tarde. Comer foie gras, mas não dispensar uma boa comida de boteco. Tendo a acreditar que uma alternativa não exclui a outra, mas abre um caminho de novas possibilidades, e estas ultimas em muito me agradam. Mas, por favor, não confunda isso com ‘ser encima do muro’. Pois experimentar, tolerar e gostar de tudo não quer dizer que eu não tenha opinião própria o suficiente para fazer minhas escolhas de fato. Do contrário, gosto de tirar minhas próprias conclusões sobre as coisas e para isso preciso conhecê-las quase minuciosamente. Muitas vezes, me pego experimentando coisas que, a principio, não teriam nada a ver comigo. Caindo de amores por algo que até então nem me despertava a atenção. Mudando de opinião sobre o mesmo assunto na velocidade da luz. “Leitores vulgares, perdoem-me meus paradoxos. É preciso fazê-los quando se reflete, e, digam o que disserem, prefiro ser homem de paradoxos a ser homem de preconceitos”. Compartilhando deste ponto de vista, vou seguindo o caminho entre paradoxos e preconceitos, sempre desviado do segundo e mergulhando de cabeça no primeiro. Cah*

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Felicidade Instantânea

“Tristeza não tem fim, felicidade sim...” Sabe aqueles dias que o Tom e Vinicius ficam cantarolando essa música na nossa cabeça, quando respirar dói e até a propaganda de sabão em pó faz a gente chorar? Nesses momentos quando os olhos estão marejados, a felicidade se torna o substantivo mais abstrato e distante que possa existir no universo e pensamos que nada vai nos tirar do poço. Até que começa a tocar uma canção distante no radio ou recebemos um SMS, pode ser um bilhete encontrado no fundo da gaveta ou alguém especial que apareceu de surpresa em nossa porta... Coisas que nos fazem sorrir, assim sem mais nem menos, muitas vezes em meio às lágrimas de angústia, elas se tornam o nosso fio condutor de felicidade. A essas coisas dou o nome de “pílulas de felicidade instantâneas”. E são essas “pílulas” que nos fazem seguir em frente, que nos dão o gás e renovam os ânimos para enfrentar mais uma segunda-feira difícil, um fim de semana de solidão ou mesmo para superar aquele pé na bunda. Até podem não resolver nossos problemas ou combater a causa de nossas tristezas, mas lembrar de momentos felizes já vividos, mesmo que seja por um segundo, faz a cândida felicidade de outros tempos invadir a alma e nos dar esperança suficiente para seguir em frente. Talvez, a felicidade seja assim mesmo, como Vinícius já cantava, findável. E a tristeza, como seu perfeito oposto, interminável. Como tudo o que é findável, dá espaço ao novo, não nos preocupemos com esses fatos! Pois isso não nos impede encontrar a tal da felicidade ao virar a próxima esquina dos sentimentos e renová-la todo o dia com nossas próprias “pílulas”. Hoje a minha pílula foi uma música, também da dupla Tom e Vinicius (daí a inspiração). E vocês, meus queridos, alguma receita infalível? Beijos e até semana que vem, Cah*

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uma Mente Tamanho do Universo

"Eu poderia viver recluso numa casca de noz e me considerar rei do espaço infinito..." Shakespeare, "Hamlet”, ato 2, cena 2. "Hamlet talvez quisesse dizer que, embora nós, seres humanos, sejamos muito limitados fisicamente, nossas mentes estão livres para explorar todo o universo e para avançar audaciosamente para onde até mesmo a 'Jornada nas Estrelas' teme seguir - se os maus sonhos permitirem". Stephen William Hawking E assim começa a obra “O Universo Numa Casca de Noz” dedicada aos mais variados conceitos da Matemática e da Física, abordando desde assuntos como teoria quântica, conceito de tempo e expansão do universo chegando até em experimentos que eu não tenho a mínima capacidade nem de explicar nem de entender muito bem. Fato que não impediu uma reles mortal como eu de desfrutar das primeiras páginas deste premiado livro, pois a densidade dos conceitos físico e matemáticos é compensada por uma narrativa leve e bem humorada. E assim, lendo o começo deste livro, passei a me interessar pela vida e obra de Stephen William Hawking, dar atenção às suas entrevistas, aparições, estudos e documentários. Então descobri que a palavra gênio não descreve e nem reconhece tudo o que Hawking representa, ele é mais (e muito mais). Um verdadeiro exemplo de vida e de superação, que ultrapassa os níveis da inteligência e transcende e interdependência entre a mente e o corpo. Fadado à limitação física, ele abriu as portas para o seu interior, explorando os mil caminhos que a mente humana pode traçar quando aliada à alta capacidade intelectual. E a parte mais surpreendente de toda a sua história é o fato dele não fazer questão nenhuma de guardar esse tesouro adquirido em anos de dedicação e estudos para si e seu mundinho acadêmico. Pelo contrário, mais do que expor esses conhecimentos ao mundo, ele quis que os leigos entendessem do assunto. Por isso, fala da física e suas teorias do universo com simplicidade tamanha a tal ponto de acreditarmos na obviedade destes temas, mesmo sabendo que trivialidade não é palavra de ordem nesta ciência. Contudo, em sua obra simplicidade jamais poderá ser confundida com mediocridade. Ele explora o abstrato com uma segurança desconcertante. E até chega a afirmar que a Teoria da Relatividade de Einstein (sim, o Albert) falhou ao tentar descrever os momentos iniciais do universo e não incorporar o princípio da incerteza. Para alguém contestar com propriedade a Teoria de Albert Einstein e, desde 1979, ocupar a cadeira de Isaac Newton como professor de matemática na Universidade de Cambridge, este alguém deve ser no mínimo genial. Por isso volto a afirmar: Stephen Hawking é mais! Mais do que um gênio figurando nossos livros de Física em fotos amarelada. De carne e osso, ele está aqui dividindo esta dimensão de tempo, interagindo diretamente com a criação de novas teorias e, o principal, nos ensinando a lidar com isso. Para se inspirar: Explosions In The Sky. Vale o Click! Beijos e até semana que vem, Cah*

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A Zebra e a Laranja

Copa do Mundo na África não podia dar outro resultado...é zebra na cabeça. E no bolão do qual participei foi a mesma coisa. A mãe da casa, julgada injustamente como a menos entendida de futebol, foi a grande vencedora. Apostando em resultados quase improváveis despontou na frente de todos já na primeira rodada. Mas na grande aposta todo mundo perdeu, o Brasil não foi para a final. Aliás, se alguém que lê este blog acertou quem seriam os participantes desta final, por favor, me comunique, porque até agora não conheci ninguém que tenha acertado, nem mesmo o amigo do primo da vizinha. Falando nisso, ainda não decidi para quem vou torcer. Estou tendendo para a Holanda, vice-campeã duas vezes (thanks Google). Mesmo sob todas as repreensões e olhares tortos, acho que eles merecem o título, jogaram bem e surpreenderam. Não tenho rancor nenhum contra os laranjinhas. E apesar dos pesares, esta copa foi a que eu mais me envolvi futebolisticamente falando. Assisti aos jogos com afinco, comprei uma blusa da sorte, torci, xinguei o Dunga, quase chorei quando o Brasil saiu e até aprendi o que é um impedimento, arriscando um comentário sobre a arbitragem numa rodinha masculina. Que venha 2014! Agora sim, me sinto preparadíssima para torcer na nossa casa e espero que o Brasil também esteja mais preparado para jogar aqui. E vocês, meus queridos leitores, já fizeram suas apostas? Quem será o grande vencedor deste mundial? Estão torcendo por alguém? Beijos e até semana que vem, Cah*

quinta-feira, 17 de junho de 2010

À Sua Imagem e Semelhança

Todo mundo já deve ter escutado que os animais domésticos, principalmente os cães, com um tempo ficam muito parecidos com os donos. Como se eles assumissem um pouco da personalidade de quem os cria, ensina e dá carinho, assim como os filhos. No entanto, essa história não é bem esta. Na verdade somos nós que escolhemos bichinhos parecidos com a gente. De acordo com estudos feitos por psicólogos da Universidade da Califórnia, as pessoas tendem a escolher raças de cães cujas características sejam próximas das suas. E isto não se aplica somente às características comportamentais, mas também semelhanças físicas. Deve ser por isso que as madames preferem seus poodles estridentes e os mais saradões seus pitbulls invocados. Acho que se fosse para escolher um cãozinho que é a minha cara, escolheria um labrador, tipo o Marley do filme Marley & Eu. Só não sou grande daquele jeito, mas sou atrapalhada e inquieta que nem ele rsrsrs. E vocês, meus queridos, qual escolheriam? Beijos e até semana que vem! Cah.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Memória a Cores

Sempre gostei de quadros e pinturas, apesar de ser uma péssima pintora. Na escola só sabia pintar casas, céus e mares, no mais quando me aventurava pelos campos da abstração o máximo que conseguia era misturar todas as cores de guaxe possíveis no papel e me deparar com um famoso tom de marrom, mais conhecido como “cor-de-burro-quando-foge”. Abandonei as tintas e pincéis já nesta época. Mas não ter dom para tal arte, não quer dizer que eu não saiba apreciá-la. Tudo bem que não seja uma eximia curadora ou crítica renomada de quadros, mas tenho minha opinião sobre o que gosto ou não gosto. E arte (aqui me refiro às sete artes) para mim é assim, cada um tem seu gosto e direito de decidir o que prefere apreciar ou não. Por ter este pensamento, não vou me dedicar falar que vocês devem apreciar este ou aquele pintor nem julgar que tal quadro é melhor que outro. Apenas quero dividir com vocês uma pintura que se entrelaçou à minha vida de uma maneira toda especial e que me faz visitar lugares do passado: “O Beijo” de Gustav Klimt. Lembro muito bem da primeira vez que eu o vi, ele estava lá estampando meia página do meu livro de Interpretação de Texto da 5ª série assim sem muitas pretensões. Apesar da falta de pretensão, hoje já nem me lembro do texto que o acompanhava, mas recordo que a pintura naquele dia me chamou muito mais atenção que a discussão sobre o mesmo. As cores quentes, a expressão de ternura da figura feminina e a paixão expressa pela posição das mãos e braços das duas figuras até hoje me encantam. Toda vez que eu o vejo, volto um pouco ao colégio, à difícil transição entre infância e adolescência e a descoberta do amor com todo o melodrama e intensidade que esta idade carrega. É isso que mais me agrada nele e acredito que seja este tipo de sentimento que me faça gostar de uma obra prima. E vocês Meninas e leitores, que pintura faz despertar sentimentos e memórias?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Bali, a Mala e o Amor

Feriadinho chegando, é hora de arrumar as malas e por os pés na estrada! Ops...engatou na hora de arrumar as malas, seja para um final de semana ou para a temporada inteira, minha mala sempre acaba sendo do mesmo tamanho: GIGANTESCA. Mesmo assim, com certa paciência tudo cabe em seu devido lugar e estamos prontos para partir. De avião, carro, ônibus, moto e até mesmo de bicicleta vamos ao encontro de nosso destino. Chega, se instala, passeia, compra lembrança pra prima, pra avó e pra mãe. Passeia mais um pouco, conhece lugares, visita museus, praças, igrejas, tira um bilhão e meio de fotos de tudo e de todos, mal percebemos e já está na hora de regressarmos. Então chega a hora da verdade: arrumar as malas para voltar. Acredito que seja quase um fenômeno da natureza, as coisas que vieram em sua mala incrivelmente não caberão de volta, parece que se expandiram, assim como o universo se expandiu um dia, como se elas não quisessem te deixar partir ou quisessem estender as férias por mais alguns dias. E não adianta por a culpa nas lembrancinhas compradas, porque você já tinha know how da viagem passada e trouxe uma sacola exclusiva para isso. Quando isso acontece comigo e sempre acontece, prefiro pensar que estou voltando com uma “bagagem a mais”. Um tipo de bagagem especial, constituída de conhecimento cultural, boas lembranças e uma pitada de saudade que as férias e o lugar visitado deixarão. Então a gente vai arrumando as coisas na mala, acomodando outras na memória e as outras mais preciosas no coração, tudo volta ao seu devido lugar e estamos prontos para o regresso. Ah, já ia esquecendo...o tema dessa semana é “Lugares para onde viajaria(viajei)”, mas deixei minha mente “viajar” sem guia e acabei não citando nenhum lugar. Bom então lá vai!!! Eu adoro viajar e como boa geminiana que sou, a indecisão impera na minha vida, então escolher um só destino é quase torturante para mim. Logo, se eu pudesse escolher a viagem dos sonhos, escolheria uma viagem do tipo “Acrross the Universe”. Mas pensando rápido em um destino, falaria Bali na Indonésia, pela cultura, pela geografia e pela idéia fixa que criei com lugar depois de ler “Comer, Rezar e Amar”. Para quem não leu, o livro conta a viagem da jornalista Liz Gilbert para três destinos diferentes, um para cada verbo do titulo, mas com um objetivo muito maior do que apenas comer, rezar e amar. Vale a pena se deixar levar nessa viagem! Beijos e até semana que vem, Cah. PS.: Bali foi o lugar escolhido para “Amar”.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cover Girl

Sempre que passo em frente a uma banca de revistas, dou uma espichada para saber quais notícias estão sendo capa, raramente eu encontro uma notícia de verdade, normalmente me deparo com super bundas, seios firmes e barriquinha sarada, e claro, a promessa estampada em letras garrafais: “Fique assim em 7 dias!”. Não vou esconder, já cai nessa cilada! Estava eu um dia, parada na banca, me sentindo meio por baixo, de mal com meu corpo, olhando aquelas mulheres maravilhosas e pensando “poxa, se elas são assim eu também posso ser, sou feita do mesmo material, tenho as mesmas capacidades físicas...”. Depois da minha reflexão filosófica sobre a constituição humana e meu metabolismo, decidi comprar a revista que prometia “O corpo dos seus sonhos”. E fui para casa feliz e convencida de que ficaria que nem a moça da capa em uma semana. Nem preciso contar o final, neh?!Não fiquei com o corpo da Grazi Massafera! E nem ficaria mesmo com dieta e malhação 24h durante anos. Não nego que meu corpo ficou melhor, mais tonificado, mas igual ao da capa ah isso não ficou não. E não foi por falta de entusiasmo e dedicação, foi simplesmente porque a minha reflexão filosófica sobre a constituição humana não incluía o Photoshop. E agora mesmo levando em conta os “pequenos retoques digitais”, quando vejo uma propaganda ou capa de revista, ainda fico meio balançada com produtos, dietas e treinos que prometem maravilhas.Quem não quer corpo sarado, cachos perfeitos, pele lisinha e bronzeado impecável que atire a primeira Boa Forma. E o assunto é coisa séria, já virou até pauta de discussão na Câmara dos Deputados. Alguém aí já ouviu falar sobre a “Lei do Photoshop”? De acordo com a Lei, os anúncios que trazem fotos manipuladas digitalmente deveriam trazer a mensagem 'Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada'. Embora eu considere mais importante votar programas educacionais, políticas antiviolência, entre outras coisas mais urgentes em nosso país. Mas que as tais manipulações digitais precisam ser reguladas, ah elas precisam. Hoje, apesar de campanhas como da Dove – Real Beleza da Mulher, existe um abuso de campanhas que expõe a mulher de beleza idealizada, etérea, incentivando assim, uma padronização do belo e um consumismo exacerbado. E as conseqüências disso, vão desde os distúrbios alimentares, como anorexia ou bulimia, até o exagero nas cirurgias plásticas e exercícios. Mas esse assunto, já é pano para outra manga e fica para um próximo post. Beijos e até semana que vem, Cah.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Olho Maior Que a Barriga e Outras Histórias

Alguém aí lembra de Saramandaia, novela do final dos anos 70? Apesar de ter nascido mais de uma década depois, lembro muito de um personagem que conviveu no meu imaginário infantil: Dona Redonda, a mulher que explodiu de tanto comer. Muito porque os adultos a citavam toda vez que eu exibia os olhos maiores que a barriga para comer doces e guloseimas. Quando pequena, não gostava muito de “comer comida”. Segundo minha mãe, eu tinha preguiça de comer, principalmente de almoçar. Hoje, além de sentir uma preguicinha desgramada, adoro comer. Irônico no mínimo! E não só adoro comer, como também gosto de tudo relacionado a comida. Gastronomia, testar novos sabores e receitas elaboradas, e até mesmo de utensílios de cozinha. Mas apesar de toda essa minha paixão, não me considero uma pessoa gulosa...tá eu confesso, as vezes eu sou um pouquinho gulosa sim, mas tenho o álibi da TPM para me proteger. Voltando a assuntos mais sérios... Talvez, a Gula seja o pecado mais bem aceito da sociedade, acredito que mais por um equivoco do que por ele ser menos grave se comparados aos outros. Comer é uma necessidade básica de todos os seres vivos (nunca acredite em pessoas que se alimentam de luz) e a comida está entrelaçada às tradições sociais, por estes dois motivos as pessoas acreditam que comer sem medidas não é tão grave assim. Mas comer demasiadamente, dizem alguns especialistas, está relacionado à questões psicológicas. Certas pessoas tendem a preencher com comida lacunas deixadas pela baixa autoestima, pela angústia, por problemas amorosos e por mais uma infinidade de sentimentos ruins. Apreciar um bom prato (cheio...rs) não é o mesmo que ser guloso. Comer é uma forma de sentir prazer, sentar-se a mesa para uma refeição aproxima as pessoas e muitas vezes nos deixa mais felizes. No entanto, se este ato se torna a única fonte de prazer para uma pessoa, então temos um problema. Exageros escondem problemas mais sérios. E como tudo na vida, o segredo está no equilíbrio. Como inspiração, deixo aqui uma listinha de filmes que são de dar água na boca e que abordam a comida de um jeito adorável, equilibrado e transformador: Julie e Julia(2009) Chocolate(2000) A Festa de Babette(1987) Beijos e até semana que vem! Cah.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um Pouco De Cada

Quem nunca sentiu o cheiro doce de bolo assando? Ou mesmo o amargo da saudade doendo no peito? Situações que misturam os sentidos, que mesclam um pouquinho de cada um para causar uma nova sensação. Agora imagine sentir tudo isso literalmente...imaginou a profusão simultâneas de sensações? Deixando a imaginação um pouquinho de lado, saiba que existem pessoas que convivem diariamente com essa mistura de sentidos, pessoas que convivem com a Sinestesia. Tal condição de sentir não é considerada uma doença ou defeito mental, mas apenas uma maneira alternativa do cérebro interpretar sinais. E põe alternativa nisso!!! Neste exato momento alguém pode estar lendo nosso blog e sentindo o sabor de cada palavra como se fosse um bolo de chocolate bem recheado (hummm) ou ouvindo uma música e vendo formas e cores a sua frente ou até mesmo resolvendo uma equação matemática e enxergando em cada número uma cor. Além dessas, existe muitas outras combinações de sentidos que se manifestam nas pessoas sinestesicas. Se eu pudesse escolher uma delas para ter, eu escolheria sentir o gosto das palavras, assim devoraria livros sem engordar nenhuma grama! E você, qual combinação de sentidos escolheria?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Perfeição




É até fácil falar de música depois de uma semana tão recheada de eventos musicais na cidade. A OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo – esteve por aqui encantando os velhos conhecidos e conquistando novos ouvidos. Assisti duas apresentações, um concerto da sinfônica e um concerto de coro. Mas quero contar-lhes da orquestra, nunca desmerecendo as lindas vozes da OSESP com seu maravilhoso arranjos, que fique claro.

A apresentação aconteceu num parque ecológico em uma noite limpa e quente de domingo, acessível e disponível a todos. Muitos que foram levar os seus pequenos ao passeio costumeiro, depararam-se com uma orquestra inteira instalada no meio do parque e deixaram-se levar pela música. Outros que nunca saem de casa aos domingos a noite, meu caso, deixaram a preguiça de lado e foram apreciar a sinfônica num ambiente digamos que, mais informal.

Sentada na grama, como a maioria que estava por ali, era possível enxergar (e ouvir) a majestosa orquestra a minha frente, o céu com um luar impecável e sentir a harmoniosa integração da música com a natureza.

Até que minha atenção foi roubada.

Um grupo de crianças jogava um animado futebol exatamente na hora em que o maestro regia uma peça de Tchaikovisky. Incrível, não existiria no mundo trilha sonora tão perfeita. Naquele momento a música deixou de se integrar apenas com a natureza ou com os ouvidos dos habituados, e se integrou de corpo e alma com o futebol, com as crianças correndo, a bola rolando e, especialmente, com o meu coração.

Quando pensei em perfeição, começou a tocar Bolero de Ravel, desconhecida pelo nome, mas tão conhecida pela melodia. Deitei na grama ao lado da pessoa mais amada, ouvi seu coração e apreciei as estrelas. O universo se abria à minha frente, aquilo sim era perfeição! Que o mundo acabasse ali, eu me sentia plena e feliz.