quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2 - Dir. José Padilha

Eu não queria falar sobre isso. Mas desde domingo não penso em outra coisa, não, não é só o fato que poderia passar o resto da vida ouvindo o Wagner Moura narrando no meu ouvido, não é isso. Me impressionei pela qualidade do filme e a dificuldade em defini-lo.

Poderia definir como um filme de ação, mas não é isso. Poderia definir como um drama, mas também não é isso, talvez a coisa mais acertada a ser fazer é defini-lo como uma ação dramática. Enfim, é difícil emoldurar.

O Tropa de Elite 2 fala sobre o BOPE? Fala. Fala sobre polícia corrupta? Fala. Fala sobre favela? Fala. Fala sobre os direitos humanos? Fala. Fala sobre corrupção? Fala.

Mas não. Não é mais um filme sobre favela.

O que eu quero dizer é que apesar de tratar desses temas, ele vai além. Não é mais do mesmo. Não é, é mais. Se eu saberia contar a história? Acho que não. Porque o interessante nesse filme, assim como em todos os filmes bons, não é o que acontece, mas a maneira de mostrar o que acontece.

A atuação do Wagner Moura é inegavelmente impecável. Na medida. Perfeito. Maduro. É além das expectativas. Demonstra, sim, como as coisas acontecem no Brasil (e muito possivelmente em outros lugares do mundo). Não achei nenhum exagero. Nada.

Considero o Tropa de Elite 2 muitíssimo melhor que o primeiro. É um filme mais denso, não (só) por causa das cenas de violência, dessa vez em menor quantidade que no outro, mas por causa da densidade psicológica do próprio personagem.  O capitão Nascimento já não é mais utópico, sim, porque no primeiro longa ele acreditava que na polícia se encontrava toda salvação, a solução para todos os problemas. Agora ele vê a verdade, a polícia é parte do problema, talvez não apenas parte, mas força propulsora.

A polícia é a mantenedora do Sistema.

Enfim, é um filme que empolga como poucos, que fez (e faz) pensar como poucos. Um filme que fica no liame do exagero, no entanto, mais realista que nunca. É um filme que mostra o que quase ninguém quer ver. Um filme que nos faz saber como somos manipulados  mesmo quando achamos que somos nós os detentores do poder. Um filme inconveniente.

Peço desculpas se fui evasiva, mas não quero adiantar nenhuma cena do filme para aqueles que ainda não o viram. Vale muita a pena ir assisti-lo. Não a uma versão pirata, mas ir assistir o original. Prestigiar uma grande obra do nosso cinema.

Site oficial do filme: http://www.tropa2.com.br/

domingo, 10 de outubro de 2010

Tema Livre

Hoje o tema  é livre, isso deveria facilitar, não é mesmo?
Mas não facilita.
Na vida, justamente quando tenho liberdade é que me sinto mais perdida, você não?

É muito difícil fazer escolhas por si só, pelo menos quando se é uma pessoa como eu, que nunca sabe ou que quer, que  quer tudo ao mesmo tempo ou simplesmente não quer coisa alguma.

Hoje o tema é livre, assim como eu tenho sido livre nos últimos meses, e nem por isso sei aproveitar tal liberdade.

A liberdade a respeito do tema talvez esteja me fazendo tirar a sua paciência, querido leitor. Peço que me desculpe, não é do meu feitio usar minha liberdade para importunar os outros, mas nesse exato momento não sei o que fazer dela.

Hoje o tema é livre, e nenhuma das idiotices que ocupam minha mente me parece digna de ser escrita aqui.

Então vou parar por aqui, deixar meu voto de que as garotas saibam usar o tema livre melhor do que eu, e fazer minha prece para que eu saiba utilizar minha liberdade de melhor maneira nas próximas oportunidades.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Obviedade e cinta-liga

Nem sempre a obviedade é tão evidente assim. Tá, parece redundante, incoerente, frase de efeito barato, mas não acho que seja. Às vezes a gente acha que tem uma visão ampla, que estamos cientes de todos os fatos, todos os lados e nuances. Mas a verdade é que a verdade está mais camuflada pra nós que as calorias de um mousse de chocolate com nozes e cobertura extra de chantilly.

Uma das coisas mais interessantes é que a gente se boicota. Sabe como é? É assim, você sabe bem suas verdadeiras intenções, o que quer, o que não quer, mas camufla as intenções, não assume para você mesma que sim, você é meio sacaninha. Quem não é?

Ou que não, que todo mundo é sacaninha, mas nessa hora você não é. Que não está nem aí para o que está acontecendo, o que os outros querem, que não, você não é de usar cinta-liga.

A obviedade é que ninguém conhece melhor a gente do que a gente mesmo, sim, é verdade. Mas teimamos em nos reconhecer, colocamos no mínimo um papel manteiga na nossa frente que é para que a nossa visão não seja tão límpida assim, a gente se vê – mas não tanto.

Faço sempre esse exercício de autoconhecimento, e não sou modesta, pego para mim até os defeitos que não são meus, e questiono minhas qualidades o tempo todo, vai que eu esteja fingindo que gosto de blues e jazz, vai que eu não goste tanto assim de ler, vai que eu não tenha vontade de tomar vinho todos os dias.

E seria óbvio, também, eu saber quais são meus defeitos. Mas acontece que tentando entender os outros, muitas vezes a gente se pega pensando: quantas vezes eu não fiz isso também, né? Poxa, tenho que entender o lado da pessoa...

Não!!!

Não, eu nunca fiz isso. Não, eu não penso assim. Não, eu não aceitaria esse erro de mim mesma, por que aceitaria do outro?

A obviedade é qualquer coisa que se esconde a um palmo do nosso nariz, pode estar ao nosso alcance, mas mal conseguimos delimitar o tamanho dela.