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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Se segura, malandro



Tema da semana: Pessoas que tiram vantagem. 
  
Muito provavelmente você, leitor (a), já ouviu falar sobre a Lei de Gérson. Para quem não conhece, uma breve explicação: essa lei ficou assim conhecida devido a um comercial de cigarros feito por um famoso jogador de futebol da década de 70, o Gérson – jura? – e nesse a frase “o importante é levar vantagem em tudo, certo?” acabou se destacando mais até do que o produto oferecido. Em resumo: essa "lei" tem a ver com a fama que as pessoas têm de levar vantagem em tudo, remete ao jeitinho brasileiro, à malandragem que é comum por aí.

Em um primeiro momento a gente pode até pensar que isso de levar vantagem  está muito longe de nós. Mas eu discordo. Quem está livre disso? Você? Pois eu não. E tenho uma excelente ilustração a respeito disso: minha vida profissional (senta que lá vem a história).

 A pessoa que vos escreve começou “engatinhando”, ganhando uma ninharia para fazer o que faz um hoje por um valor relativamente bom, registrado, certinho. Quando iniciei muita gente vinha com esse discurso de “ah, como você é bobinha, trabalhando quase de graça”... A bobinha aqui estudou, se esforçou e, hoje, algumas dessas pessoas que tanto deram apoio moral [/ironia] querem, vulgarmente falando, 'sugar dessas tetas' também. Isso muito me enfurece, me chateia.

No entanto, essa história de levar vantagem, lei de Gérson, querer bancar o malandro, espertão, fodalhão rende, é polêmica. Há uma linha tênue que separa o simples “quero o melhor pra mim” da falta de caráter e é aí que a coisa fica complicada. Coloquemos a hipocrisia na sacolinha e pensemos: quem, afinal, não gosta de se dar bem? Quem não quer se satisfazer? É tão bom quando as coisas dão certo, não é? É emocionante ver que você conseguiu aquela vaga de emprego que tanto queria, pois teve vantagem em relação ao seu concorrente. Então, não estamos livres disso. A diferença está no fato de que para “sair na frente” muitas pessoas (MUITAS MESMO) passam por cima de tudo e de todos. O mundo está cheio de sanguessugas que não param um minuto sequer para pensar se o sujeito ao lado tem as contas do mês para pagar e precisa daquela vaga de emprego, enquanto ele quer aquilo por puro e simples status. Complicado.

A ideia de tirar vantagem também pode ser relacionada ao egoísmo. Difícil dizer que alguém em um momento ou outro da vida não se prioriza, passa por cima ou deixa o outro de lado para atingir um objetivo. É natural que isso aconteça, uma vez que as pessoas não gostam de ser prejudicadas. Porém, essa natureza extrapola, vai além do que consideramos ético e no fim temos aquele que sobe ao pódio, mas temos também aquele que sai ferido.

Se pararmos para refletir veremos que tirar vantagem é muito mais comum do que a gente pensa e que tantas vezes isso acontece sem querer. Não, não quero dizer que devemos ter orgulho extremo disso, eu mesmo não sinto. Como ser humano que sou priorizo o altruísmo, mas não nego que sou sim tantas vezes egoísta. Não me desce essa ideia de fazer os outros de escada. E vamos combinar: é muito mais prazeroso lutar pelo que se quer, saber que todo esforço próprio valeu a pena, sem necessariamente tirar da boca do outro, não é mesmo?

Questiono ainda: qual o limite? Deveria haver um dispositivo que avisasse “fulano, você está indo longe demais, se segura, malandro!”. Mas ter um mundo sem malandragem, tentativa de vantagem ou falta de ética é quase impossível. Infelizmente.



@mariaritamm

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Free



. Ser livre é poder optar por, de vez em quando, não ser.
Postei isso hoje no Twitter e quando a Dai me convidou pra fazer essa participação especial aqui, decidi desenvolver. Liberdade (a errada) é a coisa que mais escraviza. Uma vez que a pessoa se declara livre, começa uma guerra contra tudo e quase todos por conta dessa ideia extremista que ser livre significa não se ligar de verdade a nada nem a ninguém. E qualquer vacilo pode implicar na perda da tal liberdade tão cobiçada, tão duramente conquistada. Daí se fica em estado de alerta, em permanente vigilância, em nado sincronizado com os próprios medos nesse mar inútil de "liberdade". E eu me pergunto : por quê? Ser livre não é viver solto, sem raízes, sem comprometimento, sem levar ninguém a sério. Isso é ser solitário. E triste. Ser livre é ser leal ao que se pensa, é respeitar as próprias convicções, é se permitir repensar, rever conceitos, amadurecer. Eu quero ter a liberdade de me prender à ideias que me conquistem, a lugares que me compreendam e à pessoas que me seduzam. Quero ser livre dentro de mim, antes de mais nada. Voemos todos, então.
Luna Sanchez